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Curiosidades

Dá pra fazer sexo no espaço? É permitido?

Até onde sabemos, ninguém nunca tentou. No ano de 1992, um tanto a contragosto, a Nasa enviou para o espaço dois astronautas que secretamente haviam se casado meses antes da partida – Jan Davis e Mark Lee. A agência veta que pessoas casadas viagem juntas (principalmente por uma questão de dinâmica interpessoal). Contudo, profissionais que eram, Jan e Mark preferiram não consumar a Lua de Mel próximos à Lua de verdade.

Segundo especialistas, transar lá em cima provavelmente seria algo muito desengonçado. Isso porque a gravidade zero mais atrapalha do que ajuda.

Para metade da população, o problema já começa na decolagem. A microgravidade afeta uma variedade de processos corporais relacionados à circulação do sangue pelo corpo – e a ereção entra aí no meio. O pênis precisa ser bombeado de sangue para ficar propriamente ereto, mas, no espaço, a pressão sanguínea tende a diminuir, e o sangue que antes ficava mais concentrado na parte inferior do corpo vai para regiões mais acima, como o peito e a cabeça.

O que é o lado oculto da Lua?


 

 

O que não necessariamente é um impeditivo. Em uma entrevista de 2014 para a revista Men’s Health, o astronauta Mike Mullane disse: “Às vezes, eu acordava de períodos de sono com uma ereção capaz de perfurar kriptonita”. Esclarecedor.

De qualquer forma, o maior estraga-prazeres seria, em muitos casos, a terceira lei de Newton: para toda ação, surge uma reação tão intensa quanto, na direção oposta. Um evidente problema, já que o choque entre dois corpos celestes é parte integrante de muitas maneiras de fazer amor.

“O sexo em microgravidade pode, na verdade, ser mais difícil, porque os dois precisariam garantir o tempo todo que estão se segurando para não se afastarem um do outro. Pode ser muito mais desafiador e muito menos satisfatório do que a maioria das pessoas imaginam”, disse à Vice o bioeticista Paul Root Wolpe, que trabalhou por 15 anos na Nasa.

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Algumas soluções já existem. O 2-Suit, por exemplo, foi um traje espacial projetado para casais. Em 2008, essa invenção da escritora Vanna Bonta chegou a ser testada em um contexto de gravidade reduzida, dentro de uma aeronave, mas ela nunca foi além da atmosfera.

(E os voluntários não foram além dos beijos, diga-se.)

Outro problema seria o calor e a umidade. Nas estações espaciais, os processos que normalmente ajudam a reduzir o calor humano são seriamente prejudicados, já que não há vento ou gravidade.  Os astronautas transpiram, mas a evaporação (que é o que garante a regulação da temperatura) é mais difícil.

Como a gravidade é baixa, quem ganha lá é a tensão superficial de líquidos, que faz as gotículas ficarem grudadas ao corpo – quando não ficam flutuando em pequenas bolhinhas pela nave. São comuns relatos de desconforto físico quando astronautas fazem exercícios. Imagine, então, outras atividades aeróbicas.

A privacidade é quase zero. Ao contrário do que dizem os filmes, no espaço, muita gente pode te ouvir gritar, e fazer todo tipo de barulho, já que as estações espaciais são constantemente monitoradas pelas centrais de controle por áudio e vídeo.

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Ainda assim, os astronautas têm controle sobre as câmeras, e os banheiros ficam em aposentos relativamente privados. Menos mal.

“Todo mundo faz, todo mundo compreende. Não é nada. Meu amigo me pergunta, ‘Como você faz sexo no espaço?’ Eu digo, ‘Manualmente!’”, revelou o cosmonauta russo Aleksandr Laveykin para o livro Packing for Mars. De fato, se o trabalho em dupla parece difícil demais, esse e outros relatos dão a entender que a masturbação é algo mais fácil de realizar.

“Só posso falar por mim mesmo, mas somos profissionais”, disse à Vice o astronauta Ron Garan. “Está no reino das possibilidades, mas as missões são tão exigentes e intensas que é normal apenas focar na missão”.

