Designers, mãos às obras – literalmente!
Se você lê a Super com frequência, deve saber que nossas matérias se destacam não só pelo conteúdo, mas também pela diagramação linda e impactante. Fruto, é claro, do trabalho do nosso talentosíssimo time de designers, que está sempre experimentando novas formas de representar as reportagens com artes muito diversas e criativas.
As imagens das matérias podem ser feitas a partir de várias técnicas diferentes – ilustrações, fotografia, colagens, 3D etc. Em várias delas, os designers convidam artistas freelancers para desenvolvê-las, sempre sob direção da equipe da Super.
No passado, a escala da revista impressa possibilitava investir mais tempo e recursos em artistas visuais com técnicas artesanais e nichadas. Hoje, apesar de mantermos esse padrão de qualidade, o cenário tornou a contratação externa mais difícil. Como solução, capacitamos ano a ano nossa equipe interna para absorver algumas dessas técnicas, sem abrir mão de contratar especialistas externos sempre que possível.
Um exemplo disso está na edição de setembro da Super, em que duas matérias foram produzidas manualmente através de uma junção de processos diferentes por nossos designers. O destaque fica para a matéria sobre o absinto, com uma proposta ousada: a diagramação foi feita “virada”, convidando o leitor a girar a revista em 90º para conseguir ler.
“Na minha visão, as revistas são cada vez mais como vinis. Entendo que a interação física com o objeto é um diferencial”, conta a Juliana Krauss, nossa diretora criativa. “Quero que as pessoas brinquem com a revista. Nessa matéria, a gente te força a virá-la para ler.”
Abaixo, cada designer conta como foi o processo de criação de sua matéria.
“Maternidade, tempestade perfeita”, por Caroline Aranha
Existem meses em que o mosquito da inquietação atinge a equipe de arte da Super e resolvemos testar coisas fora do nosso cotidiano para as matérias. Dessa vez, eu fui uma das vítimas do mosquito.
Assim que li o texto da Pâmela sobre as alterações na mente da mulher durante a maternidade, pensei em técnicas diferentes que eu poderia usar para representar a matéria visualmente.
Sentia que o texto precisava de um trabalho com acabamento mais delicado. Daí, me veio à cabeça uma matéria da nossa revista vizinha, a VC RH, em que a designer Camila Leite fez ilustrações completas utilizando camadas de feltro. Chamei a nossa diretora de arte, a Juliana Krauss, para conversar sobre possibilidades de fazer algo similar para esta.
A Ju está acostumada com os desafios que gosto de me colocar às vezes – ano retrasado, por exemplo, ela me acompanhou no processo de fazer mini-alimentos em papel para uma matéria reportagem sobre ultraprocessados. Mais uma vez, então, acabamos concluindo que o papel traria o acabamento visual que queríamos. Dessa vez, porém, apostamos no formato 2D com camadas.
Começamos um toró de ideias malucas (o famoso brainstorming) do que poderíamos fazer com essa técnica, muitas vezes seguindo linhas de raciocínio completamente diferentes. Depois de muitos rabiscos tortos, pensamos em fazer a matéria como se ela fosse um flipbook, em que uma ilustração seria repartida em seções e elas afetariam um objeto principal.
Após definir cenas e objetos para cada parte, abri o Illustrator e criei uma versão ilustrada de tudo que estava na minha mente para ser mais fácil de tanto o Rafa, nosso editor-chefe, quanto a Ju visualizar e aprovar antes de eu começar a cortar os papéis.
Com pequenos ajustes feitos, comecei a separar num arquivo cada uma das formas por cor de papel e a quantidade que eu precisaria de cada, para em seguida começar a cortar. Para essa empreitada, seria mais fácil usar uma máquina de corte, mas como eu não tinha uma em casa, encarei essa aventura mais uma vez com meu velho amigo estilete de precisão.

Depois de algum tempo e muitos papéis, as formas começaram a fazer sentido, ganhando camadas (graças à nossa querida fita banana). Parecia que estava dando certo!

Quando finalizei de montar de tudo, coloquei tudo numa pasta e, junto com a Ju e a grande companheira câmera dela, saímos pela redação na Editora Abril buscando o melhor cantinho e diferentes iluminações para fazer nosso estúdio improvisado!


Optamos por tirar fotos dos fundos separados dos cérebros para ter mais controle na edição. Depois da sessão de fotografia, abri as imagens no Photoshop e comecei o processo de juntá-las e ajustar pequenos detalhes. E aí, finalmente, estavam prontas para serem aplicadas no layout com o texto final! Esse foi o resultado final da matéria e mais uma aventura com arte em papéis na Super <3




“O mito da fada verde”, por Gabe Rivas
Lá estava eu, recém-chegado na Super – havia entrado na redação quatro meses antes, e desde então ainda não tinha assumido o design de uma matéria da revista. A reunião de pauta da edição 491 me trouxe, então, o primeiro leão do ano.
Digamos que a sorte (ou o destino) me trouxe o absinto, ou a “fada verde”, para os mais íntimos. Foi mergulhando nessa matéria que descobri coisas que não sabia bem até mês passado – seja sobre essa bebida enigmática, seja sobre como fazer uma matéria na Super.
Comecei pesquisando tudo que era possível sobre o tema, e o ar de mistério em volta da bebida me conquistou. Reuni elementos gráficos, referências visuais e históricas do assunto; depois, levei toda essa “aura verde” para a Juliana Krauss, diretora de arte da Super.
No papo, larguei uma ideia meio inocente: “Pensei na página de abertura vir numa orientação diferente, tipo retrato, e o leitor ter que virar a revista para ler. Aí fazemos um rótulo da bebida bem chique, o que acha?”, disse.
Eu só não esperava que ela triplicasse a aposta: “Por que só uma página? Por que não uma garrafa de absinto, atravessando as três duplas, e o leitor ir ‘passeando’ por ela conforme vira as páginas?”. Simplesmente genial, trato feito!

