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Curiosidades

Internet à moda antiga: 53 links para começar a surfar pela indie web

Aviso: esse conteúdo é um anexo à matéria Internet à moda antiga: conheça a indie web, onde as pessoas ainda fazem seus próprios sites, da edição 490 da Super. Vale passar por lá antes de conferir os links daqui.

A internet existe desde a década de 1960, mas só começou a ganhar a carinha que nós conhecemos hoje na década de 1990, com a invenção da web. Elas não são a mesma coisa: a web é um protocolo que une páginas que, antes, ficavam soltas e desconectadas por aí. Ela foi criada pelo físico Tim Berners-Lee entre 1989 e 1991, e é baseada em ferramentas que usamos até hoje, como o HTML, CSS e o http (ou https) que vem no início dos sites.

Em inglês, web significa algo como “teia” ou “rede”, já que a ideia é unir sites diferentes. Por isso mesmo, os links – que, vale lembrar, em inglês significam “elos” – são toda a estrutura da web, o seu esqueleto e, para alguns autores, até sua alma. 

“Compartilhar links, atuando como um ponto de conexão, era o dever, a razão ou uma desculpa para estar online. Talvez você não seja especialista em nada, não seja fã de ninguém, mas pode compartilhar links com outras pessoas, e esse é um papel nobre”, diz a artista digital e pesquisadora Olia Lialina, em seu ensaio From my to me.

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Essa história é contada com mais detalhes na matéria principal. Aqui, neste anexo, reunimos alguns links para quem quer se aprofundar nos assuntos mencionados por lá. 

Aviso: muitos dos conteúdos aqui linkados são em inglês, mas isso não deve te impedir de acessá-los. Hoje já existem muitas formas de tradução automática. Pelo computador, clique com o botão direito em algum lugar da página e busque pela opção “traduzir para português”, que está presente na maioria dos navegadores. A função também existe em navegadores mobile, para celulares e tablets, mas fica localizada em outros menus. 

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A tradução automática não é a melhor do mundo – mas, quem sabe, em algum destes 53 links está algo que você vai amar, estudar, que vai mudar sua vida? Só explorando para saber. Boa diversão!

Sites mencionados na matéria

  • The World Wide Web project – o primeiro site do mundo, criado pelo físico inglês Tim Berners-Lee para o laboratório suiço CERN. Ainda funciona direitinho, com a mesma cara que tinha em 1991. 
  • Sites pessoais dos entrevistados: Ana Rodrigues, desenvolvedora de software e organizadora da IndieWeb; André Lemos, professor da Universidade Federal da Bahia; Daniel Kossmann, gerente de produto de IA e criador de conteúdo; Daniel/Melon King, programador e artista digital; Rodrigo Ghedin, jornalista e editor do blog Manual do Usuário; Sérgio Spagnuolo, diretor e cofundador do Núcleo Jornalismo; Vinicius Garcia, desenvolvedor de jogos e doutorando em inteligência artificial. 
  • O texto de Tim Berners-Lee sobre os 35 anos da web – nele, o criador da web revisita a origem e a motivação da web e avalia o cenário atual de concentração de poder digital. É uma leitura interessante pela autoridade de Berners-Lee, mas não deixa de chamar a atenção a escolha de publicá-lo numa plataforma particular, e não em um site próprio na web. 
  • Arquivo das vizinhanças do GeoCities – passeie por Hollywood para ver as discussões sobre cinema e TV, e WallStreet para investimentos e finanças. Tudo comicamente datado em algumas décadas, é claro. 
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Tutoriais

