Comer cascas de frutas e vegetais faz bem à saúde? Cientistas mostram que sim
Cascas, sementes, talos… Essas partes costumam ser descartadas quando comemos frutas e vegetais. Algumas pessoas, porém, já afirmavam que elas poderiam ser ainda mais nutritivas do que a polpa. Agora, um novo estudo acaba de reforçar essa ideia.
A pesquisa, publicada no periódico científico International Journal of Food Sciences and Nutrition, constatou que, de fato, cascas, sementes e talos são mais ricas em fibras do que as partes consumidas de frutas e vegetais.
Tudo começou quando um grupo de pesquisadores do King’s College London decidiu analisar o teor de fibras de 12 frutas e vegetais: abóbora, kiwi, melancia, brócolis, pimentão, abacaxi, alho-poró, funcho, couve, aipo, couve-flor e beterraba. A ideia era medir e comparar a quantidade de fibras nas partes mais consumidas e também nas cascas, sementes, talos e outras partes geralmente descartadas.
Ao analisar os itens, os pesquisadores constataram que, em 10 dos 12 alimentos, as partes não consumidas apresentavam maior teor de fibras. A casca e o miolo do abacaxi, por exemplo, tinham cerca de 450% mais fibras do que a polpa da fruta. Na abóbora, as sementes e a casca apresentavam 9,25 gramas de fibras a cada 100 gramas, enquanto a polpa tinha apenas 2 gramas.
Aproveitar essas partes em uma alimentação chamada pelos autores de “da raiz à ponta” (root-to-tip) poderia aumentar significativamente o consumo de fibras da população. Isso é especialmente importante considerando que grande parte das pessoas não ingere a quantidade diária recomendada de fibras. Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), 68% dos brasileiros têm um consumo insuficiente de fibras.
O problema é que essas partes das frutas e dos vegetais costumam ser duras, difíceis de mastigar e, muitas vezes, não têm um sabor tão agradável quando consumidas in natura. Por isso, os pesquisadores defendem a possibilidade de aproveitá-las em receitas, ralá-las, triturá-las, assá-las e utilizar outros métodos de preparo. Além dos possíveis benefícios nutricionais, essa prática também poderia reduzir o desperdício de alimentos e, no caso dos restaurantes, diminuir os custos das cozinhas.
“Embora subprodutos de frutas e vegetais tenham sido explorados para aumentar o teor de fibras nos alimentos, o teor de fibras de muitos componentes “da raiz à ponta” permanece desconhecido. […] Esses resultados sugerem que o consumo ‘da raiz à ponta’ pode favorecer uma maior ingestão de fibras alimentares e, ao mesmo tempo, reduzir o desperdício de alimentos”, escrevem os autores.
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