Um enorme tubarão foi devorado por outro grande predador em um caso único em nível mundial
Em 2020, um estudo científico voltado à proteção de tubarões acabou revelando um episódio raro e inesperado no oceano Atlântico. O que começou como um monitoramento de rotina se transformou em um registro direto de predação entre grandes tubarões, algo dificilmente observado de forma tão detalhada na natureza.
Pesquisadores instalaram um rastreador por satélite em uma fêmea adulta de tubarão-marajo-sardinheiro para acompanhar seus deslocamentos, profundidade e as temperaturas das águas frequentadas. A intenção era reunir dados que ajudassem a identificar áreas críticas para a conservação da espécie. O que os cientistas não previam era que o próprio equipamento se tornaria uma peça-chave para desvendar o ataque de um predador ainda maior.
A pesquisa foi liderada pela bióloga marinha Brooke Anderson, ligada ao Departamento de Qualidade Ambiental da Carolina do Norte. O trabalho foi posteriormente divulgado na revista científica Frontiers in Marine Science, especializada em estudos sobre ecossistemas marinhos.
O animal marcado media cerca de 2,2 metros e foi acompanhado por vários meses após a liberação no mar, nas proximidades de Cape Cod, no estado de Massachusetts. Durante esse período, o tubarão realizou mergulhos frequentes entre 100 e 800 metros de profundidade, transitando por águas com temperaturas que variavam aproximadamente entre 6 e 24 graus Celsius.
Um sinal fora do padrão nos dados
Durante cerca de cinco meses, o rastreador funcionou normalmente, transmitindo informações coerentes com o comportamento conhecido da espécie. No entanto, em março de 2021, os dados começaram a chamar a atenção dos pesquisadores. O dispositivo passou a emitir sinais a partir da superfície do oceano, indicando que havia se desprendido do corpo do animal.
Ao analisar com mais cuidado o histórico de registros, os cientistas identificaram algo ainda mais intrigante. Por um período contínuo de aproximadamente quatro dias, a temperatura registrada pelo rastreador se manteve muito acima do esperado para a água do mar naquela região e profundidade. Esse padrão não era compatível com o ambiente externo, mas sim com o interior de um animal de sangue quente.
Esse detalhe levou a equipe a uma conclusão direta: o tubarão-marajo-sardinheiro havia sido devorado, e o rastreador passou algum tempo dentro do corpo do predador antes de ser eliminado ou liberado no oceano.
Quem teria sido o predador
A partir dos dados de temperatura e profundidade, os pesquisadores começaram a levantar hipóteses sobre qual espécie poderia ter realizado o ataque. Entre os principais suspeitos estavam grandes tubarões da família dos lamnídeos, conhecidos pela capacidade de manter a temperatura corporal acima da água ao redor.
Duas espécies se destacaram como candidatas mais prováveis. O grande tubarão-branco, famoso pelo porte, força e dieta variada, incluindo outros tubarões, apresenta padrões de mergulho semelhantes aos observados nos dados finais do rastreador. Outra possibilidade seria um tubarão-marajo de maior porte, também capaz de gerar o aumento térmico detectado.
Uma tubarão-mako em gestação, que foi objeto de um estudo, se afasta nadando após os pesquisadores a marcarem com etiquetas de monitoramento.
Segundo a equipe de pesquisa, o conjunto de informações aponta com mais força para o tubarão-branco como responsável pela predação. Esse predador é conhecido por caçar em águas profundas e por ocasionalmente se alimentar de outros tubarões, o que se encaixa no comportamento observado indiretamente pelo equipamento.
Registros desse tipo são extremamente raros. Normalmente, interações entre grandes tubarões ocorrem longe da superfície e sem qualquer tipo de monitoramento direto. Nesse caso, o rastreador funcionou como uma espécie de testemunha involuntária do evento.
Além do aspecto curioso, o episódio trouxe implicações importantes para a conservação. O tubarão-marajo-sardinheiro do Atlântico Noroeste é classificado como vulnerável devido à sobrepesca, perda de habitat e capturas acidentais em redes de pesca. A morte de uma fêmea adulta, possivelmente grávida, representa não apenas a perda de um indivíduo, mas também de filhotes em desenvolvimento.
Os cientistas avaliam que esse tipo de predação entre grandes tubarões pode ser mais comum do que se imaginava, mas raramente documentado. Novos estudos com rastreamento avançado podem ajudar a compreender melhor essas relações e o papel de cada predador no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
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