The Line, megacidade futurista da Arábia Saudita, será convertida em centro de dados
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, da monarquia da Arábia Saudita, tinha planos mais do que ambiciosos para o futuro. Em 2017, ele lançou o projeto Neom, que previa a construção de uma megacidade futurista em uma parte do deserto, na província de Tabuk. A ideia era diversificar a economia do país, apostando em turismo e inovação.
Com um investimento estimado em mais de um trilhão de dólares, o plano incluía a construção de um distrito industrial flutuante, uma pista de esqui (sim, no meio do deserto) que sediaria os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029, e o The Line, uma cidade linear de 170 quilômetros de extensão, distância equivalente ao trajeto entre São Paulo e Campos do Jordão.
O The Line ainda teria ainda dois arranha-céus de 500 metros de altura e funcionaria exclusivamente com fontes de energia renovável. Sem carros, o transporte seria feito integralmente por uma linha de metrô subterrânea. A meta era que o projeto ficasse pronto até 2030, abrigando cerca de 1,5 milhão de pessoas.
O sonho, porém, começou a se transformar em pesadelo em 2024, quando foi anunciado que, até 2030, seria possível construir apenas 2,4 quilômetros da cidade, suficientes para acomodar cerca de 300 mil pessoas.
Este ano, a situação se agravou ainda mais. Uma reportagem do Financial Times revelou que o projeto Neom será cortado pela metade. O jornal teve acesso a um relatório interno de uma auditoria que está prestes a ser concluída e deixa pouco espaço para ajustes.
A proposta agora é reaproveitar o que já foi construído, e seguir com um Neom menos exorbitante, mais realista e com orçamento reduzido. O The Line deve ser transformado em um centro de dados, com o objetivo de fazer do país um polo digital e de inteligência artificial.
O motivo do corte está nas finanças. O Fundo de Investimento Público Saudita, responsável por financiar o Neom, vem passando por maus bocados desde a queda no preço do petróleo, que não voltou aos patamares dos anos anteriores.
Simplesmente não é viável sustentar um investimento da magnitude originalmente prevista para o projeto, que, para piorar, precisaria de um longo prazo para obter retorno financeiro. Além disso, o país se comprometeu em sediar a Expo 2030 (uma feira mundial de inovação que ocorre a cada cinco anos) e a Copa do Mundo de 2034, e precisa garantir que estas partes da infraestrutura estarão prontas até lá.
No final de 2024, o Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita registrou uma redução de 8 bilhões de dólares (aproximadamente12,4% a 14,5% do valor anterior) no valor dos seus “gigaprojetos” domésticos no final de 2024, de acordo com relatórios divulgados em agosto de 2025.
Com a auditoria, Mohammed bin Salman será obrigado a colocar os pés no chão e repensar estratégias mais viáveis e rentáveis para a Arábia Saudita. O desafio é manter o compromisso de sediar os eventos, tendo em vista que os Jogos Asiáticos de Inverno já foram adiados.
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