Naufrágio de Shackleton é fotografado pelo mesmo veículo que visitou o Titanic
O explorador britânico Ernest Shackleton foi um dos rostos da Era Heroica da Exploração da Antártida, em que, entre as décadas de 1910 e 1920, diversos países realizaram expedições à região. Shackleton liderou três delas: uma em 1908 e outra em 1914, a bordo do Endurance (que acabou esmagado pelo gelo), e uma última iniciada em setembro de 1921, no navio Quest.
Alguns meses após o início da viagem a bordo do Quest, Shackleton sofreu um ataque cardíaco e morreu aos 47 anos. Uma família norueguesa comprou a embarcação deixada pelo britânico. O Quest passou os 40 anos seguintes atuando como navio de caça em expedições do Ártico até que, em 1962, marcou os livros de história mais uma vez: a embarcação foi esmagada e perfurada por blocos de gelo, no mar canadense.
O paradeiro da embarcação permaneceu um mistério até 2024, quando ela foi localizada no Mar do Labrador, na costa do Canadá, a mais de 300 metros de profundidade. A descoberta exigiu uma longa busca conduzida pela Royal Canadian Geographical Society (RCGS), que registrou o naufrágio com um sonar de varredura lateral, equipamento usado para inspeções subaquáticas.
Os registros, no entanto, tinham resolução limitada e mostravam poucos detalhes. Acontece que quanto mais o tempo passa, mais o navio se deteriora. Registrar imagens de qualidade é a principal forma de preservar sua memória, ainda que digitalmente.
Por isso, em 2026, uma equipe internacional de cientistas, liderada pela RCGS, retornou ao local para realizar uma nova expedição. O objetivo, dessa vez, era obter informações mais precisas sobre o naufrágio e produzir registros de altíssima resolução, dignos da história do Quest.
Foram necessários dois navios para a expedição: o Atlantis, que tem uma estrutura pensada para pesquisas científicas, e uma embarcação da Marinha dos Estados Unidos. Ao longo de vários dias, a equipe registrou fotos e vídeos do Quest em resolução 5.2K.
Para capturar os registros, utilizaram um ROV (veículo operado remotamente), equipado com câmeras e sensores. Mas o grande destaque da missão foi o uso do Alvin, um submersível de águas profundas conhecido por ter levado as primeiras pessoas ao naufrágio do Titanic, 40 anos atrás.
Com o Alvin, os pesquisadores puderam descer aos mais de 300 metros de profundidade e explorar o Quest com os próprios olhos. Eles são as primeiras pessoas a ver a embarcação de perto em décadas.
Eles encontraram a embarcação em um estado de conservação impressionante. A proa, o convés e até algumas vigas permanecem preservados. Ao redor, havia corais e diversas espécies marinhas, como bacalhau e peixe-vermelho, que misturam o naufrágio com o ambiente natural. Outras partes do navio, entretanto, estavam bastante deterioradas e cobertas por redes de pesca.

“As redes são uma história triste, porque limitam nossa capacidade de estudar o naufrágio. Acho que precisamos assumir a responsabilidade pelo que estamos fazendo com os oceanos; esse é um problema enorme”, diz o pesquisador John Geiger, o líder da expedição e CEO da RCGS, em comunicado.
Não para por aí. As fotos serão aliadas a tecnologias de ponta para construir um modelo 3D do Quest. Será uma espécie de “gêmeo digital” do navio: uma réplica virtual em alta resolução, rica em detalhes. A técnica consiste em combinar milhares de fotografias para reconstruir, com precisão, as três dimensões da embarcação. Isso ainda está em desenvolvimento, mas a expectativa é que, futuramente, possa ser usado tanto em pesquisas quanto em visitas virtuais pelo público.

“Esse tipo de modelagem 3D só existe na ciência oceânica há poucos anos e está nos dando maneiras completamente novas de explorar esses naufrágios históricos e torná-los reais para o público”, afirma Dwight Coleman, codiretor científico da expedição, no mesmo comunicado.
Agora, a equipe segue para a Groenlândia, onde pretende registrar outro naufrágio histórico: o Terra Nova, navio utilizado por Robert Falcon Scott na expedição que chegou à Antártida em 1912. Na viagem de volta, porém, Scott e seus quatro companheiros morreram. Anos depois, o navio passou a ser usado na pesca e acabou afundando na costa do Canadá, em 1943. Seu naufrágio só foi localizado em 2012, pelo Schmidt Ocean Institute.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

