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Curiosidades

Internet à moda antiga: conheça a indie web, onde as pessoas ainda fazem seus próprios sites

V

ocê já foi à internet? É o lugar da moda.” Assim começa uma reportagem de junho de 1994 da Super. A jornalista Fátima Cardoso exaltava a diversidade de conteúdos da World Wide Web (“www”, ou simplesmente “web”), uma tecnologia então recém-chegada no Brasil, disponível apenas para poucos cientistas. 

A internet, rede mundial de computadores, já existia desde 1969. A web, que funciona dentro da internet, veio décadas depois. “[Antes da web,] para acessar algum arquivo, o usuário precisava saber o nome dele. Senão, a busca seria tão produtiva quanto tentar achar o telefone do morador de uma cidade sem catálogo. Por isso, a internet não era amigável. Entrar nela pela primeira vez era como chegar a uma metrópole inóspita”, escreveu Cardoso na época.

Isso mudou em 1989, quando o físico Tim Berners-Lee criou um jeito de conectar as páginas. As invenções que vieram junto com a web, como o http (protocolo de transferência de dados entre servidor e usuário) e a linguagem HTML (responsável pelo esqueleto dos sites) são usadas até hoje. O primeiro site da História é do CERN, maior laboratório de partículas do mudo. Foi feito por Tim em 1991 e ainda roda perfeitamente.

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Desde o início, o vocabulário da web remete a um lugar a ser explorado: usa-se um navegador para visitar os sítios (sites). O seu site pessoal era seu lar, sua homepage, que podia ser visitada a partir de um endereço (a URL). 

Nada disso foi patenteado, e, com a infraestrutura física certa, o acesso era (e é) gratuito de qualquer lugar do mundo. Foi como se Berners-Lee tivesse distribuído tijolos, placas e pontes, e tudo fosse se tornando mais interconectado, legível e acessível – embora ainda, é claro, para poucos.

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Para emular a diversidade de estéticas e formatos dos sites da indie web, três artistas trabalharam nesta edição: Luisa Prado, Tayrine Cruz e a designer da Super Cristielle Luise. De fóruns a pop-ups, elas espalharam uma porção de referências por aí. Boa leitura navegação!

Com o tempo, a web chegou aos computadores domésticos. Em 1998, o site mais visitado da web era o Geocities: um serviço gratuito em que qualquer um – com acesso, curiosidade e tempo para aprender o básico da programação – podia criar uma page para chamar de home.

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O Geocities marcava as URLs com uma “região” de acordo com os seus temas: blogs sobre tecnologia ficavam dentro de “geocities.com/SiliconValley”, ficção científica em “/Area51”, romance em “/Paris” e animes em “/Tokyo”. Dava para pular entre sites “vizinhos” com um clique. 

Assim surgiram as primeiras comunidades virtuais. Pessoas reunidas porque se interessavam por algo em comum e porque havia um volume inédito de coisas a serem compartilhadas. 

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<span class=”hidden”>–</span>Cristielle Luise/Superinteressante
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Quem viveu essa época costuma se lembrar com nostalgia das horas passadas em chats com desconhecidos, trocando e-mails com gente do outro lado do mundo ou personalizando detalhes de seus sites. Havia um otimismo tecnológico no ar, e muita gente enxergava a promessa de um mundo com educação e debate público mais qualificados e democráticos.

“Na base de toda a infraestrutura da web estava a intenção de possibilitar a colaboração, fomentar a compaixão e gerar criatividade – o que chamo de os três Cs. Ela deveria ser uma ferramenta para empoderar a humanidade”, escreveu Berners-Lee na comemoração de 35 anos do início de seu projeto, em 2024 (1). O tom do texto, porém, é de frustração. “A primeira década da web cumpriu essa promessa […]. No entanto, na última década, em vez de incorporar esses valores, a web contribuiu para corroê-los.”

O otimismo parece ter desaparecido. Hoje, celulares estão nas mãos de 90% dos brasileiros de mais de 10 anos (2), e qualquer um sabe listar alguns dos impactos negativos do uso irresponsável da internet – seja na saúde mental, nos relacionamentos, no desenvolvimento infantil, na democracia, na privacidade…

Mas há uma boa notícia: existem alternativas entre ser cronicamente online e morar numa caverna. Basta fazer o exercício de pensar que a vida digital não se resume às big techs. 

Se a internet fosse um grande terreno, as redes sociais seriam monoculturas cercadas por muros altos. Mas as estradas da web ainda podem levar a pequenos sítios onde há algo mais próximo de uma “agricultura familiar”: gente cultivando o que quer, como quer. 

