Aqui você encontra as informações mais interessantes e surpreendentes do mundo

Aqui você encontra as informações mais interessantes e surpreendentes do mundo

Curiosidades

Estudo aponta relação entre anticorpos e doenças neurológicas

Alzheimer, Parkinson e esclerose múlipla são doenças complexas, que envolvem vários fatores. E um deles, como mostrou um novo estudo (1) publicado por cientistas brasileiros, pode ser o próprio sistema imunológico: ele produz anticorpos capazes de entrar no cérebro e interferir na atividade dos neurotransmissores. Conversamos com Júlia Nakanishi Usuda (pesquisadora da USP) e Otávio Cabral-Marques (USP, UFRN e Instituto D’Or), dois dos autores do trabalho.

O estudo analisou o sangue de 596 pessoas com e sem Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla – e detectou “autoanticorpos” no cérebro das pessoas que tinham essas doenças. Qual a diferença entre anticorpos e autoanticorpos?
Júlia: A diferença é que os autoanticorpos são dirigidos contra as moléculas do nosso próprio organismo. Enquanto os anticorpos podem ser contra vírus, bactérias, infecções.

O cérebro é envolto pela barreira hematoencefálica, que barra quase todos os tipos de partículas. Como os autoanticorpos conseguem entrar no cérebro, e quais efeitos podem ter lá dentro?
Júlia: Os estudos mais recentes têm observado que a barreira hematoencefálica não é tão fechada quanto se pensava, e há um certo tráfego de moléculas. A gente encontrou alguns autoanticorpos [que agem] contra neurotransmissores e seus receptores. Eles poderiam estar interagindo com esses receptores, para talvez inibi-los ou ativá-los. Isso a gente ainda não sabe exatamente.

Otávio: Os autoanticorpos poderiam impedir a comunicação normal entre as células [neurônios], atuando como bloqueadores ou como ativadores em excesso.

Isso pode significar que as doenças neurodegenerativas começam fora do cérebro?
Júlia: Cada vez mais a gente tem visto publicações [científicas] mostrando envolvimento não apenas do sistema imune mas de muitos outros fatores, como as bactérias do intestino e o ambiente.

Continua após a publicidade

Se essa associação for comprovada, que tipo de tratamento poderia ser desenvolvido? As doenças neurológicas poderiam passar a ser tratadas como doenças autoimunes, por exemplo?
Júlia: Uma possibilidade seria a inibição das células B, que produzem os anticorpos e os autoanticorpos, através de Rituximab [medicamento] ou do uso de células CAAR-T [modificadas em laboratório], que conseguem inibir as células B de maneira específica. Então daria, por exemplo, para inibir só as células B que estão produzindo autoanticorpos contra os neurotransmissores.

Fonte 1. “Integrative analysis reveals the autoantibodyome neuroimmune signature of neurodegeneration”.

Publicidade

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.