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Curiosidades

Novo catálogo de vírus revela quais patógenos representam a maior ameaça para a Humanidade

Mark Woolhouse, é professor de epidemiologia de doenças infecciosas na University of Edinburgh. O artigo abaixo foi publicado originalmente no The Conversation.

Em um ano típico, cientistas descobrem dois ou três vírus que nunca haviam sido observados em seres humanos antes. O número varia, mas a tendência tem se mantido bastante estável desde a década de 1960.

A maioria desses vírus atrai pouca atenção, e meus colegas e eu muitas vezes tivemos que vasculhar artigos médicos antigos para encontrar alguma menção a eles. Alguns vírus desaparecem completamente e são praticamente esquecidos. No outro extremo, a descoberta do HIV-1 em 1983 e do Sars-CoV-2 em 2020 prenunciou as pandemias de Aids e de COVID-19, respectivamente. Ambos já mataram dezenas de milhões de pessoas.

Da próxima vez que um cientista encontrar um vírus incomum ou desconhecido em um paciente — provavelmente nos próximos meses —, como saberá se ele poderá causar uma emergência de saúde pública na mesma escala que a Aids ou a COVID-19? Minha equipe na Universidade de Edimburgo vem utilizando as lições da história dos vírus para ajudar a responder a essa pergunta.

As pandemias assumem diversas formas, mas, nos últimos tempos, os principais responsáveis têm sido vírus com genomas compostos de RNA (em vez do mais conhecido DNA). Milhares de espécies de vírus de RNA já foram identificadas, e pode haver milhões, mas apenas 239 infectam seres humanos. Recentemente, publicamos um catálogo que ajuda a identificar os mais perigosos.

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O tipo e a gravidade da doença são indicadores importantes, mas não haverá pandemia a menos que o vírus possa se espalhar entre as pessoas. Isso pode envolver contato físico, inalação de partículas transportadas pelo ar, exposição a sangue ou fezes, ou a picada de um mosquito ou carrapato.

Depois, há vírus capazes de se espalhar entre humanos, mas que, até agora, causaram apenas surtos limitados. Isso ocorre porque seu número R (quantas pessoas, em média, uma pessoa infectada acaba infectando) é muito baixo e as cadeias de infecção acabam se extinguindo por conta própria. Mas os números R podem mudar; por exemplo, quando um vírus antes restrito a aldeias remotas chega a uma cidade. Isso aconteceu com o vírus Ebola do Zaire na África Ocidental em 2014.

Isso parece tranquilizador, mas os vírus evoluem rapidamente e há uma preocupação compreensível de que um vírus zoonótico possa adquirir a capacidade de se espalhar entre seres humanos. É por isso que os cientistas estão tão preocupados com a gripe aviária. Mas não há nenhum exemplo documentado de um vírus de RNA fazendo isso. A raiva não o fez, embora haja dezenas de milhares de casos em humanos a cada ano.

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Uma ameaça muito maior vem de vírus que já têm a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa. Eles podem se tornar ainda mais transmissíveis — como aconteceu com uma série de variantes do SARS-CoV-2 —, mas eles surgiram a partir de vírus de animais que já eram capazes de se espalhar entre as pessoas. No passado distante, essa foi provavelmente a origem do sarampo, da caxumba e da rubéola, além de dezenas de vírus associados a resfriados e infecções gastrointestinais.

O próximo vírus pandêmico

Há apenas algumas dezenas de nomes em nossa lista de vírus causadores de surtos, mas ela é um poderoso indicador de emergências de saúde pública. O vírus Ebola do Zaire, os vírus Chikungunya, Zika e Oropouche — transmitidos por insetos — e o mpox (um vírus de DNA) foram os primeiros a entrar na lista, e todos acabaram causando grandes epidemias.

Alguns vírus mais raros da nossa lista também se tornaram mais conhecidos. Um deles é o hantavírus dos Andes, responsável por um recente surto em um navio de cruzeiro. Outro é o ebolavírus de Bundibugyo, que atualmente está se espalhando na África Central.

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Em contrapartida, nem o vírus Andes nem o Bundibugyo têm o perfil adequado para desencadear uma pandemia global. Mas se fosse, por exemplo, um novo vírus relacionado ao sarampo, então a história seria diferente. Nesse cenário, haveria uma possibilidade real de uma emergência mundial muito pior do que a COVID-19.

Os vírus Andes e Bundibugyo, no entanto, reforçam uma lição importante: ambos já estavam se espalhando semanas antes de serem detectados. O mesmo aconteceu com a COVID-19. Identificar e compreender novos vírus mais rapidamente impediria que a próxima pandemia tivesse essa vantagem inicial e poderia fazer uma enorme diferença no número final de vítimas e nos impactos sobre os nossos meios de subsistência e a economia.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.