48 seleções, 18 mãos e uma diagramação aos 45 do segundo tempo
Caroline Aranha é designer da Super
Uma das minhas coisas favoritas da época de Copa são os famosos espaços de troca de figurinhas! Como uma criança que a cada hora estava colecionando uma coisa (desde pedras, revistas, CDs, Pokémons até, claro, álbuns de figurinhas), me deixa muito feliz saber que esses ambientes seguem sendo muito frequentados durante esse período.
Existe algo bonito em saber que, mesmo com toda a correria, ainda achamos tempo para algo muitas vezes visto como “bobo”, pelo simples prazer de ter uma paixão por algo.
Logo que soube que a edição de maio teria uma matéria para explicar o significado de todos os 48 brasões da Copa de 2026, minha cabeça começou a pensar em formas de fazer uma leve homenagem a coleções – e, principalmente, a álbuns de figurinhas – na diagramação.
Como acontece com alguma frequência, a Super já teve uma matéria bem similar a esta. Foi em 2014, e, na diagramação dela, as 32 seleções foram colocadas num grid retangular com tamanhos diferentes e legendas nos cantos das páginas, uma solução simples e muito funcional.
Mas dessa vez tínhamos o desafio de mostrar 48 seleções, com os textos para cada uma delas, organizadas nos grupos da primeira fase, o que tornava esse modelo não tão funcional assim.
Então eu fui atrás de novas referências, assim como em todo processo criativo. Acabei encontrando inspiração em dois projetos de estúdios diferentes que adoro acompanhar. O primeiro foi o Bao Family, do Atelier Choque Le Goff, no qual os artistas usam letras grandes para ajudar a divisão dos tipos de pratos do cardápio. O segundo foi o Free Pizza, um jornal sobre pizzas feito pelo estúdio FISK, em que os “anúncios” seguem um modelo bem orgânico e flexível.

Com esses pontos das referências em mente, comecei os testes! Minha primeira tentativa foi construir algo mais vertical e um pouco mais contido. Revendo agora, semanas após o fim do processo, consigo perceber que esse modelo também era promissor, mas durante o trabalho achei que ele acabava ficando um pouco “claustrofóbico” com tanta informação encaixada na página, além de ser um pouco parecido demais com o cardápio da Bao Family. Então descartei essa opção e parti para um segundo teste.

Dessa vez, comecei a experimentar um pouco mais com as organizações dos espaços dos brasões. Estava ainda longe de perfeito, mas enquanto trabalhava nele, percebi que poderia tentar brincar com cada grupo sendo um “card” separado, e eles se encaixariam de formas diferentes ao longo das duplas de página, completando uma coleção.

Parti para um terceiro teste, desta vez realmente transformando os grupos em “cards” tanto horizontais como verticais, e tornando esse encaixe mais divertido, além de arredondar algumas bordas para tentar referenciar a própria identidade visual da Copa deste ano.
Logo percebi que, de todos os rascunhos, esse era meu favorito: tinha toda a flexibilidade que eu queria, o destaque para cada grupo, e ainda mantinha o espírito de álbum de figurinhas e a ideia de “onde tal imagem encaixa melhor”.

Depois disso, comecei finalmente a colocar os brasões em cada lugar com muita ajuda do pessoal do texto – principalmente da repórter Bela Lobato, que me ajudou a encontrar detalhes mínimos que estão diferentes nos brasões da edição deste ano (já que, para nossa surpresa, algumas seleções têm diversos modelos). Juntos, fomos aos poucos preenchendo esses espaços e encaixando os textos. E é assim que nasceu nossa matéria feita por 18 mãos, Escudos da Copa. Não deixe de ler!





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