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Curiosidades

Por que o resultado da eleição no Peru demora tanto para sair?

Após um período de grande instabilidade política, o Peru finalmente voltou às urnas em 2026 para eleger um novo líder. Desde a última eleição, em 2021 (por lá, o mandato dura cinco anos), o país teve quatro presidentes.

O primeiro turno das novas eleições ocorreu em 12 de abril, com o número recorde de 35 candidatos. Os resultados saíram apenas em 17 de maio, mais de um mês depois. Ficou definido que o segundo turno seria disputado entre Keiko Fujimori, uma das principais figuras da direita peruana (e filha de Alberto Fujimori, ditador que governou o país entre 1990 e 2000), e Roberto Sánchez, representante da esquerda.

<span class=”hidden”>–</span>Raul Sifuentes/Bloomberg/Getty Images

Os peruanos votaram no último domingo (7), mas os resultados oficiais ainda não saíram – e isso não é nenhuma novidade. O Peru é conhecido por sua apuração eleitoral extremamente lenta, e isso acontece por uma série de fatores. 

Primeiro, a maior parte da votação é feita em cédulas de papel, que depois são contadas uma a uma pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Só esse processo já demanda bastante tempo. Os votos são contabilizados manualmente e, posteriormente, digitalizados.

Mas essa não é a única explicação. A Colômbia, por exemplo, também utiliza cédulas de papel, mas conta com um sistema de contagem digital. Nas eleições deste ano, o país divulgou o resultado do primeiro turno em poucas horas.

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No Peru, o voto digital até existe e é realizado por computador ou celular, mas está restrito a alguns grupos específicos: integrantes das Forças Armadas e da Polícia Nacional do Peru, cidadãos peruanos residentes no exterior, trabalhadores de estabelecimentos de saúde, membros do Corpo de Bombeiros Voluntários, pessoas com deficiência, entre outros. Essa inovação é recente: a medida foi aprovada apenas em abril de 2025.

Outra questão é que nem todos os eleitores que vivem fora do Peru têm acesso ao voto digital. Muitos ainda precisam votar presencialmente, utilizando cédulas de papel. Esses votos são transportados até os centros de contagem em Lima, um processo demorado. Apenas o transporte de votos vindos de países asiáticos exige mais de 10 horas de voo. Ao todo, mais de um milhão de peruanos vivem no exterior, o equivalente a mais de 4% do eleitorado.

O desafio logístico também existe dentro do próprio território peruano. O país enfrenta dificuldades para transportar as urnas de áreas rurais e remotas. A geografia peruana é marcada por montanhas, florestas densas e regiões de difícil acesso, exigindo o uso de barcos e até de animais para recolher os votos em algumas localidades.

Após o transporte e a contagem de todos os votos físicos e digitais pelo ONPE, o processo eleitoral ainda não termina. A apuração passa por etapas de revisão supervisionadas pelo Jurado Nacional de Eleições (JNE), um órgão equivalente ao TSE brasileiro, responsável por validar e divulgar o resultado oficial.

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O JNE determina quais atas eleitorais (os relatórios de votação de cada mesa) precisam ser reavaliadas. Isso geralmente acontece quando são encontradas inconsistências, como divergências entre o número de cédulas e o número de eleitores registrados naquela mesa. Nesses casos, o órgão realiza audiências de recontagem e emite uma nova decisão sobre os votos. 

Acabou? Ainda não. Depois disso, a decisão pode ser contestada pelos partidos políticos, que investigam possíveis irregularidades na contagem. Essas contestações são avaliadas pelo JNE, que pode determinar novas recontagens. Fraudes podem ser denunciadas, o que, muitas vezes, muda o rumo das eleições. 

É justamente por isso que, apesar de mais de 96% das urnas já terem sido contabilizadas nas eleições de 2026, o resultado ainda não foi anunciado e provavelmente levará mais alguns dias (ou semanas). No primeiro turno, mais de um milhão de votos passaram por processos de recontagem.

Até agora, as eleições estão acirradas, e alguns milhares – ou até centenas – de votos podem ser decisivos para definir quem será o(a) próximo(a) presidente do Peru. Os números variam constantemente à medida que novas urnas são contabilizadas; por isso, é melhor não se apegar a eles por enquanto.

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Das últimas eleições para cá

Nas eleições de 2021, o segundo turno foi disputado entre o esquerdista Pedro Castillo e Keiko Fujimori, a mesma política que concorre nas eleições deste ano. Após uma disputa apertada, Castillo venceu com 50,2% dos votos, uma vantagem muito apertada.

Pouco mais de um ano depois, em dezembro de 2022, Castillo tentou dissolver o Congresso Nacional – uma tentativa de golpe de Estado. Ele sofreu impeachment imediatamente e permanece preso até hoje.

Após sua saída, a presidência foi assumida pela vice-presidente Dina Boluarte, que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo no Peru. Seu mandato foi marcado por protestos e forte desaprovação popular. Em outubro de 2025, ela foi destituída sob acusações de corrupção.

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Quem assumiu em seguida foi José Jeri, então presidente do Congresso. Quatro meses depois, no começo de 2026, ele também deixou o cargo após um escândalo envolvendo reuniões sigilosas com um empresário chinês.

Pela linha sucessória, a presidência deveria passar ao presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, que recusou a função. O Congresso então realizou uma votação e escolheu José Zelada como presidente interino até a realização das eleições de 2026.

Outros países com processos eleitorais lentos

A lentidão na apuração peruana não é um fenômeno isolado. Diversos países também enfrentam processos demorados de contagem de votos. O Brasil, felizmente, não está nessa lista. Com as urnas eletrônicas, os votos costumam ser apurados em poucas horas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a contagem é conduzida individualmente por cada estado, que possui regras próprias. Eles possuem um prazo de duas a quatro semanas para realizar a contagem. Depois disso, no caso das eleições presidenciais, ainda há uma reunião dos delegados que define, oficialmente, o novo presidente.

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Já a Índia, com mais de 1 bilhão de habitantes, realiza as maiores eleições do mundo. O período de votação pode se estender por mais de um mês, e a apuração costuma durar vários dias. Nas eleições de 2024, por exemplo, o processo de votação se estendeu por 44 dias.

 

 

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.