391 etnias e 295 línguas: um raio-x demográfico da população indígena do Brasil
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, é um convite para refletir sobre a importância, celebrar a resistência e defender a proteção desses povos. Antes dos portugueses aportarem aqui no século 16, havia aproximadamente 8 milhões de indígenas no que hoje chamamos de Brasil.
Abaixo, confira infográficos sobre a demografia dessa população, com base nos dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Censo 2022.
Um dos maiores enganos quando se fala em povos indígenas é tratá-los como se fossem uma unidade uniforme. Na realidade, dentro dessa ampla categoria, há um universo de variações. O Censo 2022 registrou 391 etnias e, pela primeira vez, permitiu que as pessoas declarassem pertencer a mais de uma etnia. A classificação do que é uma etnia é bastante complexa, e varia de acordo com os critérios adotados. No geral, é possível que novas etnias surjam quando um grupo se separa, migra ou se mistura com outro.
Além disso, há 295 línguas faladas no território nacional – ou melhor: pelo menos 295. Entre 2010 e 2022, 21 novas línguas foram registradas, seja porque não eram conhecidas antes ou por conta da separação de línguas que antes eram consideradas como uma só.

Outro equívoco é acreditar que povos indígenas devem viver apenas “na floresta”. Essa ideia é, na verdade, derivada de estereótipos preconceituosos. Para começar, nem todos os povos indígenas vivem em florestas – originalmente, eles se espalhavam por todo o território que hoje chamamos de Brasil, inclusive na Caatinga, no Cerrado, no Pantanal e nos Pampas.
Com a colonização e a urbanização, muitos de seus territórios nativos foram destruídos, e os povos criaram diferentes estratégias para sobreviverem. Alguns vivem isolados, por exemplo, fugindo constantemente do contato com pessoas de fora de seus grupos. O Brasil concentra o maior número de povos e indivíduos isolados do mundo, e você pode ler mais sobre o assunto nesta reportagem.
Mas, mais da metade dos indígenas vivem em contextos urbanos – e isso não faz deles menos indígenas. Eles ainda se consideram pertencentes a seus povos, conservam sua cultura e aspectos do modo de vida e se adaptam às modernidades, como qualquer um que vive em cidades. Ser indígena não significa que eles tenham de ficar parados no tempo, afinal, apartamentos, roupas ou smartphones não mudam a identidade étnica de ninguém.

No gráfico abaixo, exibimos o número de pessoas indígenas pelos 5.569 municípios brasileiros. A maior parte dos municípios (2.985) têm entre 1 e 25 pessoas indígenas, e 737 não têm nenhuma. Por outro lado, 79 municípios têm entre 5.001 e 71.691 pessoas – com o maior valor, está o campeão em número absoluto de pessoas indígenas, Manaus.

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