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Curiosidades

Um tiranossauro deixou seu dente no crânio da presa – e o fóssil preservou o ataque

Um fóssil encontrado no estado de Montana, nos Estados Unidos, preservou um momento dramático ocorrido há cerca de 66 milhões de anos, na reta final da era dos dinossauros. 

Trata-se do crânio de um edmontossauro, um grande herbívoro de bico de pato, que ainda carrega incrustado no osso do seu focinho o dente quebrado de um tiranossauro. 

O achado, descrito na revista científica PeerJ, oferece uma das evidências mais diretas já encontradas de como esses predadores atacavam e manipulavam suas presas.

O fóssil foi descoberto em 2005 na Formação Hell Creek, uma região rica em restos de dinossauros do final do Cretáceo, no leste de Montana. O espécime, catalogado como MOR 1627, é um crânio quase completo de um edmontossauro adulto. 

Durante anos ele integrou a coleção do Museu das Montanhas Rochosas, até que pesquisadores decidiram examiná-lo com mais atenção. Foi então que perceberam um detalhe incomum: um dente incrustado no osso nasal, na parte superior do focinho.

Crânio completo de Edmontosaurus; o triângulo indica onde o dente está inserido.Universidade Estadual de Montana/ Museu das Montanhas Rochosas/Divulgação
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Esse tipo de acontecimento é raro no registro fóssil. Mesmo quando um dente se parte durante uma mordida, ele normalmente cai, se perde ou é deslocado antes da fossilização. Para permanecer ali por milhões de anos, precisa ficar estável no osso e ser soterrado antes que a carcaça seja destruída.

O dente funciona como uma espécie de “assinatura” do agressor, pois possui características que permitem identificar a espécie que realizou a mordida.

O tamanho, a forma e a densidade das serrilhas foram comparados com outros dentes conhecidos de carnívoros que viviam na mesma região. O resultado foi que o predador era um tiranossauro com crânio entre 86 centímetros e 1,12 metro de comprimento. Isso corresponde a um animal com peso superior a 1,8 tonelada e possivelmente próximo de seis toneladas – típico de um adulto plenamente desenvolvido.

As tomografias computadorizadas revelaram ainda mais detalhes. O dente, com cerca de 2,2 centímetros de altura preservada, penetrou o osso em um ângulo inclinado e ficou alojado profundamente na cavidade nasal do animal. A ausência de qualquer sinal de cicatrização ao redor indica que o edmontossauro morreu no momento da mordida ou pouco depois. Ou seja, não houve tempo para o organismo reagir e reparar o ferimento.

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Fotografia do dente de Tiranossauro.
O dente do tiranossauro visto de perto.Universidade Estadual de Montana/ Museu das Montanhas Rochosas/Divulgação

Além disso, o crânio apresenta pelo menos outras 23 marcas de mordida, distribuídas em diferentes regiões. Muitas delas estão associadas aos músculos da mandíbula, indicando que o tiranossauro também consumiu parte da carne do animal após sua morte.

A posição do dente oferece pistas importantes sobre o ataque. Ele está orientado de cima para baixo e levemente inclinado para a frente, o que indica que o tiranossauro mordeu o edmontossauro de frente, mirando o focinho. Esse detalhe é significativo porque sugere um comportamento específico: o predador provavelmente estava tentando controlar o animal ou aplicar um golpe fatal.

Esse tipo de estratégia é comum entre grandes carnívoros modernos. Leões, por exemplo, frequentemente mordem a cabeça ou o focinho da presa para imobilizá-la ou sufocá-la. Crocodilos também atacam a região frontal para dominar o animal antes de matá-lo. Segundo os autores, o padrão observado no fóssil é consistente com esse tipo de comportamento predatório, e não com uma simples alimentação sobre um cadáver já morto.

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A força envolvida foi enorme. Para que o dente se quebrasse e ficasse preso no osso, o tiranossauro teve que exercer uma pressão extraordinária. Isso é coerente com o que se sabe sobre sua mordida, considerada uma das mais poderosas da história da Terra.

Outro aspecto importante é o estado geral do crânio. Apesar das mordidas, ele permanece relativamente intacto e articulado – os ossos ainda estão conectados em sua posição original. Isso sugere que, após matar o edmontossauro e consumir parte da carne, o tiranossauro abandonou o resto do cadáver antes de desmembrá-lo completamente.

Novamente, esse comportamento tem paralelos modernos. Grandes predadores frequentemente deixam para trás partes menos nutritivas de uma carcaça, como o crânio, especialmente quando há competição com outros carnívoros ou quando encontram presas mais fáceis.

O estudo também contribui para um debate antigo na paleontologia: o tiranossauro era um caçador ativo ou apenas um necrófago que se alimentava de carcaças? Durante décadas, alguns cientistas defenderam que ele seria principalmente um “faxineiro” da pré-história. Mas evidências como esta reforçam a visão oposta. Os autores concluem que o fóssil registra um episódio de predação seguido de consumo parcial da carcaça e posterior abandono.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.