Por que algumas pessoas ficam vermelhas quando bebem?
Isso acontece principalmente devido ao acúmulo de acetaldeído, uma substância tóxica que é produzida durante o metabolismo do álcool.
Quando você coloca uma cervejinha para dentro, seu fígado começa a trabalhar para digerir o álcool. O primeiro passo é transformá-lo em acetaldeído. Aí, uma enzima chamada ALDH2 entra em ação imediatamente e transforma esse acetaldeído em acetato, que é inofensivo e eliminado pelo corpo.
Quando você se empolga e bebe em uma velocidade maior do que a que seu fígado consegue processar, o acetaldeído começa a se acumular no sangue. O corpo vê esse acúmulo como um tipo de ataque de toxinas e desencadeia uma resposta imune que libera histamina (a mesma substância envolvida nas reações alérgicas) na corrente sanguínea.
Tanto o acetaldeído quanto a histamina provocam vasodilatação, ou seja, fazem com que os vasos sanguíneos se relaxem e fiquem mais largos. Como a pele do rosto é cheia de pequenos vasos sanguíneos muito próximos da superfície, a dilatação faz com que um volume muito maior de sangue corra por ali de repente. Entra em cena o rubor facial, que deixa o rosto quente e costuma denunciar o consumo da bebida.
Algumas pessoas – especialmente do leste asiático – carregam uma variante genética chamada ALDH2*2, que reduz consideravelmente a atividade da enzima que “tira” o acetaldeído do sangue.
Por isso, nelas o rubor chega mais rápido, é mais intenso e pode se espalhar por todo o corpo. Elas enfrentam também outros sintomas que podem ser graves, como aceleração dos batimentos cardíacos, dores de cabeça e enjoo.
Esse é o caso de algo entre um terço e metade das pessoas etnicamente chinesas, japonesas e coreanas – o que corresponde a 540 milhões de pessoas e 8% da população mundial (1).
Quando combinada com o consumo regular de álcool, a variante genética também está relacionada a alterações cardiovasculares e metabólicas e a riscos significativamente maiores de câncer, especialmente de esôfago, cabeça e pescoço.
“A vermelhidão facial após o consumo de álcool não deve ser encarada apenas como uma reação ‘peculiar’, mas como um possível sinal biológico de maior vulnerabilidade aos efeitos tóxicos do álcool”, explica Gustavo Pereira, hepatologista e presidente do Grupo de Fígado do Rio de Janeiro (GFRJ). “É sempre bom lembrar que não existe dose segura de álcool segundo a Organização Mundial de Saúde.”
Pergunta de Evelin Morais, de Cláudio (MG).
Fonte: artigo “The alcohol flushing response: an unrecognized risk factor for esophageal cancer from alcohol consumption”.
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