  • Wiki da Comunidade 32-bit Cafe – talvez o mais completo diretório com centenas, se não milhares, de tutoriais para tudo que pode ser necessário para ter o seu próprio site, inclusive muitas dicas de design e arte. Dica: no Windows, use Ctrl+F para pesquisar o termo específico que você procura na página.
  • Começando na indie web – há um montão de habilidades que podem ser desenvolvidas conforme você monta o seu site. No começo, isso pode parecer desorientante. Nesse compilado feito pelo site MelonLand (que será mencionado muitas vezes nessa lista!), você encontra um índice de recursos que vão desde o nível mais básico até as habilidades avançadas. São menos opções do que a Wiki do 32-bit Cafe, mas elas são mais selecionadas. Experimente também o formato book, que permite exibir as abas dos outros sites linkados de uma vez só, sem abrir novas abas continuamente.
  • Neocities – além de hospedar sites, a plataforma também tem tutoriais simples e interativos de HTML e CSS para aprender os comandos básicos para programar seu próprio site. É fácil mesmo, parece um joguinho. 

Para saber mais

  • Site do movimento IndieWeb – o site funciona como uma wiki: um fórum em que dá para pular de página em página para encontrar respostas e discussões sobre temas relacionados ao movimento.
  • Chat do IndieWeb – um recurso ao vivo para tirar dúvidas. Os chats são em inglês e podem ser acessados pela web, pelo Slack e pelo Discord. Aspas ana
  • Lista de manifestos da indie web – o compilado feito pelo Daniel, mais conhecido como Melon King, reúne dezenas de manifestos pela web. Inspiração garantida.

Sites inspiradores

  • CSS Zen Garden – um projeto iniciado em 2003 que desafia qualquer pessoa a usar CSS para criar sua versão de um site com base no mesmíssimo código HTML. É um jeito legal de ver como o CSS vai muito além de uma “roupinha” para o site e pode mudar a vibe completamente. Dica: navegue pela página que reúne todos os designs (são mais de 200). 
  • The Vinizone – o site do brasileiro Vinicius Garcia já foi linkado lá em cima mas merece uma menção honrosa pelo conteúdo que tem tudo a ver com a Super. Talvez, até, você já o conheça pelo Bolsodex, que traduziu o nome dos Pokémons para português e produziu pérolas como a tradução de psyduck para psicopato. Explore por sua conta, mas não deixe de conferir o Portal dos CD-ROMs, que arquiva jogos antigos de CD-ROMs, o “tradutor” de nomes brasileiros e coreanos. Aliás, o texto que iniciou toda a pauta sobre a indie web foi uma longa exploraçaõ estatística e engraçadinha sobre o tamanho padrão das risadas “kkkk” na internet. Vale a leitura.
  • Duda Eletrohits – um site em português para todos os que morrem de nostalgia da época do Summer Eletrohits e do Free Step. Mas tem muita coisa escondida nesse site – até um simulador de DVD para ver detalhados reviews de novelas. Ele é todo interativo e diferentão. 
  • Cameron’s World – talvez o site mais caótico dessa lista. O Cameron’s World é um projeto de colagem digital que reúne a versão arquivada de centenas de sites que existiram no falecido GeoCities – que fechou em 2009, levando embora 38 milhões de sites. Para encontrar alguns deles, basta sair clicando nos gifs animados. Mas vá avisado: há sites de todos os tipos, e alguns podem ter conteúdo sensível.
  • Caramel Fevers – esse site lindo, descoberto pelas empolgadas designers Caroline Aranha e Cristielle Luise, foi o queridinho da equipe por alguns dias. Ele é um ótimo exemplo das incontáveis possibilidades da web – quase esquecidas em tempos da estética pasteurizada dos feeds das big techs. Não tem como explicar, só navegando para entender. 
  • Oopsie Doodle – outro favorito das designers, esse site reúne vários tipos de recursos visuais em uma estética bem própria dos anos 2000. A dona também o usa como um repositório de seus projetos de design e de crochê. É uma graça. 
  • Korenara – Essa é outra indicação da Cristielle: o site tem um diário, playlists, um chat ao vivo público, e muitas coisas clicáveis inusitadas. Deu para perceber que nossas designers curtem os sites mais malucos? 
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Diretórios de sites

