Resíduo da fabricação de cerveja aumenta o FPS de protetores solares, diz estudo brasileiro
Por trás daquela cervejinha gelada do fim de semana, está um processo de produção que dura semanas e gera resíduos.
Primeiro, o malte e outros cereais usados na cerveja (cada receita é diferente e pode levar milho, arroz, trigo e outros ingredientes) são moídos e misturados com água, formando o mosto. Ele é filtrado para remover os componentes insolúveis. Em seguida, é fervido, etapa na qual se adiciona o lúpulo (Humulus lupulus L.), uma planta que funciona como o “tempero” da cerveja, responsável pelos aromas e pelo amargor característico.
A mistura é então resfriada e fermentada com o uso de leveduras. Nessa etapa, muitos fabricantes adicionam lúpulo novamente, técnica chamada de dry hopping. Geralmente, utiliza-se lúpulo em pellets, ou seja, pequenos cilindros de flor de lúpulo seca, moída e prensada.
Depois, a cerveja passa por novas etapas de filtragem (eliminando restos de levedura, lúpulo e outros elementos), além de aquecimento e resfriamento – ficando, finalmente, pronta para o consumo.
Ao longo desse processo, as filtragens descartam resíduos de lúpulo ricos em substâncias bioativas benéficas ao organismo humano. Entre elas, estão os polifenóis, antioxidantes com potencial para proteger a pele dos raios ultravioleta.
Esse resíduo da produção de cerveja, gerado em grandes quantidades, é, na maioria das vezes, descartado. Pensando nisso, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) analisou essa biomassa em busca de uma utilidade sustentável.
Publicado no periódico científico Photochem, o estudo trouxe resultados promissores: o resíduo de lúpulo pode ser utilizado na fabricação de protetores solares, aumentando seu Fator de Proteção Solar (FPS).
Os pesquisadores “filtraram” o resíduo do lúpulo da cerveja por meio de um processo chamado extração com etanol. Nele, o material é imerso no solvente para separar o extrato botânico dos demais resíduos da cerveja.
Esse extrato foi analisado e comparado com um extrato de lúpulo puro, que não fez parte da produção da cerveja. Ambos apresentavam alfa-ácidos com ação antioxidantes, porém, apenas o lúpulo reutilizado continha xantohumol, uma substância natural associada à proteção contra radiação solar.
A ideia era testar se ele poderia ser incorporado a protetores solares, aproveitando suas propriedades antioxidantes. Ambos extratos foram adicionados a formulações de protetores solares em creme, tanto com filtro UVA como com UVB.

Utilizando técnicas para medir a eficácia da proteção solar, os pesquisadores observaram que, surpreendentemente, o protetor contendo lúpulo proveniente da cerveja apresentou desempenho superior. Esse aumento do FPS foi especialmente contra a radiação UVB.
A hipótese levantada é que o processo industrial elimina substâncias voláteis, resultando em um resíduo de lúpulo ainda mais concentrado em compostos fotoprotetores.
O estudo também avaliou diferentes formulações do protetor solar, variando componentes como emolientes e água purificada, para identificar a melhor combinação com o extrato. Os protetores com água purificada se mostraram melhores.
Para que essa descoberta chegue às prateleiras das farmácias, são necessários diversos estudos adicionais. Mesmo assim, a expectativa é que, se as próximas etapas (que podem levar anos) forem bem-sucedidas, o uso desse ingrediente sustentável contribua para reduzir o custo dos protetores solares.
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