Muralha de 2 mil anos pode ser de Lutécia, cidade dominada por Júlio César que deu origem a Paris
Entre 58 a.C. e 52 a.C., Júlio César realizou uma série de campanhas para conquistar a Gália, território que corresponde hoje à França, Bélgica e parte da Itália. Chamada de Guerras da Gália, o período ficou marcado por embates entre os gauleses (no geral, povos celtas) e os romanos.
Um dos episódios mais marcantes foi a conquista de Lutécia, cidade da Gália fundada pela tribo Parisii no século 3 a.C. Ela foi dominada por César em 52 a.C. e, a partir dela, se originou a cidade de Paris. Mas só tem uma questão: os historiadores não sabem exatamente onde Lutécia estava localizada.
Os documentos, que incluem relatos do próprio Júlio César, indicam que a cidade estava em uma ilha no rio Sena e que, com a invasão romana, foi incendiada e teve suas pontes destruídas. Nenhum registro, porém, é muito preciso. Alguns historiadores acreditam que Lutécia estaria justamente no centro de Paris. Outros, que ela estaria na comuna de Nanterre, na região metropolitana da capital francesa.
Esse debate, talvez, esteja prestes a ser solucionado. Escavações arqueológicas realizadas na ilha do rio Sena (Île de la Cité) encontraram as ruínas de uma antiga muralha, possivelmente a que protegia Lutécia.
Arqueólogos realizavam escavações na propriedade do Hospital Hôtel-Dieu, bem em frente à Catedral de Notre-Dame. Ele é o hospital mais antigo de Paris. As escavações eram realizadas para uma futura obra no local.
Em vez de encontrarem antigos quartos de hospitais, os trabalhadores se depararam com uma seção de 20 metros de comprimento da muralha e, atrás dela, uma plataforma de dois metros de espessura. E não para por aí. Também descobriram pontas de lanças gaulesas nas proximidades, objetos carbonizados e restos de um edifício incendiado. A descoberta foi divulgada esta semana pelo Ministério da Cultura da França.
A muralha é feita de grandes blocos e vigas, conforme a tradição gaulesa, e tem revestimento carbonizado, correspondendo aos relatos de Júlio César. A datação por carbono também é favorável: a muralha teria sido construída entre 200 a.C. e 10 a.C.

Apesar dos fortes indícios, novas escavações, estudos e análises ainda são necessários para poder afirmar com certeza que se trata da muralha de Lutécia.
“Podemos estar diante de um dos vestígios mais importantes já descobertos para a compreensão da Lutécia gaulesa. A cautela científica exige que sua função e cronologia ainda sejam verificadas, mas a convergência de evidências é particularmente notável”, diz Catherine Pégard, Ministra da Cultura da França, em comunicado.
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