Lollapalooza: quantos países sediam o festival, e como ele se espalhou tanto?
O Lollapalooza Brasil 2026 ocorre nos dias 20, 21 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O festival reúne nomes nacionais e internacionais de diferentes gêneros musicais, como Sabrina Carpenter, Lewis Capaldi, Lorde, Negra Li, Deftones, Febre90s, Edson Gomes e Tyler, The Creator.
Esta é a 13ª edição em território nacional – mas nós não somos o único país que abriga o evento. O Lollapalooza é uma franquia global, que se consolidou como um dos maiores e mais famosos festivais do mundo. Ele acontece na Argentina (Buenos Aires), no Chile (Santiago), na Alemanha (Berlim), na França (Paris), na Índia (Mumbai), na Suécia (Estocolmo) e nos Estados Unidos (Chicago).
O festival ocorre todos os anos, mas não necessariamente em todos esses países. A edição de 2026, por exemplo, não acontece na França nem na Suécia, onde o festival está em pausa desde 2024.
O principal padrão, na verdade, é que o Lollapalooza acompanha as estações do ano de cada continente. Na América do Sul, ele acontece entre março e abril, quando já não há o calor escaldante do verão e o Carnaval já passou – mas também ainda não faz frio.
Já nos Estados Unidos, a data fica entre julho e agosto, aproveitando o verão. Na Europa, costuma acontecer entre julho e setembro, também no tempo quente. A Índia recebe o festival no inverno, em janeiro, justamente para evitar a temporada das monções, marcada por chuvas intensas.
O filme que inspirou o nome da banda Black Sabbath
Todos os países seguem uma mesma fórmula, com uma pegada alternativa e uma estrutura de parque de diversões com vários palcos. O que o diferencia de outros festivais é a combinação de artistas independentes com grandes nomes da música. Cada país tem sua própria programação, incluindo quase sempre artistas locais.
Ainda assim, alguns headliners (os artistas mais conhecidos do evento) costumam se repetir. Na América Latina, eles são praticamente os mesmos – e, este ano, muitos também aparecem nas edições de Berlim e Chicago, como Lorde e Lewis Capaldi.
Como o Lollapalooza foi criado
Esse império de Lollapaloozas pelo mundo remonta aos anos 1990, quando a banda de rock Jane’s Addiction fazia sua turnê de despedida. O nome da tour? Lollapalooza, uma palavra que significa algo extraordinário, fora do comum, refletindo a proposta de fazer shows diferentes da cena mainstream do rock da época.
Há também outro significado: “pirulito gigante que gira”, o que encantou ainda mais Perry Farrell, vocalista da banda.
A ideia do Jane’s Addiction era dizer o último adeus em grande estilo, com 28 shows nos Estados Unidos e no Canadá. Mais do que isso, eles convidaram outros artistas alternativos para dividir o palco, como o rapper Ice-T e bandas como Siouxsie and the Banshees e Nine Inch Nails. Era praticamente um festival, com espaço até para performances não musicais, como apresentações circenses.
A sequência de shows fez grande sucesso, e foi aí que surgiu a ideia de Farrell: que tal transformar o Lollapalooza em um festival propriamente dito?
Após o fim da banda, em 1991, ele seguiu com o evento, sendo o principal produtor. O festival era itinerante, ou seja, cada edição acontecia em um lugar diferente. As datas também variavam.
O Lolla (apelido carinhoso do evento) foi crescendo: ganhou três palcos e era um verdadeiro polo cultural e de moda alternativa, com cabines de piercing e tatuagem. Os shows eram recheados de rodas punk e era comum que artistas se jogassem na plateia.
O foco inicial era em bandas alternativas, como Red Hot Chili Peppers, Smashing Pumpkins e Ramones, e o evento teve papel importante na popularização de vários desses artistas.
Em 1996, o Lollapalooza convidou o Metallica para tocar, e isso se mostrou uma péssima ideia. O público, que buscava artistas alternativos, reagiu mal à presença de uma banda popular, além de criticar o aumento nos preços de ingressos e alimentação.
A partir daí, perto da virada para os anos 2000, as coisas começaram a azedar. O rock perdia força, e sua cena alternativa ainda mais. Sem conseguir encontrar headliners que representassem a identidade do evento, o festival foi cancelado em 1998.
Surpresa: estamos de volta!
O Lollapalooza voltou em 2003, tentando retomar o formato de turnê do Jane’s Addiction, que também havia retornado. A ideia não teve grande sucesso comercial, novamente por conta dos preços elevados. Em 2004, o festival foi cancelado mais uma vez.
Foi então que o evento passou por uma reformulação estratégica, vendo a necessidade de um modelo mais comercial. Farrell vendeu parte do festival para uma produtora.
Em 2005, veio o comeback definitivo: Chicago foi escolhida como sede fixa, posição que mantém até hoje, e o evento reuniu mais de 60 mil pessoas. A partir daí, passou a acontecer anualmente no mesmo local, com uma curadoria mais ampla de gêneros musicais, indo além do rock e abrindo espaço para artistas mais populares.
Agora, o projeto vendia uma estética alternativa, e não necessariamente uma música totalmente alternativa. Essa essência se consolidou com o público estadunidense. Hoje em dia, a edição do festival de Chicago costuma reunir cerca de 400 mil pessoas.
Assim, eles deram um passo ousado e decidiram expandir o Lollapalooza para outros países. Eles começaram com a América Latina. A estreia aconteceu em 2011, no Chile, seguida pelo Brasil, em 2012, e pela Argentina, em 2014.
O primeiro Lolla no Brasil foi realizado no Jockey Club, em um espaço bem menor que o atual Autódromo de Interlagos. O line-up incluía Foo Fighters, Arctic Monkeys, Jane’s Addiction e outros nomes.
O sucesso abriu caminho para a expansão na Europa: Alemanha em 2015, França em 2017 e Suécia em 2019. A Índia entrou na rota em 2023.
Lollapalooza em números
No Brasil, o evento já faz parte do calendário cultural de São Paulo e costuma reunir mais de 200 mil pessoas ao longo dos três dias. Isso gera uma movimentação econômica significativa na cidade, impulsionando setores como gastronomia, hotelaria e comércio, além de criar empregos.
O Lolla Brasil 2023 bateu recorde de público, com 302 mil pessoas. Ao todo, o festival movimentou R$ 931,1 milhões na economia, segundo relatório oficial.
Já o Lollapalooza Argentina 2026 reuniu cerca de 300 mil pessoas, enquanto o Chile recebeu aproximadamente 240 mil. Esses valores são maiores do que a população de muitas cidades.
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