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Curiosidades

O transtorno psiquiátrico que faz a pessoa achar que todos ao seu redor são impostores

Imagine acordar um dia, olhar para o rosto da pessoa que você ama e ter absoluta certeza de que ela foi substituída por um impostor. A aparência, a voz, os gestos e até as lembranças compartilhadas parecem idênticos — mas, para você, aquela não é a mesma pessoa. Outras pessoas tentam convencê-lo do contrário, mas isso só piora a situação: agora, você não sabe se pode confiar nelas também. Seriam todos sósias infiltrados?

Parece o enredo de um filme de suspense, mas, para algumas pessoas, essa é uma realidade vivida diariamente.

O que acabamos de descrever é um possível cenário vivido por uma pessoa com Síndrome de Capgras, uma condição rara na população em geral, mas que afeta aproximadamente 16% das pessoas com doença de Alzheimer. Ela pode estar associada a outras condições neurológicas e psiquiátricas e tem como principal característica a paranoia de que uma pessoa próxima é uma impostora. Muitas vezes, essa pessoa é a principal provedora de cuidados do paciente.

Os sintomas incluem agitação, irritação, recusa de falar com o suposto impostor, recusa às evidências de que aquela pessoa é realmente quem afirma ser e um foco excessivo em “expor” o indivíduo. Como o paciente geralmente acredita que o “impostor” quer lhe causar mal, ele também pode se tornar hostil e até agressivo em relação ao outro.

Um estudo de 2019 observou que, embora a maioria dos casos de Capgras não resulte em agressão, existe uma conexão forte entre essa condição e casos de violência, especialmente se houver alguns agravantes como uso de substâncias, isolamento social e histórico de agressividade. Também existe uma relação entre Capgras e casos de automutilação.

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Causas

Estudos recentes mostram que os cientistas ainda não sabem com exatidão o mecanismo que desencadeia a síndrome de Capgras, observada academicamente pela primeira vez na década de 1920. O que se sabe com certeza é que ela está ligada a danos cerebrais causados por problemas diversos como Alzheimer (e outras formas de demência), esquizofrenia, Parkinson, epilepsia, tumores na glândula hipófise e outros. 

Pesquisas sugerem que danos nas regiões frontais bilaterais, no sistema límbico direito e nas regiões temporais do cérebro podem causar a síndrome de Capgras. Uma das teorias mais aceitas é que esses danos prejudicam a ligação entre o reconhecimento visual de um rosto e a resposta emocional normalmente associada a ele. Assim, ao olhar para alguém conhecido, o paciente reconhece a aparência, mas não sente a familiaridade emocional esperada, levando-o a interpretar aquela pessoa como um farsante. Uma evidência que apoia essa teoria é que indivíduos com síndrome de Capgras perceberam os impostores quando eles estavam presentes fisicamente, mas não quando falaram com eles ao telefone.

Tratamento

O diagnóstico envolve exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, para entender o que está acontecendo com o cérebro. Os sintomas de Capgras podem ser aliviados com medicamentos antipsicóticos, mas a única forma de resolver em definitivo seria eliminar a causa. No entanto, doenças como o Alzheimer ainda não têm cura.

Isso significa que o paciente provavelmente vai exigir cuidados para toda a vida. A família vai precisar se adaptar à nova realidade e achar novas formas de se manter próxima do paciente, pois a desconfiança de que um ou mais parentes são impostores pode permanecer ou reaparecer ao longo do tempo. Uma das táticas é anunciar sua presença verbalmente antes do paciente ver a pessoa, de modo a formar uma conexão sem o estímulo visual.

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Síndromes de falsa identificação delirante

A síndrome de Capgras faz parte de um grupo de transtornos psiquiátricos e neurológicos batizados pela comunidade médica de síndromes de falsa identificação delirante. Neles, a pessoa acredita, de forma delirante, que pessoas, lugares, objetos ou até a própria identidade foram alterados. Apesar de reconhecer a aparência física, ela interpreta erroneamente quem ou o que está vendo, mantendo essa crença mesmo diante de provas em contrário.

Confira outras doenças que fazem parte desse grupo:

  • Síndrome de Fregoli: O paciente acredita que um estranho é, na verdade, um conhecido, e que essa pessoa está usando disfarces continuamente para mudar sua aparência e esconder sua identidade.
  • Intermetamorfose: O paciente não consegue associar a aparência física de alguém à sua identidade, então acredita que conhecidos trocaram de identidade. A pessoa com o delírio acredita, por exemplo, que um vizinho passou a ser outra pessoa, como um parente, mesmo os corpos não tendo sido trocados.
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  • Síndrome dos duplos subjetivos: O paciente acredita ter sósias (ou doppelgängers) que levam vidas diferentes e possuem personalidades distintas.
  • Pluralização clonal: O paciente acredita na existência de cópias de si mesmo que são semelhantes em personalidade e escolhas de vida.
  • Identificação errônea do próprio reflexo: O paciente acredita que seu reflexo no espelho é um estranho.
  • Síndrome dos companheiros delirantes: O paciente acredita que objetos inanimados possuem identidade própria e são capazes de pensar e sentir emoções.
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  • Paramnésia reduplicativa: O paciente acredita que um lugar familiar foi duplicado ou deslocado. Por exemplo: em vez de estar em seu quarto, ela está em um quarto idêntico, mas em outro lugar do país.
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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.