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Curiosidades

Os EUA enterraram uma cápsula do tempo que só será aberta daqui a 250 anos. Veja o que há dentro

Se daqui a 250 anos alguém quisesse entender como eram os Estados Unidos de 2026, por onde começaria? Talvez por um smartphone. Ou por um osso de baleia. Quem sabe por uma previsão escrita por inteligência artificial ou uma garrafa de Coca-Cola transformada em cápsula de lembranças.

Esses são alguns dos mais de 200 objetos enterrados neste sábado (4) sob o Parque Histórico Nacional da Independência, na Filadélfia, como parte das comemorações dos 250 anos da independência norte-americana. 

Todos eles foram colocados dentro da chamada Cápsula do Tempo da América, um recipiente projetado para permanecer fechado até 4 de julho de 2276, quando o país completará meio milênio de existência. A proposta não é guardar tesouros valiosos, mas registrar como os norte-americanos escolheram representar a si mesmos para pessoas que viverão dez gerações no futuro.

A iniciativa faz parte da America250, comissão criada pelo Congresso em 2016 para organizar as celebrações do semiquincentenário da assinatura da Declaração de Independência. 

A própria lei que instituiu o programa determinou que fosse criada uma cápsula do tempo nacional, abastecida com contribuições dos 50 estados, de Washington, D.C., dos cinco territórios norte-americanos, dos três Poderes da República e de instituições parceiras.

Mas como decidir o que merece ser preservado? Cada estado ficou responsável por responder isso à sua maneira. Não havia uma lista de objetos obrigatórios nem um modelo a seguir. O resultado foi um retrato bastante diverso do país.

O que há dentro da cápsula?

Muitos estados apostaram em cartas, poemas e documentos oficiais. Outros preferiram objetos ligados à própria identidade. 

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O Arkansas enviou um diamante encontrado no Parque Estadual Crater of Diamonds; o Maine escolheu um osso de baleia-franca-do-atlântico-norte, espécie criticamente ameaçada de extinção; Ohio incluiu um pedaço do tecido utilizado pelos irmãos Wright em seu voo de 1903; já as Ilhas Marianas do Norte contribuíram com colares tradicionais da cultura local.

A Califórnia, por outro lado, enviou um chip de computação quântica desenvolvido pela Universidade da Califórnia em Berkeley, um supercondutor utilizado em pesquisas sobre fusão nuclear e a resposta produzida pelo sistema de inteligência artificial Claude para a pergunta “Como será a Califórnia daqui a 250 anos?”. 

Na previsão, o estado deixa de fazer parte dos Estados Unidos, as rodovias desaparecem e os ursos-pardos voltam a habitar a região. Mas não importa se a previsão estará certa ou não. O objetivo é preservar um registro de como uma inteligência artificial imaginava o futuro em 2026.

Sarah Reeves, especialista em exposições do NIST, coloca itens na cápsula do tempo America250.Rich Press / National Institute of Standards and Technology – NIST/Divulgação

A própria America250 também selecionou alguns objetos para representar o país como um todo. Um deles é um iPhone 17 Pro Max, escolhido como símbolo da tecnologia de consumo da década de 2020. 

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Outro reúne lembranças de grandes ligas esportivas norte-americanas, como uma moeda comemorativa dos playoffs da NFL, uma fotografia do campeão do PGA Tour de 2026 e a escalação da partida de abertura da temporada da MLB entre Phillies e Rangers

Há ainda uma garrafa de vidro da Coca-Cola contendo uma cópia da partitura de I’d Like to Buy America a Coke, campanha publicitária que se tornou um dos jingles mais conhecidos da história da empresa.

Já a Biblioteca do Congresso contribuiu com um pequeno recipiente metálico, do tamanho aproximado de uma borracha de lápis, que guarda informações em DNA sintético. Em vez de armazenar arquivos em discos rígidos ou servidores, pesquisadores codificaram moléculas artificiais de DNA com versões digitais de alguns dos documentos mais importantes do acervo da instituição. 

Entre eles estão um rascunho da Declaração de Independência anotado por Thomas Jefferson, a letra manuscrita de The Star-Spangled Banner, uma gravação da música feita em 1898, uma reconstrução tridimensional da mão de Abraham Lincoln e outros documentos históricos digitalizados. 

Para os responsáveis, a ausência de um padrão tornou a coleção especial. Segundo Michael Berilla, líder do projeto, as cápsulas do tempo são “uma forma de compartilhar identidade, de mostrar o que era importante e valorizado. Você só pode escolher alguns objetos, então precisa pensar: ‘o que realmente te representa?’”, disse ao The New York Times.

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Antes de lacrar definitivamente o cilindro, Berilla colocou lá dentro uma carta escrita em nome de toda a equipe responsável pela construção da cápsula. Ela será provavelmente o primeiro documento lido quando o recipiente voltar à superfície.

