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Curiosidades

Qual a história da estatueta do Oscar? A origem e os mistérios do troféu mais cobiçado de Hollywood

O Brasil chega à 98ª edição do Oscar com um recorde de indicações. A lista de nomeados trouxe brasileiros em cinco categorias. O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, apareceu em quatro delas: Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura), Melhor Filme e Melhor Elenco, uma categoria inédita na premiação.

A quinta indicação veio para o diretor de fotografia Adolpho Veloso, lembrado em Melhor Fotografia pelo trabalho na produção norte-americana Sonhos de Trem.

Agora, a expectativa se volta para o dia 15 de março, quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas entrega a estatueta mais famosa do cinema. O troféu é oficialmente chamado de Academy Award of Merit (Prêmio de Mérito da Academia), mas há quase um século atende por um apelido que virou sinônimo de prestígio em Hollywood: Oscar.

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A história dessa figura dourada começa antes mesmo do primeiro tapete vermelho. A Academia foi formalmente fundada em 1927, em uma iniciativa liderada por Louis B. Mayer, então chefe do estúdio MGM. A criação da instituição tinha objetivos como promover “harmonia” no setor e reduzir tensões trabalhistas em um período de disputas por direitos e organização sindical. 

Desde as primeiras discussões, a ideia de conceder “prêmios de mérito por realizações distintas” apareceu como uma forma de reforçar esse projeto. Pouco depois da fundação, a Academia realizou um jantar no Crystal Ballroom do Hotel Biltmore, em Los Angeles, para definir seus objetivos e estabelecer como reconheceria grandes realizações do cinema.

Se haveria uma premiação anual, seria preciso também um símbolo à altura. A tarefa de desenhar esse símbolo ficou com Cedric Gibbons, diretor de arte da MGM e um dos 36 fundadores da Academia. Conhecido como Gibby, ele recebeu ainda em 1927 a missão de criar um “selo, emblema ou insígnia” para a nova organização. 

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O primeiro resultado foi um esboço bidimensional que já trazia a essência do que viria a ser o Oscar. Quando a Academia decidiu formalizar o prêmio anual, Gibbons transformou a ideia em um desenho tridimensional, aprovado pelo conselho diretor.

O projeto trazia um cavaleiro em pé sobre um rolo de filme, segurando a espada de um cruzado. A espada simboliza a defesa da indústria cinematográfica. Já o rolo de filme tem cinco raios, referência aos cinco ramos originais da instituição: atores, diretores, produtores, roteiristas e técnicos.

Para tirar o desenho do papel, Gibbons contratou um jovem escultor de Los Angeles, George Stanley, então com 26 anos. O pagamento foi de US$ 500 (o que equivale, hoje em dia, a cerca de R$ 2.640). A estatueta ficou pronta em 1928 e foi fundida em bronze, banhada a ouro e preparada para o primeiro evento. 

Em 16 de maio de 1929, uma dúzia de exemplares foi apresentada na primeira cerimônia do Oscar, no Blossom Room do Hotel Hollywood Roosevelt. A partir dali, o objeto começou a se consolidar como o centro da premiação. O design se manteve praticamente igual ao longo das décadas, embora a base tenha mudado de tamanho até 1945, quando o padrão atual foi adotado: 34 centímetros de altura e cerca de 3,85 quilos. Em 2016, a Academia promoveu um leve redesenho para aproximar o troféu do traço original.

Com o tempo, a estatueta tornou-se um ícone global. A própria Academia a define como “o troféu mais reconhecido do mundo”, presente nas prateleiras de alguns dos cineastas mais importantes da história desde 1929.

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Quem é Oscar?

Mas se o desenho é relativamente bem documentado, o mesmo não se pode dizer sobre um detalhe que todo mundo usa e quase ninguém sabe explicar com certeza: o nome.

A Academia afirma que muitos chamam a estatueta de “Oscar” desde o início da década de 1930 e que a instituição passou a usar o apelido oficialmente em 1939. Antes disso, o termo já circulava. Em 1934, o colunista de Hollywood Sidney Skolsky usou “Oscar” em um texto sobre a primeira vitória de Katharine Hepburn como Melhor Atriz, sinal de que o apelido já era compreendido pelo público da época.

A versão mais repetida sobre a origem do nome envolve Margaret Herrick, bibliotecária da Academia e futura diretora executiva. Segundo essa história, ao ver o troféu pela primeira vez, ela teria comentado que a estatueta se parecia com um tio chamado Oscar. 

