Qual a diferença entre jumento, mula, burro, jegue e asno?
Os bichos que chamamos de jumento (ou de jegue ou de asno) são o Equus africanus asinus, uma subespécie de Equus africanus domesticada há 7 mil anos. Eles são primos distantes da zebra e dos cavalos – até 2 milhões de anos atrás, todos compartilhavam um mesmo ancestral. Mula e burro, por sua vez, são um outro animal, formado a partir do cruzamento entre um jumento e uma égua. Quando o filhote desse acasalamento é uma fêmea, ela é chamada de mula; quando nasce um macho, ele é chamado de burro.
Os jumentos foram domesticados antes mesmo dos cavalos, cuja domesticação ocorreu há pouco menos de 5 mil anos. E faz todo sentido: embora menores, os jumentos são mais resistentes que os cavalos. Há milênios ele é usado como animal de carga, sela e tração, sendo muito útil para trabalhos pesados no campo. Em média, tem 1,30 metro de altura e chega a pesar 400 quilos.
Os jumentos foram trazidos para o Brasil pelos europeus durante a colonização. Logo se tornaram o principal meio de transporte dos tropeiros, carregando mercadorias entre o litoral e as missões de expansão para o interior do País. Os jumentos daqui deram origem a três raças: brasileiro, Pêga e nordestino. Cortesia de séculos de cruzamentos para atender as necessidades de trabalho e clima de diferentes regiões. Hoje, os jumentos do Brasil estão ameaçados de extinção. A Super fez uma matéria sobre o assunto em 2025. Leia aqui.
As mulas e burros, independentemente do sexo, são fisicamente mais parecidos com as éguas, mas herdam do jumento a força e a resistência. Graças a seu formidável equilíbrio, eles conseguem andar por caminhos íngremes nas montanhas, sendo muito útil como animal de carga. Eles ainda são os mais recomendados para o trabalho na agricultura.

Há algumas décadas, todos esses animais eram reverenciados com estátuas, pinturas, cordéis e canções Brasil afora. “O jumento sempre foi o maior desenvolvimentista do sertão. Ajudou o homem na luta diária,” disse Luiz Gonzaga na música “Apologia ao jumento”, de 1976.
A tradição de associar burros, jumentos e mulas a características indesejáveis, como a falta de inteligência e a teimosia é muito antiga, e não existe só em português. Em inglês e espanhol, também se fala “teimoso como uma mula” – “stubborn as a mule” e “más terco que una mula”.
Mas é um apelido muito injusto: os equídeos – cavalos, jumentos, burros, mulas e outros parentes – são sim inteligentes. Estudos já provaram que eles armazenam memória de longo prazo, têm relações sociais complexas e podem ser adestrados para executar tarefas detalhadas.
É possível que todo esse estigma tenha a ver com dificuldades no trato desses animais. “Domar jumentos e burros é mais desafiador do que domar cavalos, pois seus comportamentos naturais são diferentes”, explica Chiara Albano, professora da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Um exemplo: de frente a um predador ou situação de perigo, os cavalos correm, fogem e observam de longe. O jumento para e analisa a situação antes de agir. Se percebe perigo ou fica desconfiado, ele trava, priorizando sua segurança.”
Aprenda a diferenciá-los
Para identificar cada espécie, observe alguns detalhes. Primeiramente, as orelhas: jumentos possuem orelhas visivelmente maiores que mulas e burros. Em relação ao porte, mulas e burros geralmente são mais altos, podendo ultrapassar 1,50 metro, dependendo do tamanho da égua mãe, enquanto jumentos ficam em torno de 1,30 metro. Por fim, a pelagem do jumento é mais densa e variada (acinzentada, branca e preta), enquanto mulas e burros têm pelos mais curtos, semelhantes aos de um cavalo.
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