Açúcar é detectado no espaço pela 1ª vez
As moléculas de açúcar estão presentes na Terra desde o início da história do planeta e são fundamentais para o desenvolvimento da vida. Elas fornecem energia às células, participam da formação de estruturas biológicas e fazem parte do material genético, como o DNA e o RNA. Sua origem, porém, ainda é um mistério para a ciência.
Alguns pesquisadores acreditam que parte dessas moléculas não surgiu na Terra, mas chegou aqui trazida por asteroides e cometas, já que muitos deles contêm açúcares em sua composição. O asteroide Bennu, por exemplo, apresenta moléculas desse tipo. Mas como esses açúcares foram parar nessas rochas espaciais é outra incógnita.
Uma nova pesquisa, publicada no dia 13 de julho no periódico científico Nature Astronomy, deu um passo importante nessa investigação: pela primeira vez, cientistas detectaram moléculas de açúcar no espaço interestelar da Via Láctea. Esse nome rebuscado se refere ao espaço entre os diferentes sistemas estelares, preenchido por gás e poeira.
Antes, outros estudos já haviam identificado moléculas parecidas com açúcares no espaço, como o glicolaldeído, mas nunca um açúcar propriamente dito.
Com isso, a nova hipótese é que o açúcar tenha se formado no próprio espaço interestelar, antes mesmo do surgimento da Terra, por meio de reações químicas. Se essa ideia estiver correta, ela muda a forma como entendemos a origem dos ingredientes necessários para a vida, que podem ter vindo de outro lugar.
Se o espaço interestelar é capaz de produzir moléculas de açúcar e elas estiverem espalhadas pela galáxia, aumenta a probabilidade de que outros sistemas planetários também recebam esses compostos – ajudando no surgimento da vida. No caso da Terra, a ideia é que grandes quantidades de açúcar (possivelmente na casa de dezenas de toneladas) tenham chegado ao planeta durante sua formação.
Detectar essas moléculas não foi nada simples. Uma equipe de cientistas utilizou dois radiotelescópios na Espanha, o Yebes 40m e o IRAM 30m, equipamentos que lembram enormes antenas parabólicas e captam ondas de rádio emitidas pelos objetos celestes. Com eles, os pesquisadores monitoraram o centro da Via Láctea em busca das moléculas presentes na região. Isso é possível já que cada substância emite um conjunto característico de frequências, funcionando como uma espécie de “RG molecular”.
Basicamente, conforme as moléculas se movem, elas emitem ondas de rádio em frequências específicas, que podem ser detectadas pelos radiotelescópios. Os pesquisadores compararam esses sinais com os produzidos por moléculas de açúcar em laboratório já conhecidas.
Foi aí que encontraram perceberam que o padrão observado em uma nebulosa (nuvem de gás e poeira) localizada no centro da Via Láctea, a cerca de 26 mil anos-luz da Terra, era compatível com o da eritrulose – um tipo de açúcar encontrado naturalmente em framboesas.
Não se trata de um açúcar simples. A eritrulose é formada por quatro átomos de carbono, oito de hidrogênio e quatro de oxigênio. Existem açúcares ainda menores, como aqueles compostos por apenas três átomos de carbono.
Depois, esses resultados passaram por muitas revisões, feitas pela própria equipe e também por cientistas que não estavam envolvidos no estudo – e todos confirmaram o achado.
Agora, os próximos passos incluem investigar se outras moléculas de açúcar também estão presentes no espaço interestelar.
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