Eu queria poder dizer que nós tivemos a ideia de usar ilustrações e colagens físicas na matéria desde o primeiro dia, mas a verdade é que só depois de um esboço digital que decidimos abraçar a manualidade.
No processo de coleta de imagens para colagem, tive a ideia de fazer os elementos por ilustração a lápis e a Ju, além de concordar, sugeriu trabalhar com papéis coloridos em tons de verde como base.
Meu primeiro teste foi simples, mas suficiente para causar uma empolgação em nossos corações. Peguei o caderninho que levo pro trabalho, desenhei os elementos separados (a garrafa, o lacre do gargalo, o rótulo, a taça com a colher, o cubo de açúcar e a mesa), recortei na mão (com rebarba e tudo) e montei ali mesmo, do lado da mesinha da Ju.
Na mesma semana já trouxe outro mockup em papel colorido, com uma ilustração em lápis de cor e nanquim, mas numa escala menor, para visualizarmos o estilo geral. Aí sim as coisas começaram a tomar forma de verdade!


Talvez você perceba que esses testes são completamente diferentes do resultado final. Isso porque a cada aprendizado e feedback, o projeto ia tomando outra forma. Eu também fui aprendendo no processo – até porque a ilustração pra mim sempre foi um hobby, e, de repente, eu tinha que levar em conta fatores como luz, sombra, proporção, textura, tudo isso numa matéria de revista de verdade.
Quando percebi, eu já tinha sido abduzido pelo verde. Fui à papelaria da faculdade e em lojas de material artístico; cheguei a comprar uns cinco, seis, sete tons diferentes de verde – acho que perdi a conta, sinceramente. E ainda assim não foi suficiente: a Carol (que escreveu a outra metade deste texto) tinha um estoque de papéis para sua matéria sobre maternidade, e me apresentou mais tons de verde. Ou seja, alguns elementos da matéria final são, literalmente, feitos com papel que também esteve na outra reportagem.
Também fui descobrindo aos poucos a melhor técnica para colorir: eu passava um lápis de cor com um tom de verde mais intermediário, depois um tom um pouco mais escuro, dando mais forma, e depois um mais escuro ainda para reforçar as áreas de sombra, além de um verde bem clarinho pra marcar as partes de luz. Depois, finalizava com o lápis preto. Todo esse processo adicionava mais texturas ao papel, e cada tipo de papel reagia de um jeito às camadas de lápis.

Durante todo esse processo, a Krauss tentava fazer a diagramação funcionar numa orientação vertical, algo que foge totalmente do padrão da revista.
A cada avanço, fazíamos uma impressão para testar a legibilidade, a estrutura e ver quais elementos podíamos inserir para compor a cena. A ideia da fada e das bolinhas de enfeite surgiram nesse momento, sugestões felizes da Rafaela Reis, outra colega queridíssima da equipe de arte que atua em outras marcas da Editora Abril.

Com 90% dos elementos prontos, montamos nosso cenário em um fundo preto, prendendo os desenhos recortados com fita crepe, e fotografamos para inserir na matéria. Foi aí que tudo que eu tinha desenhado tomou outra proporção. Alguns elementos estavam grandes demais, havia diferenças de cor e outros desenhos ficaram mais texturizados que outros, por exemplo.
Bom, nos esforçamos demais para tirar as melhores fotos possíveis, mas já estávamos cientes de que haveria muito trabalho de pós-produção com o nosso maior aliado, o Photoshop.

O tratamento de imagem impecável feito pela Ju no computador corrigiu os pontos em que a manualidade acabou pecando (no desenho analógico, não pude contar com um Ctrl+Z, infelizmente).
Além disso, no digital foi possível reforçar as texturas do trabalho, de modo a deixar mais evidente que a ilustração foi feita à mão. Sem tratamento, as fotos talvez não transpareçam para o leitor que aquelas imagens foram feitas manualmente – e a intenção era justamente reforçar o nosso trabalho artesanal.
Dessa forma, conseguimos nos destacar visualmente e fugir das soluções mais comumente utilizadas para explorar esse tema.
Acho que o maior aprendizado disso tudo foi entender que um trabalho manual com um cunho mais “experimental” não é sinônimo de algo sem critério. Dá para errar, remendar e fazer gambiarras, mas sempre com direcionamento, testes e mudanças de rotas. Foi assim, testando em pequena escala, encontrando os erros no caminho e ajustando (às vezes na mão, às vezes no Photoshop), que essa matéria foi ganhando forma, com uma troca muito importante entre mim e a Krauss, mas também com toda a equipe, que se interessava, comentava e acompanhava nos “bastidores”.
Foi um processo novo, meio caótico, mas extremamente gratificante pra minha primeira matéria por aqui. Sem dúvidas sigo muito mais inspirado para as próximas aventuras! Leia a matéria aqui.




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