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Curiosidades

Os cemitérios europeus criados para enterrar vampiros

Entre os séculos 13 e 17, a Europa viveu uma grande onda de medo de vampiros. Mas não se tratavam dos vampiros aristocráticos no estilo Conde Drácula (personagem que só surgiu no fim do século 19). No imaginário medieval, o vampiro era um morto-vivo grotesco, inchado, de aparência avermelhada e unhas grandes — seria um monstro mais próximo aos zumbis da concepção atual.

Os suspeitos de vampirismo, em geral, eram vítimas de estigma social — pessoas que morreram de forma repentina, suicidas, estrangeiros ou as primeiras vítimas de epidemias. Quando essas pessoas faleciam, os habitantes locais precisavam se certificar de que elas não iriam retornar como vampiros.

Dessa forma, começaram a se proliferar na Europa algumas áreas de enterro específicas para esse pessoal — territórios que hoje podemos chamar de “cemitérios de vampiros”. Esses cemitérios, encontrados principalmente na Polônia e na Bulgária, revelam o medo que as pessoas tinham dos vampiros e os métodos como tratavam os cadáveres para evitar que voltassem à vida. Só na Bulgária, há pelo menos cem cemitério de vampiros.

Confira como os mortos foram tratados em alguns desses cemitérios:

PEDRAS NA BOCA

Itália — Ilha de Lazzaretto Nuovo, Veneza (2006)

Em 2006, nesta ilha perto de Veneza, foi descoberto o esqueleto de uma mulher do século 16 em um cemitério de vítimas da peste com um tijolo enfiado em sua boca — prática identificada como um ritual antivampiro. A pedra na boca se explica porque, em partes da Alemanha, coveiros voltavam a valas comuns de vítimas da peste negra e encontravam a mortalha do cadáver corroída, com sangue saindo pela boca — sinais que, na Idade Média, eram interpretados como vampirismo.

Irlanda — Kilteasheen (2005–2009)

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Entre 2005 e 2009, uma equipe liderada por Chris Read (Instituto de Tecnologia de Sligo) e Thomas Finan (Universidade de Saint Louis) desenterrou 137 esqueletos em um cemitério eclesiástico, com estimativa de que ainda havia cerca de 3 mil a serem descobertos. Dois esqueletos masculinos chamaram atenção: grandes pedras haviam sido forçadas em suas bocas, os membros haviam sido quebrados e os corpos foram contorcidos ao redor de pedregulhos. A datação por carbono determinou que os cadáveres eram do século 7 ou 8, uma descoberta notável por preceder em séculos o surgimento do mito do vampiro na Europa.

CRÂNIOS ENTRE AS PERNAS

Polônia — Gliwice (2013)

Operários que trabalhavam na construção de uma estrada encontraram um cemitério em 2013 com quatro cadáveres cujos crânios haviam sido reposicionados entre os joelhos ou entre as mãos dos mortos. Investigações posteriores acharam mais 13 corpos nessa condição, totalizando 17. Os crânios também tinham pedras colocadas sobre eles. Especialistas apontam que eram práticas para impedir que os mortos voltassem à vida como vampiros.

Polônia — Vala comum em Luzino (2023)

Uma equipe de operários que alargava uma rua na vila de Luzino, no norte da Polônia, descobriu uma vala comum com restos ósseos de aproximadamente 450 pessoas. As análises revelaram sepultamentos do século 19 com sinais de rituais antivampíricos: crânios decapitados colocados entre as pernas dos corpos e moedas depositadas nas bocas dos falecidos. As moedas encontradas datam de 1846.

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DECAPITAÇÃO E MEMBROS RETORCIDOS

Polônia — Chelm (2024)

Uma escavação liderada por Stanisław Gołub no Palácio dos Bispos Uniatistas em Chelm, na Polônia, revelou ossadas de duas “crianças vampiras” do século 13. Entre as práticas identificadas estão a decapitação dos corpos e o sepultamento de bruços, além da colocação de pedras sobre o torso para impedir o corpo de se levantar.

Sérvia — Rašaška (2025)

Um corpo foi encontrado em um cemitério medieval com várias características bizarras: a cabeça separada do esqueleto, os membros retorcidos, o torso virado para baixo e pedras grandes sobre o túmulo.

ESTACAS PERFURANDO O PEITO

Bulgária — Sozopol (2012–2013)

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Arqueólogos na cidade búlgara de Sozopol, às margens do Mar Negro, desenterraram dois esqueletos de 800 anos com hastes de ferro perfurando seus peitos — aparentemente porque os moradores acreditavam que esses dois homens poderiam se levantar dos mortos e aterrorizar a cidade. A dupla passou a ser chamada de “os vampiros gêmeos de Sozopol”. Em 2013, um segundo túmulo vampírico foi desenterrado.

Bulgária — Perperikon (2014)

Arqueólogos na Bulgária descobriram um “vampiro” do século 13 em Perperikon, sítio trácio (da Trácia, uma antiga região no sudeste da Europa onde são as atuais Bulgária, Grécia e Turquia) no sul do país, com o peito perfurado por uma estaca. Os restos pertenciam a um homem provavelmente na casa dos 40 anos. Uma haste de ferro foi martelada em seu peito e sua perna esquerda foi removida e colocada ao lado do corpo.

Bulgária — Debelt (2004)

O arqueólogo Petar Balabanov descobriu em 2004 na cidade de Debelt seis esqueletos que tiveram o peito atravessado com estacas como forma de prevenir que voltassem à vida.

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Europeus comiam múmias na Idade Média

FOICE NO PESCOÇO

Polônia — Vila de Pień (2022)

Durante uma escavação de um cemitério do século 17 nesta vila, o Professor Dariusz Poliński e sua equipe da Universidade Nicolaus Copernicus encontraram uma jovem sepultada com uma foice posicionada como se atravessasse seu pescoço e um cadeado preso ao dedo do pé. Por que a foice? “Em todo o mundo, as pessoas acreditavam que ferramentas afiadas, ferro — qualquer coisa criada pelo fogo, por marteladas — possuía propriedades antidemoníacas”, explicou Marek Polcyn, professor de antropologia que estuda o assunto.

Polônia — Pączewo (2024)

Sob o chão de uma igreja nesta vila, arqueólogos encontraram restos mortais do século 17. Um dos esqueletos estava com uma foice posicionada em volta do pescoço.

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CADEADO NOS PÉS

Polônia — Vila de Pień (2023)

No mesmo cemitério da jovem da história anterior, escavações no ano seguinte encontraram os restos de uma “criança vampira” que teria morrido com apenas seis anos, enterrada de bruços e com um cadeado sob o pé esquerdo. Segundo as tradições da época, esses cadeados serviam para manter o corpo preso à sepultura. “O cadeado mostra que as pessoas tinham medo dessa criança depois de sua morte”, disse Dariusz Poliński, arqueólogo da Universidade Nicolau Copérnico em Toruń, ao site Live Science.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.