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Curiosidades

A ilha de Lesbos tentou banir o uso da palavra “lésbica” para mulheres que gostam de mulheres. Não deu certo

Você já parou pra pensar de onde surgiu a palavra “lésbica”?

A resposta começa na Grécia Antiga, na ilha de Lesbos, a terceira maior do país. Foi ali que nasceu a poetisa Safo, ativa entre os séculos 7 e 6 a.C., que ficou conhecida pelos seus versos líricos celebrando o amor entre mulheres. Grande parte de sua obra não sobreviveu completa, chegando até nós em fragmentos, mas esses pedaços foram suficientes para consolidar sua reputação como uma das maiores vozes da poesia grega.

Não existe certeza absoluta se os poemas de Safo (que, para muitos estudiosos, era heterossexual) foram o fator que aproximou a ilha de Lesbos ao conceito da homossexualidade. A primeira associação explícita entre as duas coisas data da época romana. O escritor grego Luciano (125-180 d.C.) afirma: “Dizem que há mulheres em Lesbos com rostos masculinos, e que não querem se relacionar com homens, mas apenas com mulheres, como se elas próprias fossem homens”.

Na segunda metade do século 19, com o avanço da medicina e o surgimento da sexologia, o termo começou a aparecer na literatura técnica. O uso mais influente e documentado do período é o do sexólogo Richard von Krafft-Ebing no livro Psychopathia Sexualis (1886). Ali, ele faz referência a “lesbianism/lesbian love” em discussões sobre desejo entre mulheres. No século 20, o termo deixa de ser um rótulo médico e passa a integrar também uma construção identitária.

De onde vem a expressão “sair do armário”?


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Lésbicas x lésbicos

Em junho de 2008, essa história toda foi parar no tribunal. Três residentes da ilha de Lesbos (dois homens e uma mulher) entraram com uma ação judicial tentando impedir grupos LGBT de usarem a palavra “lésbica” em associação à homossexualidade.

“Estamos muito chateados com o fato de que, no mundo todo, mulheres que gostam de mulheres tenham se apropriado do nome da nossa ilha”, disse Dimitris Lambrou, editor de uma revista e um dos que apresentaram a queixa. “Até 1924, segundo o dicionário Oxford de inglês, uma lésbica era uma nativa da nossa ilha. Agora, por causa das novas conotações, nossas mulheres não podem mais se autodenominar lésbicas e isso é errado”, afirmou.

Os queixantes foram ouvidos em uma audiência em Atenas que também ouviu representantes de grupos LGBT e moradores da ilha. Muitos destacaram que o termo trouxe visibilidade a Lesbos, atraindo turistas e movimentando a economia.

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O tribunal rejeitou o caso logo em seguida. Na decisão, os juízes afirmaram que a palavra não definia a identidade dos residentes da ilha e, portanto, poderia ser usada validamente por grupos gays na Grécia e no exterior. A sentença determinou ainda que os autores da ação pagassem os custos judiciais de US$ 366 (cerca de R$ 3.000 hoje).

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.