  • Lerama – agregador de sites e newsletters brasileiras feito pelo site Manual do Usuário. Experimente também o modo “Rolêrama”, que permite surfar entre sites e o modo aleatório, que abre uma nova aba com um texto qualquer. 
  • Cantinho brasileiro do Vinizinho – uma lista de sites pessoais inspirados na web antiga e feitos por brasileiros. Não há um agrupamento temático. Descubra.  
  • Neocities – nessa aba de browse, dá para navegar por sites hospedados na plataforma e buscar por termos específicos. Você pode brincar com os filtros para ver os sites atualizados mais recentemente, ou mais antigos, ou mesmo os com mais visualizações. 
  • Ooh directory – um diretor de sites divididos por temática, em inglês. Tem muita coisa legal, mas a navegação não é tão estimulante: não há miniaturas dos sites para guiar uma escolha visual.
  • Surf Club do MelonLand – um webring que reúne mais de 1.600 sites em inglês, divididos por “guildas”, que funcionam como grupos temáticos para agrupar sites. Alguns exemplos de guildas: fãs de Pokémon, fazedores de música, interessados em ciência e ativistas pelo retorno dos fóruns online
  • Plastic Dino – uma seleta tão aleatória quanto curiosa de sites. Um monte de coisa que você nem sabia que a internet fazia e que alguém precisava. Além das possíveis utilidades, o site pode servir de inspiração para o que o seu site pessoal pode ser: um arquivo de tudo de legal que você já encontrou por aí na web.

Ideias e recursos para o seu site

  • Blog Carnivals – um Carnival é como uma gincana temática: você se une a um grupo de pessoas que gostam de escrever sobre os mesmos temas, como matemática, escrita de ficção ou filmes. Periodicamente, alguém agirá como um anfitrião, escolhendo um tópico para que todos escrevam e debatam sobre isso. Não é obrigatório participar, mas pode ser um jeito legal de se inspirar.
  • GifCities – uma iniciativa sem fins lucrativos do projeto Internet Archive que permite pesquisar gifs arquivados dos sites do antigo Geocities. Vintage de verdade.
  • Animated Images – mais de 149 mil gifs animados separados por categoria, todos gratuitos e de uso livre. Só.
  • MoMG: GiF GALLeRY – um site feito pelo Melon King para encontrar e copiar gifs. Mas com a navegação oposta ao do Animated Images e do GifCities: em vez de selecionar por categoria, é preciso encontrar portas nas páginas e passar de quarto em quarto, cada um com um tema. Para quem não sabe inglês ou está cansado de palavras, é uma alternativa caótica a ser experienciada.
  • TextureTown – uma biblioteca de 3.800 texturas gratuitas para serem baixadas. É a cura do minimalismo passando pelo seu site.

Ensaios

  • From my to me [Do “meu” para “mim”], de Olia Lialina – um texto fantástico e indispensável para a reportagem. Uma elaboração sobre as mudanças da cibercultura nas últimas décadas, de forma acessível e lindamente ilustrada com quase 80 prints de sites antigos.
  • We Need To Rewild The Internet [Precisamos tornar a internet selvagem novamente], de Maria Farrel e Robin Berjon – um ensaio que compara a internet atual às monoculturas e culturas extrativistas, e usa lições da ecologia para propor mudanças para tornar a internet “selvagem” novamente. É um diálogo interessante com a matéria de capa da edição 488, sobre zoológicos
  • 75 reasons to start a personal website [75 razões para começar um site pessoal], de James – uma lista de argumentos e motivos para amar a liberdade dos sites pessoais.
  • Registros da palestra The web we want: A beginner’s guide to the IndieWeb [A web que queremos: um guia para iniciantes na IndieWeb], de Paul Robert Lloyd – uma apresentação acessível que retoma as origens da web e traz alguns conceitos e dicas importantes para entender a indie web. 
  • Autonomy Online: A Case For The IndieWeb [Autonomia online: um argumento a favor da IndieWeb], de Ana Rodrigues – um texto longo sobre a corporate web e a indie web, com uma porção de links úteis para se aprofundar tanto na parte teórica quanto na prática.
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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.