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Curiosidades

Neandertais caçavam tartarugas e transformavam carapaças em utensílios, mostra estudo

Há cerca de 125 mil anos, grupos de neandertais que viviam na região da atual Alemanha tinham como hábito caçar tartarugas. Mas, ao que tudo indica, não era para comê-las – e sim para usar suas carapaças como utensílios. 

A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada pela arqueóloga Sabine Gaudzinski-Windheuser, da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, e publicada na revista Scientific Reports.

Os pesquisadores analisaram fragmentos de carapaças da tartaruga-de-lagoa europeia (Emys orbicularis) encontrados no sítio arqueológico de Neumark-Nord, no leste da Alemanha. 

Ao todo, foram examinados 92 pedaços de carapaças. Usando escaneamento 3D de alta resolução, os cientistas identificaram marcas de corte em 22 deles. Todas estavam na face interna da carapaça – principalmente no plastrão, a parte inferior do casco.

Marcas de cortes em fragmentos de carapaças da tartaruga-de-lagoa europeia.Scientific Reports/Divulgação
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Esses cortes indicam que os neandertais desmontavam as tartarugas com cuidado. Primeiro removiam os membros, depois retiravam os órgãos internos e, por fim, limpavam a carapaça. Segundo os pesquisadores, isso sugere que o objetivo era preservar o casco.

Apesar disso, é pouco provável que as tartarugas fossem uma fonte importante de alimento. Cada animal pesa cerca de um quilo e oferece relativamente pouca carne. E o próprio sítio arqueológico indica que comida não faltava.

Mais de 100 mil ossos ou fragmentos de ossos já foram encontrados em Neumark-Nord. Entre eles estão restos de veados, bovinos selvagens e cavalos, além do enorme elefante-de-presas-retas (Palaeoloxodon antiquus), que podia ultrapassar dez toneladas.

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“Podemos praticamente descartar essa hipótese, dada a abundância de restos de animais de grande porte e alto rendimento alimentar encontrados no sítio arqueológico. É muito provável que houvesse um excedente calórico completo”, afirmou Gaudzinski-Windheuser em comunicado.

Carapaças reaproveitadas

Segundo o estudo, os cascos provavelmente eram reutilizados como pequenos recipientes ou utensílios semelhantes a conchas, úteis para transportar líquidos, coletar alimentos ou manipular materiais.

Há ainda outra possibilidade: as tartarugas podem ter sido capturadas simplesmente porque eram fáceis de pegar. Animais lentos, comuns em lagoas rasas, poderiam ser recolhidos sem grande esforço. Os pesquisadores acreditam que até as crianças participavam dessa atividade.

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Outra hipótese é que partes das tartarugas fossem consumidas ocasionalmente por gosto ou por algum valor medicinal. Registros históricos mostram que o uso medicinal desses animais existiu na Europa até o século 19, embora não haja evidência direta de que isso também acontecesse entre neandertais.

O achado se soma a outras descobertas feitas em Neumark-Nord, um dos sítios mais importantes para entender o modo de vida desses hominídeos. 

Em um estudo publicado em 2025, os mesmos pesquisadores sugeriram que grupos de neandertais mantinham ali algo parecido com “fábricas de gordura”. Depois de caçar grandes animais, eles quebravam e processavam sistematicamente os ossos para extrair gordura – um recurso energético valioso.

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As escavações também encontraram vestígios de plantas consumidas por esses grupos. Restos carbonizados indicam o consumo de avelãs, bolotas (fruto de carvalhos e azinheiras) e frutos de espinheiro-negro. No total, o ambiente ao redor do sítio poderia oferecer acesso a mais de 190 espécies vegetais.

 

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.