A vez em que a Nicarágua invadiu a Costa Rica e botou a culpa no Google Maps
Seria de se pensar que, no século 21, com todas as tecnologias disponíveis, um país invadir o outro por engano seria algo impossível. Mas isso aconteceu – e mais de uma vez. Em 2007, por exemplo, a Suíça invadiu Liechtenstein por engano quando cerca de 170 soldados atravessaram a fronteira (que não estava sinalizada). Ao perceberem o erro, voltaram atrás.
Esse caso foi resolvido sem maiores problemas. Mas o outro, de 2010, não terminou tão bem. A seguir, conheça a história de quando a Nicarágua invadiu a Costa Rica e culpou o Google Maps.
Costa Rica e Nicarágua já tinham uma disputa antiga de fronteira na região do rio San Juan, especialmente numa área de ilhas e canais chamada Isla Calero/Isla Portillos. Essa área é ambientalmente sensível e praticamente desabitada – mas juridicamente muito disputada.
Em outubro de 2010, tropas nicaraguenses entraram nessa zona e começaram operações de dragagem (escavar e desviar canais do rio). Os soldados também removeram uma bandeira da Costa Rica e hastearam a da Nicarágua, o que o país rival considerou uma invasão militar. Até aqui, nada fora do normal: esse tipo de provocação era comum na tensão geopolítica entre as duas nações.
A parte curiosa veio depois: o comandante da operação, Edén Pastora, disse que a invasão ocorreu por engano porque, ao olharem o Google Maps, os soldados teriam visto que a área pertencia à Nicarágua. Ou seja, era tudo culpa do app.
Como o incidente repercutiu em todo o mundo, o Google precisou se pronunciar — e admitiu que o problema realmente existia. “Após uma discussão com o fornecedor de dados para esta fronteira específica (o Departamento de Estado dos EUA), determinamos que de fato houve um erro na compilação dos dados de origem, de até 2,7 quilômetros”, disse a empresa em um comunicado. “O Departamento de Estado dos EUA forneceu uma versão corrigida e agora estamos trabalhando para atualizar nossos mapas”.
O conflito escalou diplomaticamente: a Costa Rica denunciou a presença de tropas como invasão, a Organização dos Estados Americanos (OEA) tentou mediar e o caso acabou indo para a Corte Internacional de Justiça (CIJ). Anos depois, o tribunal decidiu que a área em disputa era da Costa Rica.
A Nicarágua, que inicialmente insistiu em manter as tropas no local, acabou aceitando a decisão após o conflito se arrastar por cinco anos. E ficou a lição: não basear seus movimentos militares nas informações do Google Maps.
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