Há, porém, outras hipóteses famosas. Uma delas atribui o apelido à atriz Bette Davis, que teria achado que a estatueta lembrava seu primeiro marido, Harmon Oscar Nelson. Outra versão coloca o escritor Sidney Skolsky como o responsável. Ele teria usado “Oscar” em um registro impresso pela primeira vez por estar cansado de escrever “estatueta dourada” e decidiu recorrer a uma piada em que um comediante perguntava a um maestro: “Você aceitaria um charuto, Oscar?”.

Além das disputas sobre o nome, há também uma história recorrente sobre quem teria servido de modelo para o corpo do troféu. George Stanley declarou ter esculpido a peça sem usar modelo vivo, mas um relato que atravessou décadas afirma que Emilio Fernández, ator e cineasta mexicano, teria posado nu para o escultor.

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Segundo essa versão, Fernández, conhecido como El Indio, vivia exilado nos Estados Unidos após lutar na Revolução Mexicana e trabalhava como figurante em Hollywood quando conheceu a atriz Dolores del Río. Na época, Del Río namorava Cedric Gibbons e teria apresentado Fernández ao diretor de arte, que buscava uma referência humana para o desenho. Dolores del Río chegou a afirmar que o amigo posou nu para Stanley.

Mesmo assim, essa história é tratada com cautela. A figura do Oscar é tão estilizada e abstrata que praticamente qualquer jovem em boa forma, ou nenhum, poderia ter servido de referência. Ou seja, mesmo que Fernández tenha posado, isso não significa que o resultado final seja um retrato fiel de um corpo específico.

Nos últimos anos, surgiu uma hipótese menos conhecida sobre as influências por trás do desenho. Ela parte de uma semelhança entre o Oscar e esculturas do Egito Antigo, em especial representações de Ptah, divindade associada às artes, ao artesanato e ao comércio. 

Por milênios, Ptah foi retratado como uma figura elegante, em pé, segurando um bastão à frente do corpo, com as mãos sobrepostas de modo semelhante ao cavaleiro do Oscar.

Estatueta Ptah na Casa Museu Eva Klabin.Wikimedia Commons/Reprodução
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Gibbons, por sua vez, era um nome central do Art Déco em Hollywood, um estilo marcado por formas geométricas e superfícies lisas. Ele teria entrado em contato com o movimento ao visitar, em 1925, a Exposition des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, em Paris. De volta aos EUA, aplicou essa linguagem visual tanto em sua vida pessoal quanto no cinema, supervisionando cenários que se tornaram emblemáticos.

O Art Déco, por sua vez, foi fortemente influenciado pela estética egípcia, especialmente após a descoberta, em 1922, do túmulo do faraó Tutancâmon pelo arqueólogo britânico Howard Carter. O túmulo foi encontrado intacto e cheio de milhares de artefatos, o que alimentou uma onda de “egiptomania” nas artes, na moda e na arquitetura.

Como a estatueta é feita?

Enquanto o debate sobre influências culturais e origem do nome segue aberto, o processo de fabricação do Oscar é bem mais concreto, e também mudou com o tempo. Hoje, as estatuetas são fundidas a cada janeiro no estado de Nova York. 

A produção começa com um modelo feito em impressora 3D, usado para criar uma versão de cera. A partir dela, faz-se um molde de silicone que permite produzir novas cópias em cera. Essas cópias recebem uma “casca” ao serem mergulhadas em areia de sílica. 

Depois, vão ao forno: a cera derrete e deixa a estrutura vazia, preenchida em seguida com bronze derretido. Após o resfriamento, a casca é quebrada, a peça passa por acabamento manual para remover imperfeições e, por fim, é polida e revestida com ouro.

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O material também tem sua história. Hoje, a Academia afirma que as estatuetas são feitas de bronze maciço e banhadas a ouro 24 quilates. Mas durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1942 e 1945, houve escassez de metal, e o Oscar precisou ser improvisado: por três anos, o prêmio foi feito de gesso pintado.

Depois do conflito, os vencedores foram convidados a trocar as versões de gesso por estatuetas metálicas banhadas a ouro.

Nos bastidores, há detalhes que o público raramente vê. As estatuetas entregues na cerimônia não chegam ao palco com o nome do vencedor; as placas são colocadas depois, fora das câmeras.

São produzidas cerca de 50 por ano, contando com unidades extras, já que pode haver empates ou categorias em que múltiplos vencedores compartilham o prêmio.

Pelas regras da Academia, vencedores não podem vender livremente a estatueta e, se quiserem se desfazer dela, devem primeiro oferecê-la de volta à instituição. Ainda assim, alguns Oscars antigos já foram parar em leilões ao longo das décadas.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.