A origem dos “homenzinhos verdes” – e o fascínio da humanidade por alienígenas
Carta ao Leitor da edição 489 da Super, de julho de 2026.
No dia 21 de agosto de 1955, Billy Ray Taylor e a sua esposa visitavam o amigo Lucky Sutton em uma fazenda no Kentucky (EUA) quando algo estranho aconteceu.
Billy e Lucky notaram um brilho vindo do lado de fora da casa da família Sutton. Ao chegarem lá, deram de cara com uma criatura baixinha e cabeçuda. Tinha olhos grandes, garras e corpo prateado. Os dois atiraram contra ela e correram para a delegacia. Não adiantou: os supostos alienígenas (havia mais de um) passaram a noite inteira perambulando pela fazenda.
A história se espalhou pelo país, e o telefone sem fio fez com que o relato se misturasse com outro caso do Kentucky: o de uma mulher que jurava ter visto um disco voador e um homem verde de 1,80 metro de altura.
O episódio dos Sutton é um dos mais famosos relatos de ETs, e ajudou a disseminar o termo little green men (“homenzinhos verdes”) para descrever extraterrestres. Mas a expressão é mais antiga. Pelo menos desde o século 19, escritores de ficção e jornalistas já a usavam para se referirem a seres de outro planeta (uma lenda medieval sobre duas crianças de pele verde, que teriam surgido misteriosamente em um vilarejo na Inglaterra, pode ter ajudado na construção desse imaginário).
A Super não é uma revista de ufologia. A maior parte dos entusiastas dessa área não segue o método científico. Quase todos os episódios de avistamento são baseados em testemunhos e imagens de baixa qualidade, difíceis de verificar. “Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”, disse o astrônomo Carl Sagan.
(É bem provável, aliás, que as criaturas que apareceram na fazenda dos Sutton fossem apenas…corujas.)
Isso não significa, porém, que não possamos escrever sobre alienígenas. Pelo contrário: alguns dos maiores nomes da ciência já se debruçaram sobre esse assunto, e há pesquisas de ponta que buscam sinais de vida e de tecnologia fora da Terra. Esse é o assunto da capa deste mês, escrita pelo Bruno Carbinatto, que já entra no rol das nossas grandes matérias sobre o espaço.
Refletir sobre o que existe no cosmos é tão inquietante quanto pensar no que acontece depois da morte. Por ora, ainda não encontramos ninguém. Seria legal conhecer homenzinhos verdes? Com certeza. A solidão, porém, não me incomoda. Acho que ela torna ainda mais raro (e belo) o que fazemos aqui na Terra. Nebulosas, quasares e supernovas são fascinantes – mas ouvir uma orquestra, preparar o almoço de domingo e amar alguém talvez sejam as verdadeiras joias do Universo.
Rafael Battaglia Popp
Editor-chefe
rafael.popp@abril.com.br
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