Aqui você encontra as informações mais interessantes e surpreendentes do mundo

Aqui você encontra as informações mais interessantes e surpreendentes do mundo

Curiosidades

Cientistas brasileiros registram “beijinhos” inéditos entre macacos na Amazônia

Beijar não é um ato exclusivo dos humanos. Chimpanzés, bonobos e orangotangos já foram flagrados aos amassos por pesquisadores atentos. É provável que o hábito de tocar lábios tenha sido herdado de um ancestral primata comum há cerca de 21 milhões de anos. 

Os únicos que costumam ficar de fora são os primatas neotropicais, também chamados de macacos do Novo Mundo. São raros os avistamentos de beijos entre esses animais nativos das florestas tropicais da América Central e do Sul. Justamente por isso, um registro entre uacaris-de-cabeça-branca selvagens chama a atenção. 

Em 18 de abril de 2023, às 16h28, um macho adulto da espécie se aproximou de uma fêmea adulta que descansava em um galho nas camadas mais altas da floresta amazônica. Usando suas duas patas traseiras, o macho se ergueu e “tomou coragem” para se posicionar bem de frente de sua paquera e se aproximar até que seus rostos se tocassem. 

Durante cerca de 10 segundos, enquanto pesquisadores observavam, o casal permaneceu com os focinhos colados um no outro. A fêmea aparentava estar contente com o contato: ficou sentada, de frente para o macho, no que os autores chamam de “postura relaxada condizente com receptividade”. Nada mal para um primeiro encontro registrado em um estudo científico.

Continua após a publicidade

No artigo, os pesquisadores relatam que “as bocas de ambos os indivíduos pareciam se tocar, com os focinhos alinhados em uma orientação direta, frente a frente”. Em nenhum dos indivíduos foi observada qualquer tensão muscular ou outro indicador de agressividade ou estresse. Traduzindo: foi, sim, um beijinho. 

Conheça o “teorema do macaco infinito”


Continua após a publicidade

O contato, inclusive, pareceu suave e contínuo, uma característica de interações sociais que têm por objetivo fortalecer laços afetivos entre animais. O after foi ainda mais interessante. Após o “beijinho”, o macho andou em direção ao interior da copa da árvore, sendo seguido pela fêmea. Os pesquisadores não sabem o que eles fizeram lá – fica para sua imaginação.

A interação completa, desde a aproximação do macho até ambos sumirem para as copas da árvore, durou aproximadamente um minuto. De acordo com o artigo, que foi publicado no início do mês na revista Biotropica, trata-se do primeiro registro de contato facial direto em uacaris-de-cabeça-branca selvagens, da família Pitheciidae. 

Continua após a publicidade

Em entrevista à Super, o pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e primeiro autor da pesquisa, Renann Dias da Silva, confessa que não entendeu muito bem o que estava acontecendo quando flagrou o beijinho. No momento, só deu tempo de ficar encantado com a cena e seguir para outras observações. Só depois, já de volta da expedição, é que resolveu se aprofundar na literatura para entender o comportamento.

Entre primatas, contatos como esses desempenham diversas funções sociais, incluindo a de manutenção de vínculos de casal, a resolução de conflitos, a avaliação reprodutiva e a solicitação sexual. Para Renann, o uacari-branco – uma espécie endêmica das várzeas da floresta ​​da Amazônia e de características singulares – é uma demonstração particularmente interessante dessas funções.

Continua após a publicidade

Suas faces avermelhadas, super vascularizadas e que emitem odores sinalizam o estado de saúde do animal e ajudam a fêmea a escolher o parceiro na hora do acasalamento através do contato facial. “Ela quer um macho saudável e consegue ver isso no rosto deles, porque, quanto mais avermelhada a face, mais saudável está o animal”, explica o autor.

Também há a questão do reconhecimento. Em um segundo momento observado pelos pesquisadores em campo, um macho adulto se aproximou de um jovem pousado em um galho e se inclinou em direção à face do indivíduo por cerca de 3 a 4 segundos. Como não houve violência, a hipótese que surgiu é que eles estariam se reconhecendo. 

Continua após a publicidade

<span class=”hidden”>–</span>Renann H. P. Dias da Silva/Artigo/Reprodução

“Ao longo do dia, para evitar competição entre o próprio grupo, uacaris se dividem em grupos menores. Mas, em outros momentos, eles voltam a se juntar”, diz Renann. “Esse contato facial de proximidade ajuda na identificação, na apaziguação e na coesão do grupo. Aproximar a sua face da face de outro primata, nesse contexto, seria porque você está explorando o ambiente.”

Renann é primatólogo na UFAM e ficou de setembro de 2022 a agosto de 2023 observando os uacaris-de-cabeça-branca selvagens. “Eu tinha que acordar todo dia antes dos macacos. E saía do mato só depois de os macacos irem dormir”, conta. Ele ficou na Reserva Biológica do Lago Surara, situada na região do rio Juruá, no Amazonas, e as observações relatadas ocorreram durante a época da cheia. 

Como foram apenas duas observações, não é possível afirmar com certeza que a sazonalidade interferiu no comportamento deles. Mas sabemos que, nessa época, como o solo fica submerso, os uacaris ficam mais restritos ao topo das árvores – forçando maior proximidade entre os indivíduos, que, talvez, apaziguem seus ânimos com beijinhos. 

Publicidade

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.