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Curiosidades

Lagostas sentem dor? Novo experimento com analgésicos indica que sim

Lagostas são consideradas iguarias em muitas culinárias e consumidas no mundo todo, mas elas conseguem sentir dor? Essa é uma das perguntas que acompanham a ciência há anos. Por serem invertebrados e não exibirem expressões ou vocalizações facilmente reconhecíveis, durante muito tempo se supôs que esses animais seriam incapazes de sofrer.

Muitos cientistas, porém, passaram a questionar essa ideia nos últimos anos, com base em pesquisas diversas. Agora, um novo experimento acrescenta mais uma peça a esse quebra-cabeça.

Pesquisadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, descobriram que analgésicos usados em humanos reduzem uma reação de fuga em lagostas-norueguesas submetidas a choques elétricos. Para a equipe, isso indica que a resposta não é apenas um simples reflexo automático, mas pode estar ligada à percepção de dor.

O estudo foi publicado na revista Scientific Reports e investigou a espécie Nephrops norvegicus, bastante pescada e consumida na Europa. A equipe queria entender melhor um comportamento clássico desses crustáceos: quando ameaçados, eles dobram rapidamente a cauda e se impulsionam para longe.

Cientistas assinam documento defendendo que crustáceos sentem dor

Para testar o que estava por trás dessa reação, os cientistas trabalharam com 105 animais. Alguns foram expostos a um choque elétrico leve aplicado na água. Outros receberam o mesmo estímulo, mas depois de serem tratados com dois analgésicos comuns: aspirina, aplicada por injeção, ou lidocaína, dissolvida no tanque.

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O choque provocou imediatamente a reação de fuga em muitas lagostas. Mas o comportamento mudou quando os animais haviam recebido medicamentos antes do experimento.

Havia 13 lagostas em cada grupo do estudo. Sem analgésico, todas reagiram com o movimento de fuga. Quando receberam lidocaína, a reação apareceu em 7 de 13 animais. Com aspirina, caiu ainda mais: apenas 3 de 13 responderam.

Para os pesquisadores, essa diferença é importante. Se o movimento fosse apenas uma contração causada pela eletricidade, os medicamentos não deveriam ter efeito. O fato de a reação diminuir sugere que os analgésicos estavam reduzindo a percepção de um estímulo doloroso.

Além disso, para Lynne Sneddon, professora de zoofisiologia da Universidade de Gotemburgo e uma das autoras do artigo, “o fato de analgésicos desenvolvidos para humanos também funcionarem em lagostas-norueguesas mostra o quão semelhantes são nossos mecanismos de ação”, disse em comunicado

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“É por isso que é importante nos preocuparmos com a forma como tratamos e abatemos crustáceos, assim como fazemos com galinhas e vacas.”

Um debate que cresce

O estudo se soma a um conjunto crescente de pesquisas que apontam sinais de dor em invertebrados. Experimentos anteriores mostraram, por exemplo, que caranguejos-eremitas abandonam suas conchas após receber choques elétricos dentro delas. 

Polvos também já demonstraram evitar lugares associados a experiências dolorosas e preferir locais ligados ao alívio da dor.

Mas não só: várias pesquisas revelam comportamentos complexos presentes nestes animais, como capacidade de distinguir cores e objetos, reconhecer outros indivíduos e aprender com experiências passadas. Também há evidências limitadas de memória, tomada de decisão, cuidado parental e até traços de personalidade. 

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Alguns países já começaram a reagir a esse conjunto de fatores. Noruega, Nova Zelândia e Áustria proibiram cozinhar crustáceos vivos por motivos de bem-estar animal. No Reino Unido, uma lei aprovada em 2022 passou a reconhecer oficialmente que lagostas, caranguejos e polvos são seres capazes de sentir dor e sofrimento.

No fim do ano passado, a organização brasileira Alianima lançou a Declaração de Senciência em Crustáceos. Assinado por 35 especialistas, o documento afirma que crustáceos são capazes de sentir dor e reagir de forma complexa a estímulos nocivos.

Enquanto isso, pesquisadores e a indústria pesqueira tentam desenvolver métodos considerados menos cruéis de abate, como o atordoamento elétrico antes do cozimento. Mas o procedimento ainda exige cuidado. “Se esses animais não forem eletrocutados corretamente, o processo pode ser extremamente doloroso”, alertam os autores do estudo.

Para Sneddon, compreender melhor como crustáceos reagem a estímulos nocivos é essencial para orientar essas mudanças. “Nossos resultados enfatizam a importância da responsabilidade ética pelo bem-estar dos crustáceos”, afirmou. “Precisamos descobrir a maneira mais humana de tratar e sacrificar esses animais, caso ainda queiramos consumi-los no futuro.”

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.