Gravidez fora da Terra

Impossível abordar o assunto das relações sexuais no espaço sem imaginar quais seriam os efeitos de uma possível gravidez fora da Terra. E, se o plano de empresas como a SpaceX ou a Blue Origin é colonizar a galáxia, o tema da reprodução acaba sendo de suma importância.

Mesmo para os adultos que se voluntariam a viajar pelas estrelas, o espaço já é um ambiente muito perigoso. A começar pela radiação: seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) já são suficientes para expor os astronautas a cerca de 40 vezes a quantidade de radiação de um ano inteiro na Terra. Para uma gestante, tamanha exposição à radiação já pode levar a uma variedade de complicações para o feto, desde abortos espontâneos e partos prematuros até malformações congênitas e condições como a microcefalia.

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Além disso, os efeitos deletérios que a microgravidade pode causar no corpo humano são muitos, e vão desde a atrofia muscular até o enfraquecimento dos ossos – podendo influenciar, também, a regulação dos hormônios.

Fatores assim fazem com que uma gravidez no espaço seja algo extremamente arriscado. Estudos com animais já procuraram explorar os possíveis efeitos do ambiente espacial na gravidez, mas, ainda assim, pouco se sabe sobre o assunto que possa ser útil para humanos. De acordo com uma revisão de estudos feita em 2018, os dados sobre a reprodução no espaço produzidos até então “são escassos, frequentemente contraditórios, e não fornecem informações suficientes para afirmar de forma definitiva se esses processos fisiológicos podem ou não ocorrer de maneira segura e bem-sucedida.”

Mas, afinal: pode?

Dentro das agências espaciais, não há qualquer regra que especificamente proíba o sexo durante missões espaciais. O entendimento é que os padrões gerais de profissionalismo exigidos já façam do sexo espacial algo fora de questão.

A Nasa evita abordar o assunto – talvez por uma questão de financiamento. O tema do sexo no espaço já esteve na mira da opinião pública no passado, e poderia colocar em cheque o investimento público que sustenta a agência. Empresas privadas como a SpaceX e a Blue Origin, por outro lado, se mostram igualmente opacas.

A realidade é que pouco se sabe sobre qualquer dimensão da sexualidade espacial. As pesquisas sobre o assunto são limitadas. Em parte, por uma questão de orçamento: existem assuntos mais urgentes a serem estudados relacionados à segurança e ao bem-estar dos astronautas. Em parte, também, porque a sexualidade sempre foi um grande tabu entre as agências espaciais.

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“A pesquisa sobre intimidade e sexualidade humanas no espaço – incluindo seus componentes socioculturais e psicológicos – é praticamente inexistente”, disse o psicólogo Simon Dubé ao Mic. “Nenhuma pesquisa explorou relacionamentos íntimos, nem a experiência humana das funções sexuais e do bem-estar sexual, no espaço ou em ambientes análogos ao espaço, ou como qualquer um desses fatores pode afetar o desempenho da tripulação”.

Em 2021, Dubé e outros pesquisadores lançaram uma carta aberta em favor de uma Sexologia Espacial, um ramo de pesquisa que olhasse para todos os aspectos do erotismo fora da Terra, incluindo (mas não restrito a) temas reprodutivos.

Os autores argumentam que, dada a possibilidade de viagens espaciais mais longas e de assentamentos humanos no espaço, é essencial que as agências espaciais passem a dar mais atenção à intimidade e à sexualidade de seus astronautas.

Também por uma questão de segurança. Os pesquisadores argumentam que seriam necessários mecanismos propriamente equipados dentro das agências para lidar com possíveis casos de assédio sexual durante as missões espaciais.

Tal precaução está longe de ser infundada. No passado, a SpaceX foi alvo de múltiplas acusações de assédio sexual dentro da empresa, e, em 2021, 21 funcionários da Blue Origin denunciaram em carta aberta uma cultura de trabalho supostamente tóxica contra mulheres dentro da companhia.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.