Por que o cérebro “desliga” o olfato depois de sentir um cheiro muito forte?
Já aconteceu de você aplicar o seu perfume favorito e, minutos depois, perceber que ele ‘sumiu’? Ou, quem sabe, chegar na casa de um amigo e sentir na hora o cheiro forte dos cachorros – enquanto seu amigo nem parece se incomodar. Talvez também já tenha entrado em um restaurante com aromas divinos, mas que somem do seu olfato em pouco tempo.
O culpado disso tem nome: fadiga olfativa. Trata-se da perda de sensibilidade a odores após a exposição contínua a eles. Trabalhadores de cafeterias, salões de manicure ou restaurantes, por exemplo, deixam de perceber os cheiros fortes da torra, produtos químicos ou comida poucos minutos após o início do turno.
O cérebro precisa de mecanismos que reduzem a percepção de odores aos quais estamos constantemente expostos. Sem uma maneira eficaz de filtrar toda essa informação, o cérebro poderia ficar sobrecarregado por estímulos excessivos. É aí que entram adaptações naturais, como a fadiga olfativa, também chamada de cegueira olfativa, fadiga de odor ou adaptação olfativa.
Caso o odor do ambiente chegue repetidamente aos receptores no nariz, como acontece nesses casos, os neurônios responsáveis por transmitir o sinal do cheiro ao cérebro passam a responder de forma menos ativa. Assim, o cérebro entende que aquele aroma não é um perigo. Ele passa a ignorá-lo para poder focar em cheiros diferentes que venham a surgir – a exemplo do cheiro de queimado ou o de um vazamento de gás.
O fenômeno, então, é uma reação normal do corpo e pode acontecer com qualquer um a qualquer hora do dia. De qualquer modo, ele é temporário e pode ser controlado com a adoção de algumas técnicas diferentes.
Dá pra prevenir?
Não existem muitas pesquisas sobre a fadiga olfativa e, até onde se sabe, não há um jeito de impedir que ela aconteça. Afinal de contas, trata-se de uma adaptação natural do corpo. Mas digamos que você trabalhe com o olfato em perfumarias ou é sommelier de vinhos, por exemplo. Nestes casos, existem alguns truques para minimizar o fenômeno.
A maneira mais simples é sair do ambiente por um período e depois retornar. Isso porque, longe do estímulo, os receptores do nariz se renovam e voltam a captar o cheiro normalmente. Paradoxalmente, estar ciente do cheiro também pode reduzir a fadiga olfativa – já que assim seu cérebro concentraria mais atenção nos odores e não descansaria. Alguns relatos também apontam para o café como um agente “limpador” do olfato, devido a compostos da cafeína que podem ajudar a “resetar” os receptores nervosos responsáveis pela detecção de cheiros. (Você já deve ter visto potes com grãos de café em perfumarias).
Há outras estratégias com menos respaldo. Apesar de parecer estranho, praticar exercícios físicos intensos pode treinar o olfato. Um estudo de 2014 indicou que idosos que se exercitavam regularmente apresentavam um risco menor de comprometerem o olfato. Exercícios intensos, como atividades aeróbicas, tendem a aumentar o fluxo sanguíneo do corpo, inclusive no nariz, o que pode ajudar na percepção dos odores.
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