Ainda há navegação das antigas, sem rolar feeds infinitos definidos por algoritmos. São conteúdos sem prazo de validade e que não podem ser deletados ou censurados de acordo com as decisões de uma empresa ou governo.

Um lugar em que dá para navegar pelas curiosidades do mundo com calma e intencionalidade. Essa é a indie web: um movimento interdisciplinar que reivindica uma web mais parecida com a versão idealizada em sua gênese.

Qual o seu blog?

“Tiraram da gente tudo que era bom e gostoso de consumir, que deixava a internet mágica, criativa, diferente, pessoal. Acabou aquela história de entrar num site e sentir que estou entrando em outro mundo…” A fala parece de alguém que estava na gênese da web, mas não. Quem disse isso foi Nyle Coelho, uma estudante de engenharia de software de 21 anos que sente falta do que não viveu.

Nyle nem sabia ler quando já era moda usar letras coloridas e gifs escandalosos para deixar scraps nos perfis dos amigos no Orkut, e nunca deve ter clicado em um pop-up para ganhar um (suposto) prêmio por ser a (suposta) milionésima visitante do site. 

Quando chegou a vez de Nyle ser jovem na internet, a moda já era postar versões pasteurizadas de si próprio no Instagram e trocar mensagens temporárias e cheias de filtros faciais pelo Snapchat. Ela passou a ler posts antigos de blogs de fandoms (comunidades virtuais de fãs), e encontrou ali um rico acervo. 

A indie web nos lembra que a internet não é feita só de meia dúzia de aplicativos e plataformas.

“Os blogs nunca deixaram de existir, ainda estão aí. Só que hoje a disputa por atenção é muito intensa”, diz Rodrigo Ghedin, jornalista e editor do blog Manual do Usuário. Depois de alguns anos à frente de um site de tutoriais de Windows na adolescência, Ghedin criou seu primeiro site pessoal em 2005 – ano em que Nyle nasceu – e nunca o abandonou.

Desde o final de 2025, Nyle também tem um site pessoal, onde mescla seus desenhos, textos e design. Ela ainda espalha a palavra da indie web em seus perfis do YouTube, do Instagram e do TikTok. 

“A indie web é, para mim, uma comunidade de pessoas que querem existir na web independentemente das redes sociais e da corporate web [a web que pertence às grandes corporações]”, explica a desenvolvedora de software portuguesa Ana Rodrigues. Ela é uma das organizadoras da IndieWeb, movimento com manifesto e reivindicações específicas, que fica dentro do espectro mais amplo da indie web em geral [entenda a diferença no glossário abaixo]. 

Mini-glossário Aula de Informática com termos do ciberespaço. Inclui definições para Comunidade IndieWeb, CSS, Hospedagem, HTML, Domínio, Feed RSS e Indie web.
<span class=”hidden”>–</span>Cristielle Luise/Superinteressante

Há muitas outras denominações – como small web, slow web e open web. Há até quem prefira apenas web. “Mas o objetivo no geral é o mesmo: que as pessoas tenham seus próprios sites, algo que você possa chamar de ‘sua casa’ na web”, diz Rodrigues.

Se um site é como um imóvel próprio, um perfil de rede social é um apê alugado. Você pode até morar, decorar as paredes e aproveitar por um tempo, mas tudo tem que ser conforme as regras do proprietário. E não há garantias: as empresas podem banir contas, censurar temas, vender o seu conteúdo para IA ou mesmo fechar as portas. 

Milhões de brasileiros já tiveram esse trauma com o Orkut – que, depois de um lento declínio, foi para o beleléu em 2014, levando consigo um precioso retrato do início da cibercultura brasileira. 

Há uma grande vantagem no uso de HTML e CSS: são linguagens com 30 anos de idade. Isso significa que há milhões de tutoriais online, e as chances de todas as suas dúvidas já terem sido respondidas em algum lugar são enormes.

“Tem muita gente hoje que não consegue se imaginar sem Instagram e TikTok, e não consegue nem imaginar que talvez essas plataformas não existam mais no futuro”, diz Daniel Kossmann, gerente de produto de IA e criador de conteúdo. Ele sente saudades de todos os posts que perdeu com o fechamento do Orkut e de uma plataforma que usava para hospedar seus sites gratuitamente no começo dos anos 2000.

Kossmann enxerga o seu site, no ar há mais de 15 anos, como um arquivo de versões de si próprio e de pensamentos. “Às vezes eu leio posts antigos e concordo, outras vezes eu olho e falo: ‘Nossa, que bom que hoje sou uma pessoa diferente’. E tem muitas coisas que escrevi há muito tempo e que as pessoas ainda comentam para dizer que aquilo foi interessante ou as ajudou.”

