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Curiosidades

Pele humana impressa em laboratório brasileiro reproduz efeitos da menopausa e ajuda a testar cosméticos

Pele humana sendo produzida por uma impressora pode parecer coisa de ficção científica. Mas essa tecnologia já faz parte da rotina de alguns laboratórios de pesquisa, incluindo no Brasil.

No Centro de Inovação da Avon, em Cajamar (SP), pesquisadoras usam a chamada bioimpressão para criar pequenos modelos de pele. O processo combina células humanas cultivadas em laboratório com colágeno, formando camadas semelhantes às do tecido natural.

Esses modelos ajudam a estudar como a pele reage em diferentes condições – e, no caso da Avon, especialmente na menopausa.

Essa fase da vida marca a transição para o fim do período reprodutivo feminino e costuma acontecer entre os 45 e 55 anos. Os ovários reduzem a produção de hormônios como estrogênio e progesterona, e essa queda hormonal afeta vários órgãos – inclusive a pele, que tende a produzir menos colágeno e reter menos água. Muitas mulheres relatam ressecamento, perda de firmeza e maior sensibilidade.

Cientistas têm buscado entender melhor esse processo, enquanto a indústria de cosméticos quer atender esse público com ingredientes e produtos mais eficazes.

Na Avon, a impressora foi adquirida em 2018, e o grupo está há sete anos desenvolvendo um modelo de pele “não apenas envelhecida, mas menopausada”, diz Luciana Vasquez, gerente de pesquisa em pele da empresa, à Super.

“A projeção é de mais de 80 milhões de mulheres nessa condição no Brasil nos próximos dez anos. Estamos falando de muita gente. Mesmo assim, a maioria dos trabalhos científicos só estuda o envelhecimento, e não a menopausa em si. São queixas que não conhecemos. Queremos ter uma condição real de estudo para essa fatia da população”, acrescenta.

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Por que produzir pele?

Para que um cosmético chegue às prateleiras, ele precisa passar por uma série de testes que avaliam segurança e eficácia.

Primeiro vêm os estudos em laboratório. Durante décadas, a etapa seguinte envolveu experimentos em animais. Só depois os produtos seguiam para testes com voluntários humanos.

Nos últimos anos, porém, essa etapa intermediária vem sendo substituída por métodos alternativos. No Brasil, o uso de animais para testes de cosméticos foi proibido em julho de 2025. Modelos de pele cultivada em laboratório – como os produzidos por bioimpressão – surgem como uma dessas alternativas.

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Além de dispensar os bichos, esses modelos permitem observar a reação da pele humana em condições controladas. Isso ajuda a reduzir interferências comuns nos estudos com pessoas, como alimentação, sono, exposição ao sol ou diferenças genéticas, e torna os experimentos mais fáceis de repetir e comparar.

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Exemplo de pele bioimpressa pela equipe da Avon.Avon/Divulgação

Como ela é feita?

Tudo começa com células humanas obtidas por doação. Elas vêm de bancos formados a partir de fragmentos de pele retirados em cirurgias plásticas no Brasil e que seriam descartados.

Os doadores, de diferentes tons de pele, autorizam o uso para pesquisa científica em protocolos aprovados por comitês de ética.

No laboratório, os pesquisadores isolam dois tipos principais de células: os fibroblastos, responsáveis por produzir colágeno e formar a parte mais profunda da pele, e os queratinócitos, que compõem a camada externa.

Essas células são cultivadas em incubadoras até se multiplicarem o suficiente para os experimentos. Lá dentro, temperatura, oxigênio e gás carbônico são mantidos em níveis semelhantes aos do nosso corpo.

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Quando as culturas estão prontas, começa a etapa da bioimpressão. Como mencionado, o processo usa uma mistura chamada biotinta, formada por colágeno e células humanas.

Essa mistura é colocada em uma seringa acoplada à impressora, que deposita o material em camadas microscópicas dentro de um pequeno suporte.

Primeiro se forma a derme, a região mais profunda. Em seguida surge a epiderme, a camada superficial. Depois de impressa, a estrutura ainda precisa amadurecer. O tecido passa alguns dias em incubadoras até que as células se organizem e formem uma camada estável.

O resultado é um pequeno disco de pele com mais ou menos o tamanho de uma lente de contato e que, como ressalta Luciana, “não é artificial, é de verdade”. Confira:

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Para simular a menopausa, os pesquisadores reduzem a concentração de hormônios (principalmente estrogênio) presentes no ambiente onde o tecido cresce.

Em pouco mais de um mês, o modelo passa a apresentar alterações semelhantes às observadas na pele de mulheres nessa etapa da vida: menor produção de colágeno, maior flacidez e ressecamento. “É aquilo que muitas voluntárias descrevem como a pele ‘derretendo’ nessa fase”, diz Luciana.

Depois de pronto, o tecido pode ser usado para testar ingredientes ou formulações cosméticas. Os produtos são aplicados na superfície e os cientistas analisam como as células respondem.

As amostras também podem ser cortadas para análise microscópica ou ter o material genético examinado. Assim, os pesquisadores conseguem acompanhar como genes se ativam, como proteínas são produzidas e como a estrutura da pele muda quando os hormônios diminuem.

Ainda não há um produto final derivado diretamente dessa tecnologia. A pele bioimpressa faz parte de uma fase de pesquisa, usada para estudar a menopausa e desenvolver ingredientes e soluções voltadas a esse público. 

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Segundo a Avon, os projetos ainda estão em estágio inicial, mas a expectativa é que resultados mais concretos possam surgir nos próximos meses ou anos.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.