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Curiosidades

Papagaio com deficiência vira macho alfa ao criar técnica inédita de luta

Um papagaio da Nova Zelândia está desafiando uma das regras mais básicas da natureza: em disputas entre animais, quem tem o corpo mais forte ou as “armas” mais eficientes costuma vencer. 

Bruce não se encaixa nesse padrão. O papagaio não tem a parte superior do bico – uma deficiência que deveria colocá-lo em grande desvantagem. Ainda assim, tornou-se o macho dominante do seu grupo.

A história chamou atenção de cientistas e virou tema de um estudo publicado na revista Current Biology. Segundo os pesquisadores, Bruce é provavelmente o primeiro caso documentado de um animal com deficiência física que conseguiu alcançar e manter sozinho o status de macho alfa, graças a uma inovação comportamental.

Bruce é um kea, espécie de papagaio alpino nativo da Nova Zelândia. Esses animais são famosos pela inteligência e pela curiosidade quase travessa. Vivem em grupos chamados de “circos” – um nome que combina com a personalidade brincalhona da espécie.

O papagaio mora hoje na Reserva de Vida Selvagem Willowbank, perto da cidade de Christchurch, com outros 11 keas. Antes de chegar ali, ele viveu circunstâncias bem mais difíceis.

Em 2013, Bruce foi encontrado sem a parte superior do bico. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu. Ferimentos assim podem surgir após ataques de predadores ou acidentes. 

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Como o bico é uma das ferramentas mais importantes para um papagaio – usado para escalar, manipular objetos, abrir alimentos e se defender – os pesquisadores acreditaram que ele dificilmente sobreviveria na natureza. Por isso, foi levado para o viveiro de Willowbank.

No início, Bruce era tão pequeno que os tratadores pensaram que se tratava de uma fêmea e o chamaram de Kati. Posteriormente, um teste genético mostrou que era, na verdade, um macho. Com o tempo, ficou claro que Bruce não apenas sobreviveria, como também prosperaria.

Os cientistas começaram a estudar mais de perto a dinâmica social do grupo. O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, em colaboração com o Institut de Neurociències da Universitat Autònoma de Barcelona. 

Durante meses, os pesquisadores registraram brigas, disputas por comida e momentos de limpeza das penas entre as aves. Também coletaram fezes para medir níveis de corticosterona, um hormônio associado ao estresse.

No total, foram documentadas 227 interações agressivas entre os 12 papagaios do grupo (nove machos e três fêmeas). Dessas, 162 ocorreram entre machos. Bruce participou de 36 disputas, e venceu todas.

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Isso confirmou o que os pesquisadores já suspeitavam ao observar o comportamento do grupo: Bruce havia se estabelecido como macho alfa. No viveiro, ele tinha prioridade nos comedouros e costumava escolher primeiro o que comer. Os outros papagaios esperavam até que ele terminasse.

Além disso, machos subordinados frequentemente limpavam seu bico durante sessões de cuidado social – algo incomum entre machos da espécie.

O papagaio dominante também parecia o menos estressado. A análise hormonal mostrou que Bruce tinha os níveis mais baixos de corticosterona entre todas as aves do grupo. 

Segundo Alexander Grabham, pesquisador da Universidade de Canterbury e primeiro autor do estudo, isso pode acontecer porque sua posição é tão consolidada que ele quase não precisa lutar para mantê-la. “Ele sabe que não será seguido, espancado, intimidado ou perseguido”, disse ao site Science News.

Arma improvável

Como um animal sem parte do bico conseguiu dominar adversários? A resposta está em uma estratégia inédita.

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Nas disputas entre keas, o comportamento mais comum é morder o pescoço ou o corpo do oponente com o bico. Bruce obviamente não consegue fazer isso. Sem a parte superior do órgão, ele é incapaz de prender ou esmagar a outra ave.

Em vez disso, o papagaio desenvolveu um estilo de combate completamente diferente. Os pesquisadores apelidaram a técnica de “justa”, em referência aos torneios medievais em que cavaleiros se chocavam com lanças.

Bruce usa a parte inferior do bico, que ficou exposta e mais pontuda após a perda da parte superior, como se fosse uma espécie de lança. Em confrontos de curta distância, ele estica o pescoço e golpeia o adversário diretamente. Em outras situações, corre ou salta em direção ao rival e se projeta com tanta força que quase perde o equilíbrio depois do impacto.

Bruce usando seu bico inferior para duelar com outros keas.Xemina Nelson/Divulgação

Os golpes podem atingir diferentes partes do corpo: cabeça, costas, asas ou pernas. No estudo, os cientistas observaram que Bruce usava o bico cinco vezes mais do que outros keas durante confrontos.

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A técnica funciona porque os outros papagaios simplesmente não conseguem imitá-la. Nos indivíduos com o bico intacto, a parte superior se curva sobre a inferior. Isso impede que o bico funcione como uma ponta rígida capaz de perfurar ou empurrar o adversário.

Em cerca de 73% das vezes, essa investida fazia o oponente recuar imediatamente – um índice bem maior do que quando Bruce tentava estabelecer dominância usando chutes, outro comportamento comum entre keas.

“Por causa de sua deficiência, ele teve que inovar em seus comportamentos. Ele encontrou uma maneira de se tornar mais perigoso”, disse Ximena Nelson, autora do estudo, à Scientific American.

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Essa criatividade não aparece apenas nas brigas. Para se limpar, por exemplo, ele seleciona pequenas pedras no chão do viveiro e as segura entre a língua e o bico inferior para esfregar as penas. Esse comportamento é considerado o primeiro caso registrado de uso de ferramentas de autocuidado em um kea.

Na hora de comer, ele também recorre à criatividade. Em vez de triturar os alimentos com o bico, Bruce usa superfícies ao redor – como pedras, postes da cerca e até os pés de visitantes – para esmagar a comida até formar uma pasta que possa engolir.

A capacidade de resolver problemas não surpreende os pesquisadores. Keas estão entre as aves mais inteligentes do planeta e frequentemente são comparados a primatas em testes de cognição. Na natureza, precisam descobrir alimentos escondidos no solo ou dentro de troncos apodrecidos, o que exige exploração e experimentação constantes.

O caso de Bruce, porém, levanta uma questão interessante sobre como animais lidam com limitações físicas.

“Bruce nos mostra que a inovação comportamental pode ajudar a contornar a deficiência física, pelo menos em espécies com a flexibilidade cognitiva necessária para desenvolver novas soluções”, disse Grabham em comunicado.

O exemplo também sugere cautela quando humanos tentam “corrigir” deficiências em animais. Próteses ou intervenções bem-intencionadas nem sempre são a melhor solução. Em alguns casos, o próprio animal pode encontrar estratégias eficazes para lidar com a limitação.

Isso não significa que Bruce teria o mesmo destino na natureza. Fora do ambiente protegido do viveiro, um papagaio sem parte do bico provavelmente enfrentaria dificuldades para competir por alimento ou escapar de predadores. Ainda assim, sua história revela informações importantes sobre a capacidade de adaptação no mundo animal.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.