Árvore do Ano: conheça a premiação que elege as árvores mais interessantes da Europa
Fevereiro é mês de Carnaval no Brasil. Já na Europa, do outro lado do oceano Atlântico, é tempo de eleição de árvores. É quando acontece a European Tree of the Year (Árvore Europeia do Ano), premiação que escolhe, anualmente, a árvore destaque do continente por meio de votação popular.
Mais do que premiar uma árvore pela beleza, a ideia é reconhecer histórias marcantes ligadas às comunidades locais. Não é uma competição entre espécies, mas entre árvores específicas, enraizadas na história de uma determinada região.
“É um concurso que destaca a importância das árvores para o patrimônio natural e cultural da Europa e a relevância dos serviços ecossistêmicos que elas proporcionam”, diz o site oficial da competição.
Tudo começou em 2002, quando a República Tcheca organizou sua primeira edição nacional da Árvore do Ano. A vencedora foi a Popovský jasan, com 444 votos. A árvore cresce na encosta dos Montes Metalíferos, onde ficava a vila de Popov, hoje reduzida a ruínas. A árvore permanece como uma das poucas testemunhas vivas da antiga comunidade.
A ideia fez sucesso e, em 2010, outros quatro países europeus já promoviam seus próprios concursos de Árvore do Ano: Eslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária.
Por isso, em 2011, surgiu a proposta de unificar essas iniciativas em uma competição continental. Nasceu o European Tree of the Year, com o objetivo de eleger a árvore mais emblemática de toda a Europa – e, além disso, estimular doações para projetos de conservação ambiental.
A primeira vencedora foi uma tília (lime tree) da cidade de Leliceni, na Romênia. Com mais de 500 anos e cerca de 20 metros de altura, ela servia, no século XVI, como ponto de encontro para os moradores discutirem os assuntos da aldeia.

Organizada pela Environmental Partnership Association, com apoio da European Landowners’ Organization, a competição é estruturada como uma eleição. Primeiro, cada país participante realiza sua própria votação nacional para escolher a árvore que o representará na etapa europeia.
Isso, por si só, já mobiliza as comunidades locais. Cidades organizam eventos, atividades culturais, concursos de desenho feitos por crianças e outras iniciativas para incentivar a população a visitar a árvore candidata.
A eleição nacional ocorre no ano anterior para que, em fevereiro, tenha início a votação europeia. Ela começa no dia 1º e segue até o fim do mês. Durante quase todo o período, o público acompanha a contagem de votos, mas, na última semana, os números deixam de ser divulgados para aumentar o suspense. O resultado é anunciado em março, em uma cerimônia realizada no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
Atualmente, 16 países participam da competição, e eles não são obrigados a indicar uma árvore todos os anos. O sucesso da iniciativa também inspirou concursos semelhantes no Canadá, na Austrália, no Sri Lanka e até uma competição de Árvore do Ano da Ásia.
Árvore Europeia do Ano de 2026
Na edição deste ano, a competição adotou uma mudança importante. Pela primeira vez, a vencedora deixou de ser definida apenas pelo número absoluto de votos recebidos. O resultado passou a considerar um sistema de pontuação que pondera os votos de acordo com o tamanho da população de cada país, buscando tornar a disputa mais equilibrada.
Mais de 200 mil pessoas participaram da votação. A vencedora foi o Carvalho de Laukiai, da Lituânia, retratado na capa desta reportagem. Localizado na aldeia de Rukai, a árvore permaneceu por muitos anos praticamente esquecida até que, no ano passado, a comunidade local restaurou seus arredores. Eles até organizaram uma festa para marcar sua revitalização.
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