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Curiosidades

Abelhas podem aprender sozinhas a usar ferramentas, mostra novo experimento

Dentro de uma caixinha de acrílico, uma abelha se vê diante de uma bolinha de isopor e um desafio: em troca de uma recompensa açucarada, ela precisa alcançar uma flor artificial no teto de um compartimento no lado oposto da caixa. O caminho até lá é fácil, mas o teto do compartimento é baixo demais para que a abelha consiga alçar voo, então o único jeito de alcançar a flor seria rolando a bolinha até o compartimento para usá-la de plataforma.

O problema central é que ninguém ensinou essa solução à abelinha. Seria ela capaz, então, de desvendar a questão por si mesma? A resposta, de acordo com um novo estudo, é que, sim, seus cérebros pequenos resolvem esse desafio com facilidade. (E, ainda assim, algumas escolheram trapacear).

O estudo foi divulgado na revista Science no dia 4 de junho. Com o experimento, pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, demonstraram pela primeira vez que as abelhas são capazes de manipular objetos para atingir um objetivo específico sem qualquer treinamento prévio.

Anteriormente, sabia-se apenas que humanos e outros vertebrados com cérebros grandes, como pássaros e macacos, eram capazes de espontaneamente empregar ferramentas para resolver problemas complexos sem saber a solução de antemão. Nesse sentido, os achados com as abelhas são inéditos, e se juntam a um corpo de outras evidências sugerindo que a cognição desses insetos pode ser muito mais complexa do que antes se pensava.

“Esta é essencialmente uma versão com insetos do clássico ‘problema da caixa e da banana’”, afirma, em comunicado, o pesquisador Olli Loukola, que supervisionou o estudo. “O animal precisa perceber que um objeto pode ser reposicionado e então usado como ferramenta para alcançar um objetivo que, de outra forma, seria inacessível. O que se destaca neste resultado é que esse tipo de resolução espontânea de problemas agora foi demonstrado em um inseto.”

O “problema da caixa e da banana” ao qual Loukola se refere foi criado há mais de cem anos pelo psicólogo Wolfgang Köhler para o estudo da cognição de macacos. Em seu experimento – um dos mais influentes sobre a resolução de problemas em animais –, Köhler demonstrou que, para apanhar uma banana que estava fora de alcance, chimpanzés engenhosamente bolariam sozinhos a ideia de empilhar alguns dos caixotes presentes em suas jaulas.

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Dessa vez, os pesquisadores criaram uma versão desse problema adaptada para abelhas da espécie Bombus terrestris, as mamangavas. Para que o experimento funcionasse, os insetos não poderiam ter contato com a solução em nenhum momento. Estudos anteriores já haviam demonstrado, por exemplo, que abelhas poderiam aprender a resolver certos desafios envolvendo o uso de alguma ferramenta apenas observando suas colegas empregando a solução correta.

Elas foram expostas, então, a apenas duas informações: que a flor artificial (um círculo azul no teto da caixa) continha uma recompensa doce; e que a bolinha de isopor contida na câmara era um objeto móvel, o qual não representava qualquer ameaça.

O vídeo acima mostra como foi conduzido todo o experimento.

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Primeiro, um período de habituação: sem a bolinha de isopor presente, a abelha fica livre para zanzar sem rumo pela caixa e se acostumar com o espaço. Depois, os pesquisadores apagam as luzes e acendem uma luz vermelha (invisível para as abelhas) para poderem introduzir a bolinha na caixa, entre dois compartimentos separados por barreiras opacas. Por fim, as luzes acendem e a abelha parte para o jogo.

Como mostra o vídeo, depois de um breve vai e volta, a abelha rapidamente se toca de que precisa empurrar a bola em direção ao compartimento onde está a flor artificial. Ela posiciona o objeto debaixo da marcação azul, escala em direção ao teto e coleta sua merecida recompensa.

Além disso, os cientistas também realizaram outros experimentos para controlar outras possíveis explicações, como o sucesso acidental. Para isso, abelhas em grupos controle passaram por versões variadas do teste, onde, por exemplo, elas eram expostas previamente apenas à bola ou à flor, ou então a nenhum dos dois. A taxa de sucesso, nesses casos, foi bem menor.

Os pesquisadores também queriam entender se as abelhas estavam se guiando visualmente em direção à flor. Para isso, instalaram as barreiras entre os compartimentos que separavam a bolinha e a flor. Ainda assim, mesmo quando não conseguiam ver a flor diretamente, as abelhas souberam empurrar a bola em direção à marcação, indicando que elas, de alguma forma, memorizaram o objetivo.

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No total, 23 das 30 abelhas que participaram desse teste mais difícil, entre barreiras, tiveram êxito. Em toda essa experimentação, porém, houve ainda aquelas que preferiram ir pela maracutaia.

“Não relatamos isso no artigo, mas uma coisa muito interessante que observamos, que não pôde ser registrada como um sucesso, foi que encontramos alguns indivíduos trapaceando”, disse Akshaye Bhambore, autor principal do estudo, à Scientific American.

“O experimento foi projetado de forma que elas não pudessem voar e beber ao mesmo tempo, porque a altura era muito baixa, então eles precisavam usar a bola como ferramenta. Um número muito pequeno de indivíduos descobriu que não precisavam usar a bola de forma alguma e que podiam simplesmente se pendurar no teto e tentar beber da flor”, continua o pesquisador.

Os experimentos foram projetados para serem diferentes de qualquer coisa que as abelhas encontrariam em seus habitats naturais. Sendo assim, o comportamento das abelhas não poderia ser explicado como algo instintivo, adquirido evolutivamente, mas sim como uma série de decisões tomadas para atingir um objetivo específico.

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Abelhas, é claro, têm cérebros bem pequenos: são cerca de 1 milhão de neurônios na cabeça de cada abelinha, uma fração minúscula dos aproximadamente 86 bilhões que compõem o cérebro humano. Ainda assim, pesquisas recentes têm demonstrado a capacidade desses insetos de colaborar, aprender socialmente e adaptar seu comportamento a depender de cada desafio imposto.

“Não estamos afirmando que as abelhas pensam como os seres humanos”, reitera Loukola, no comunicado. “Mas nossas descobertas mostram que cérebros minúsculos podem gerar soluções flexíveis para problemas novos de maneiras que estamos apenas começando a compreender”.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.