As casinhas históricas da Holanda nas asas da KLM
A partir de 1952, quem viajava de primeira classe pela companhia aérea holandesa KLM recebia um presente bastante diferente: uma pequena casinha de cerâmica azul e branca, inspirada na tradicional porcelana de Delft. Havia uma surpresa dentro dela: a miniatura vinha cheia de licor e, mais tarde, de jenever, bebida conhecida como “gim holandês”.
Os modelos das casinhas não são inventados. Cada um reproduz um edifício verdadeiro, geralmente uma construção histórica de cidades dos Países Baixos. Há miniaturas inspiradas em museus, casas de antigas personalidades, hotéis e outros prédios importantes.
Nas primeiras décadas, novos modelos foram sendo criados sem uma periodicidade fixa. Em alguns anos apareciam novos modelos; em outros, não. Até 1993, haviam sido lançadas 60 casinhas. A grande mudança aconteceu em 1994, quando a KLM completou 75 anos. Para fazer a coleção alcançar a idade da companhia, foram lançados de uma só vez quinze novos modelos (os números de 61 a 75). A partir daí, estabeleceu-se a tradição atual: todo dia 7 de outubro, aniversário da KLM, uma nova casinha é apresentada, e seu número corresponde à idade que a empresa está completando. Desse modo, em 07 de outubro, dia em que a KLM completou 107 anos, foi apresentada a casinha nº 107: a Wijnhoeve De Kleine Schorre, uma vinícola localizada em Dreischor, na província de Zelândia, fornecedora da companhia aérea há 20 anos.
Com o tempo, o brinde virou uma tradição e despertou a paixão dos colecionadores. As antigas casinhas passaram a aparecer em lojas e feiras de antiguidades, e alguns exemplares raros alcançam valores bastante altos. Hoje, as miniaturas são oferecidas a todos os passageiros da Business Class em voos intercontinentais da companhia, que criou um aplicativo para que os curiosos possam conhecer a história dos prédios e controlar quais já possuem.
A KLM não divulga o número de unidades fabricadas anualmente. O ponto mais interessante é que não são produzidas apenas unidades da casinha do ano. Os modelos antigos continuam sendo fabricados e distribuídos. O número da casinha, portanto, não indica necessariamente sua idade física. Existem exemplares antigos e recentes de um mesmo modelo. Um passageiro pode receber hoje, por exemplo, uma nº 20 produzida recentemente. A empresa mantém diversos números em circulação para que o passageiro possa escolher um que ainda não tenha em sua coleção.
Numa loja de suvenires, em Amsterdã, paguei 15 euros pela nº 26, reedição de 2010, que reproduz uma casa, conhecida como “Mata Hari’s Love Nest” (“o ninho de amor de Mata Hari”), localizada em Haia (Den Haag). A dançarina holandesa se tornou célebre como cortesã e foi executada pelos franceses em 1917, acusada de espionagem durante a Primeira Guerra. Essa miniatura entrou na coleção oficialmente em 1966.
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