Os autores de blogs longevos entrevistados para esta reportagem relataram a alegria que é saber que seus posts mais antigos ainda são encontrados e apreciados, mesmo depois de anos. “Isso nunca aconteceria se eu tivesse colocado esses textos no Twitter, por exemplo”, diz Rodrigues. 

Os algoritmos das redes sociais, desenhados para prender a nossa atenção, costumam priorizar novidades. Tudo fica obsoleto dentro de alguns dias e acaba em um limbo difícil de acessar. Foi só recentemente que plataformas como o Instagram e o TikTok, por exemplo, começaram a melhorar a indexação de conteúdos no Google.

Em blogs e sites pessoais os autores não costumam se importar tanto com a audiência – e, por isso, se sentem mais livres para publicar coisas que não se encaixam bem nas redes. Para alguns, isso significa escrever textos pessoais que soariam estranhos em meio às vidas perfeitas do Instagram. Para outros, é um lugar para compartilhar o progresso de projetos, dividir aprendizados e praticar novas habilidades.

Nas redes, os influenciadores costumam se concentrar em um nicho temático para produzir conteúdos. Nos sites, vários autores encontram o espaço para serem interdisciplinares. 

“Eu achava que o certo era você escolher uma coisa e ser muito bom nela. Mas eu me via como uma pessoa que faz um pouco de tudo, nada muito a fundo”, conta Vinicius Garcia, desenvolvedor de jogos e doutorando em inteligência artificial. Ele também grava vídeos, desenha, escreve e arquiva jogos de CD-ROMs dos anos 2000. Ele sentia que sua presença digital estava fragmentada em várias plataformas, e que unificar tudo no site fez a criatividade fluir. 

“Eu parei de pensar no que eu achava que deveria fazer e comecei a pensar no que eu queria fazer”, conta Garcia. “Com o meu site eu não preciso abandonar nenhuma parte de mim.”

Além da liberdade de conteúdo, há também a liberdade de formato. Com diferentes níveis de programação, dá para colocar numa página todo tipo de elemento que já foi sepultado pelas redes sociais. É o caso dos sites com tocadores de música, passagens secretas entre as seções, livros de recados e chat para os visitantes, além de botões espalhados de forma inusitada.

Para quem já se acostumou com os menus “intuitivos” que se repetem em todos os apps, a experiência de alguns sites pode ser desorientante. Nem todos são espalhafatosos, é verdade. Mas vários entrevistados definiram como visitar a casa de alguém – é íntimo, curioso e às vezes você não sabe por que as coisas estão onde estão.

Nem sempre há um fluxo óbvio de por onde começar. É comum que, depois de cinco minutos, você tenha clicado em tantos links que há dez novas guias abertas. E é exatamente isso que faz a web ser uma rede, e não uma ilha.

Montagem digital com fundo de céu azul e nuvens brancas, simulando uma tela de computador com janelas e ícones. No topo, a frase Seja bem vindo! em rosa e amarelo. Há dois rostos sorridentes de olhos grandes, um em cada janela de navegador. Ícones de Paint, Amigos e Blogs aparecem à esquerda. Uma janela exibe Eu amo bolo de chocolate com detalhes de uma comunidade online. Outra janela mostra Blog da Lulu com um post sobre o aniversário do blog. Um mouse de computador amarelo está na parte inferior esquerda.

Vale lembrar que link, em inglês, significa “elo”. Berners-Lee define os links como a “unidade básica de construção de toda a web”. “Se o direito geral de criar links não for respeitado por algum motivo, então os princípios fundamentais da liberdade de expressão estarão em risco, e é melhor que algo seja mudado.” (3) 

Berners-Lee escreveu isso em 2000, mais de uma década antes de virar moda entre as redes boicotar links externos. Eles não existem no corpo de texto do Instagram, por exemplo – o que faz com que você ouça “clique no link na bio” e “arrasta pra cima” o tempo todo. 

Em Curitiba, Rodrigo Ghedin e Daniel Kossmann coordenam encontros públicos e presenciais para falar de sites.

Antes dos buscadores e indexadores (como o Google) se tornarem tão eficientes, a função de fazer e recomendar links era uma troca de gentilezas. Afinal, as palavrinhas azuis e sublinhadas permitem compartilhar conhecimentos com os leitores e referenciar fontes usadas em algum material. 

Mas os links têm ainda uma camada invisível de influência: quando um conteúdo é linkado por outros sites, isso fortalece a sua reputação e faz com que ele seja mais recomendado em buscadores. Um mecanismo comunitário para premiar bons sites. 