“Saudações dos corações e mãos vivos de 2026”, começa a mensagem. Mais adiante, ele escreve: “Há muito tempo teremos retornado ao pó, mas nossa devoção, orgulho e esperança inabalável no que nosso mundo poderia se tornar estão vivos aqui dentro deste aço. Construímos isto para vocês.”

Ultrarresistente

Depois de decidir quais lembranças representariam os Estados Unidos de 2026, era preciso garantir que elas realmente chegassem intactas ao ano de 2276. 

Foi aí que começou um problema de engenharia bastante diferente: criar um recipiente capaz de permanecer enterrado durante dois séculos e meio sem deixar que água, oxigênio ou variações ambientais destruíssem seu conteúdo.

A tarefa ficou a cargo de pesquisadores do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), órgão do governo norte-americano responsável por desenvolver padrões de medição e tecnologias de referência. 

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Eles trabalharam em conjunto com especialistas da Biblioteca do Congresso, que definiram quais materiais poderiam ser armazenados com segurança, e do Serviço Nacional de Parques, responsável pela instalação e futura abertura da cápsula.

Homem de óculos e camisa azul, de costas, usando um computador Dell com um software de design 3D exibindo um cilindro transparente com partes internas azuis e roxas. A mesa tem teclado, mouse, alto-falante, telefone e porta-canetas.
Jay Nanninga, engenheiro do NIST, analisando um modelo 3D da cápsula.National Institute of Standards and Technology – NIST/Divulgação

O maior inimigo de uma cápsula do tempo não é o passar dos anos, mas a água. Basta um pequeno vazamento para que papel, tecido, metais e outros materiais comecem a se deteriorar lentamente. Por isso, praticamente todas as decisões de projeto tiveram como objetivo impedir que a umidade chegasse aos objetos.

O primeiro passo foi abandonar o formato clássico de caixa. Em vez de um recipiente com cantos e quinas, os engenheiros construíram um cilindro maciço de aço inoxidável com 408 kg. Segundo o NIST, superfícies arredondadas apresentam menos pontos suscetíveis a rachaduras e corrosão ao longo do tempo.

Para a vedação, foi colocado um fio de índio (um metal extremamente macio) entre a tampa e o corpo da cápsula. Quando os 43 parafusos da tampa são apertados, o material se deforma e preenche até imperfeições microscópicas na superfície do aço, formando uma vedação completamente hermética.

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Mesmo assim, os engenheiros decidiram acrescentar uma segunda camada de proteção. Depois de enterrada, a cápsula foi coberta por uma redoma de aço inoxidável de 499 kg. 

A estrutura aprisiona uma bolsa de ar ao redor do recipiente. Se a água do solo tentar penetrar no sistema, essa bolha aumenta a pressão interna e dificulta sua entrada, funcionando como uma barreira adicional contra infiltrações.

O ambiente dentro da cápsula também foi cuidadosamente planejado. Antes da selagem, todos os objetos permaneceram por pelo menos 48 horas em uma câmara mantida a 23 °C e 35% de umidade relativa do ar. O objetivo era que exatamente esse ar fosse aprisionado no interior do recipiente e permanecesse praticamente inalterado durante os próximos 250 anos.

A profundidade escolhida para o enterro também faz parte dessa estratégia. A cápsula foi instalada abaixo da chamada linha de congelamento, camada do solo onde a temperatura permanece praticamente constante ao longo do ano. Dessa forma, ela fica protegida das oscilações térmicas da superfície, além dos efeitos de tempestades e outros eventos climáticos.

Segundo Berilla, “Filadélfia teria que estar a dois metros debaixo d’água para que essa cápsula do tempo pudesse sequer ser molhável”, afirmou à Associated Press. “E se Filadélfia estiver a dois metros debaixo d’água, você tem problemas muito maiores no mundo.”

Nem todos os objetos sugeridos pelos estados, porém, conseguiram passar pelos critérios de preservação. A Biblioteca do Congresso analisou cada item antes de autorizar sua inclusão. Qualquer material que pudesse apodrecer, enferrujar ou reagir quimicamente com os demais foi descartado.

Foi o caso de um recipiente com o tradicional tempero Old Bay, enviado por Maryland. Embora seja um dos símbolos culinários do estado, ele acabou rejeitado porque materiais orgânicos poderiam se decompor e comprometer o restante da coleção. 

Mas como garantir que a cápsula não seja simplesmente esquecida por dois séculos e meio? Os organizadores também pensaram nisso. O Serviço Nacional de Parques registrou oficialmente sua existência nos planos permanentes de gestão do parque, que passam de uma administração para outra.

O ponto onde ela foi enterrada também será marcado por uma lápide. Assim, a expectativa é que a cápsula seja localizada e aberta em 4 de julho de 2276, quando os Estados Unidos celebrarão seus 500 anos de independência.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.