Qual animal tem a gestação mais longa?
A detentora do recorde é a salamandra-alpina (Salamandra atra), nativa dos Alpes Suíços e arredores. Sua gestação dura entre dois e três anos– mas pode levar mais tempo, dependendo da altitude em que o animal vive. Quanto mais alto nas montanhas, mais a gestação demora – acima de 2.500 metros, pode passar de cinco anos.
Isso é de cinco a seis vezes mais longo que uma gravidez humana. E o mais curioso é que, diferente da maioria dos anfíbios, ela não bota ovos: dá à luz filhotes vivos, um traço que provavelmente está relacionado à evolução durante as eras glaciais. Como encontrar água morna para botar ovos era artigo de luxo naquela época, a espécie evoluiu para gerar os filhotes dentro do próprio corpo. E o frio ajudou: com o metabolismo mais lento, a mãe gasta menos energia e consegue sustentar os embriões por anos a fio sem entrar em colapso.
Só que “gestação tranquila” não é bem o termo. Ao longo da gravidez, os embriões de salamandra-alpina devoram-se uns aos outros para conseguir nutrientes e, ao fim, sobram apenas um ou dois filhotes.
O segundo lugar entre as gestações conhecidas fica com o tubarão-cobra (Chlamydoselachus anguineus), que carrega os filhotes ao longo de pelo menos três anos e meio.
Entre os mamíferos, não surpreende muito que os campeões sejam os gigantes elefantes-asiáticos, cuja gravidez leva, em média, 650 dias, ou cerca de 21 meses. Afinal, os filhotes nascem pesando, em média 100 kg e medindo entre 90 cm e 1 metro de altura. Eles ainda levam 18 a 24 anos para chegarem aos seus tamanhos máximos.
Mas pode haver uma disputa entre os mamíferos: em 2023, um estudo na revista
Royal Society Open Science sugeriu que a gestação da baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus) pode durar cerca de 23,6 meses, e não os 14 estimados anteriormente (1). Se confirmado, o elefante perderia o posto – mas, por enquanto, ainda são necessárias mais pesquisas.
Há ainda um caso que não entra oficialmente na categoria “gestação”, mas merece menção honrosa: uma mamãe polvo (Graneledone boreopacifica) ficou pelo menos 53 meses ininterruptos – quase quatro anos e meio – chocando seus ovos sem parar. Ela foi monitorada entre 2007 e 2011, estacionada a 1.397 metros de profundidade em um cânion no mar da Califórnia, até onde se sabe, sequer se alimentou durante esse período (2). É o recorde de incubação mais longo já documentado em qualquer animal.
Referências (1) artigo “Prolonged baleen hormone cycles suggest atypical reproductive endocrinology of female bowhead whales”; (2) artigo “Deep-sea octopus (Graneledone boreopacifica) conducts the longest-known egg-brooding period of any animal”.
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