Isso é levado em conta até hoje. Mas a equação para calcular quem aparece no topo da pesquisa no Google também envolve outros milhares de componentes obscuros que mudam o tempo todo. É algo tão complexo que há uma área do marketing digital dedicada a desvendá-lo: o SEO (Otimização para Mecanismos de Busca, na sigla em inglês).

O intrincado sistema de ranqueamento nos buscadores ajuda a entender a dificuldade de encontrar blogs e sites autorais nas pesquisas. Empresas investem uma grana alta para melhorar o SEO de suas páginas – algo incomum no processo artesanal da indie web. 

É por isso que, em geral, não se chega a esse lado da web por uma busca simples. Eles não estão escondidos, como os conteúdos da deep web. Mas é preciso saber como e onde procurar.

Surfando de novo

Um bom ponto de partida é o Lerama, um diretório brasileiro de sites pessoais e newsletters. Dá para filtrar por tema, buscar por termos ou sortear um site aleatório. Outra opção é o Neocities, um serviço gratuito de hospedagem inspirado no Geocities e popular entre os mais novos na indie web. 

“Tem um jogo legal em que você se junta com amigos e todos começam no mesmo site. Todo mundo passa cinco minutos surfando e clicando em links, sozinhos. A regra é: depois de clicar em algo, não pode voltar atrás nem digitar nada. Cada um tira prints das telas ao longo da jornada e, ao final, faz uma apresentação mostrando curiosidades que encontraram.” A sugestão é de Daniel, programador e artista irlandês conhecido virtualmente como Melon King. O site dele está no ar há 19 anos e reúne boas dicas de como conhecer a indie web.

Muitos blogs reviveram os velhos webrings, que foram populares nos anos 1990 e funcionam como uma aliança de sites: na página de cada integrante há um botão padronizado que leva para outro site do mesmo webring. Eles têm um tema em comum, mas podem apresentar formatos e conteúdos totalmente diferentes. Cada um é uma viagem particular. 

O vocabulário das redes sociais costuma tratar “engajamento” como sinônimo de interação – curtir, compartilhar e comentar. Mas a indie web pede outro tipo de engajamento. Como não há feed infinito, a navegação exige mais intencionalidade. Você precisa buscar aquilo que lhe interessa, ler, estar aberto, ter curiosidade de explorar o que ainda não conhece. Não dá para ficar esperando o quinto vídeo recomendado pelo algoritmo.

Depois de algum tempo de prática, dá pra se localizar melhor. Quem usa o Neocities, por exemplo, pode seguir outros sites e vê-los em um feed interno em ordem cronológica (mas a função pode ser desativada por quem quer uma experiência mais raiz). 

Ilustração digital com estética retrô de um ambiente virtual com janelas de erro e pessoas em silhueta interagindo com estruturas geométricas. Uma janela pergunta CRIAR IMAGEM FANTÁSTICA NO COMPUTADOR?.
<span class=”hidden”>–</span>Cristielle Luise/Superinteressante

Há mais de 20 anos, existe uma solução gratuita e personalizável para seguir quase qualquer conteúdo online, inclusive de algumas redes sociais: o feed RSS (sigla em inglês para “Distribuição Muito Simples”). 

Em uma página web, você cadastra sites que quer acompanhar, e o feed exibe as atualizações deles em ordem cronológica. Dá para criar listas separadas a seu critério – como uma só para notícias, outra só de podcasts. Não há algoritmo filtrando e priorizando o que aparece, então você tem o trabalho de analisar e selecionar. E isso é bom.

“Quando alimentamos o algoritmo, a gente acaba recebendo sempre aquilo que quer, e a riqueza do conhecimento e da vida se dá quando a gente encontra coisas diferentes”, diz André Lemos, pesquisador da Universidade Federal da Bahia. Ele estuda cibercultura há mais de três décadas e se preocupa que as mudanças desse período tenham nos feito “perder a serendipidade, a possibilidade de encontrar coisas quando não estamos procurando”.

Mesmo com um oceano de conteúdo online, é preciso esforço para encontrar algo por acaso. Mas os tijolos, pontes e placas de Berners-Lee ainda estão por aí. É pegar a prancha, entrar no mar e navegar em busca dos tesouros.


Acesse o conteúdo complementar desta reportagem para conferir uma seleta de links para começar a surfar pela indie web.

Agradecimento Sérgio Spagnuolo, diretor e cofundador do Núcleo Jornalismo. 

Fontes ensaio “From my to me”, de Olia Lialina; (1) texto “Marking the web’s 35th birthday: an open letter”; (2) PNAD Contínua 2024; (3) livro Weaving the web: the original design and ultimate destiny of the world wide web.

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Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.