Como será a logística para o Irã jogar na Copa do Mundo de 2026?
A Copa do Mundo de 2026 será, pela primeira vez na história, sediada em três países: Estados Unidos, Canadá e México. Esse feito vem com desafios adicionais, além do já esperado desgaste do transporte dos atletas entre os países.
A grande questão envolve os Estados Unidos. Atualmente, o país está envolvido em conflitos armados com nações que disputam a Copa do Mundo. Mais do que isso, também vive um um momento de rigidez em suas políticas imigratórias.
Para países como o Irã, que está há mais de 40 anos em tensão com os EUA, isso tem implicado uma série de dificuldades para a seleção, que deverá passar por uma operação logística complexa para disputar o torneio.
Em fevereiro deste ano, uma operação militar dos EUA e de Israel matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Desde então, os conflitos na região têm se intensificado. Um dos bombardeios atingiu uma escola primária feminina no Irã, causando 168 mortes, muitas delas de crianças. Esta semana, no dia 7 de junho, o Irã lançou mísseis em direção a Israel.
Enquanto isso, voltando à Copa do Mundo, o Irã foi designado para disputar a fase de grupos (que dura pouco mais de duas semanas) justamente nos Estados Unidos.
O primeiro problema veio logo na obtenção dos vistos da seleção, que atrasou meses. Apesar de ter sido uma das primeiras equipes classificadas, em março deste ano, os vistos dos jogadores iranianos demoraram mais do que o comum e só foram aprovados no dia 5 de junho, na semana passada.
A aprovação dos vistos veio com uma condição: os jogadores não podem permanecer em território americano por mais de um dia. Por isso, a seleção iraniana teve que transferir seu centro de treinamento para o México, em Tijuana. Originalmente, a equipe ficaria baseada no Arizona, nos Estados Unidos.
Agora, os jogadores do Irã deverão, em todos os jogos realizados nos EUA, viajar ao país, disputar a partida e retornar ao México. As viagens de ida e volta devem ocorrer no mesmo dia, em uma rotina que torna o esforço físico da Copa ainda mais desgastante para os iranianos.
Para piorar, muitos membros da equipe técnica, como o próprio presidente da Federação de Futebol do Irã, tiveram seus vistos negados pelos EUA. Foi divulgado que 15 integrantes da delegação ainda não possuem o documento. Se os vistos não forem emitidos até o início da competição, esses profissionais simplesmente não poderão entrar nos Estados Unidos com os jogadores e deverão permanecer no México – mais um desafio e tanto para a seleção.
O Irã disputará três partidas na fase de grupos: contra a Nova Zelândia (15/06), em Los Angeles (EUA); contra a Bélgica (21/06), também em Los Angeles; e contra o Egito (27/06), em Seattle (EUA).
Uma curiosidade é que esta não é a primeira vez que o conflito entre Irã e Estados Unidos se reflete na Copa do Mundo. Um exemplo ocorreu em 1998, na França, em uma partida histórica entre os dois países que terminou em 2 a 1 para o Irã.
Isso se repetiu em 2022, na Copa do Mundo do Catar, em um jogo que acabou com vitória dos Estados Unidos por 1 a 0.
Na Copa deste ano, o Irã só poderá enfrentar os EUA caso avance da fase de grupos e chegue às eliminatórias. Porém, em suas seis participações anteriores na competição, a seleção iraniana nunca conseguiu passar da fase de grupos.
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