Tendência preocupante de “esmagar ossos” toma conta das redes sociais, com pessoas batendo no próprio rosto com martelo.
As redes sociais se tornaram um terreno fértil para tendências extremas, muitas vezes impulsionadas pela busca por visibilidade e validação. Entre desafios perigosos, promessas de transformação rápida e discursos distorcidos sobre sucesso pessoal, algumas práticas ultrapassam limites básicos de segurança. Nos últimos tempos, uma dessas ideias ganhou destaque por unir culto à aparência, desinformação científica e comportamentos de alto risco: a prática de esmagar ossos do próprio rosto como forma de tentar alterar a estrutura facial.
O responsável por popularizar esse comportamento é um jovem criador de conteúdo conhecido como Clavicular. Aos 20 anos, ele passou a divulgar vídeos nos quais defende que impactos repetidos nos ossos faciais poderiam torná-los mais definidos e, consequentemente, aumentar a atratividade física. A proposta chamou atenção não apenas pelo absurdo, mas também pelo contexto ideológico em que se insere.
A figura por trás da prática extrema
O criador controverso afirma “elevar” seus seguidores (Instagram).
Clavicular, cujo nome verdadeiro é Braden Peters, surgiu nas redes associado a conteúdos provocativos e frequentemente ofensivos. Sua trajetória digital está ligada a ambientes da chamada manosfera, um conjunto de espaços online que discutem masculinidade, poder e relações afetivas a partir de perspectivas muitas vezes radicais. Nesse meio, conceitos como looksmaxxing se espalharam, defendendo que a aparência masculina deve ser maximizada como estratégia central de sucesso social.
Diferente de abordagens mais comuns, como musculação, cuidados estéticos convencionais ou desenvolvimento pessoal, Clavicular passou a incentivar algo muito mais agressivo. Em seus vídeos, ele aparece golpeando o próprio rosto com um martelo, alegando que isso estimularia o crescimento dos ossos.
A notoriedade do influenciador também está ligada às suas associações públicas. Ele já foi visto em eventos e gravações ao lado de Andrew Tate e do ativista extremista Nick Fuentes, figuras conhecidas por discursos misóginos e polarizadores. Essas conexões reforçaram a visibilidade de Clavicular, mas também ampliaram as críticas ao tipo de conteúdo que ele promove.
Além disso, ele se envolveu em episódios que levantaram sérias preocupações. Entre eles, uma transmissão ao vivo em que aparenta aplicar produtos cosméticos para dissolução de gordura no rosto de sua namorada menor de idade e outro vídeo em que sugere ter atropelado um pedestre, tratando o ocorrido de forma leviana.
A ideia de esmagar ossos e sua justificativa
A prática divulgada por Clavicular consiste em provocar impactos diretos e repetidos nos ossos do rosto, especialmente nas maçãs do rosto e na mandíbula. Segundo ele, esse processo de esmagar ossos faria com que o corpo reagisse reconstruindo a área de forma mais forte e pronunciada.
Em um de seus vídeos, ele afirma: Minha mãe costumava esconder esses martelos porque eu estava sempre esmagando ossos. Em outra gravação, ao conversar com um policial, tenta explicar: Isso é baseado na Lei de Wolff. Quando você quebra um osso, ele cresce mais forte. Estou tentando fazer meus ossos do rosto crescerem.
A chamada Lei de Wolff foi proposta no século XIX pelo cirurgião alemão Julius Wolff. A teoria descreve que os ossos se adaptam às cargas mecânicas às quais são submetidos ao longo do tempo. Em termos simples, ossos tendem a se fortalecer quando usados de maneira regular e adequada.
Na medicina moderna, esse conceito é aplicado para explicar por que atividades físicas ajudam a manter a densidade óssea ou como o esqueleto se adapta após fraturas, sempre com acompanhamento médico e estímulos controlados. O problema surge quando essa teoria é retirada de contexto e usada para justificar agressões diretas ao corpo.
Isso não vai deixar você mais bonito (Chute/Clavicular)
O que a ciência diz sobre os riscos
Especialistas deixam claro que existe uma diferença profunda entre estresse mecânico controlado e trauma violento. Exercícios como caminhar, correr ou levantar pesos produzem microestímulos distribuídos e previsíveis. Já golpes com objetos contundentes causam danos abruptos, sem qualquer controle sobre como o osso ou os tecidos ao redor irão reagir.
O médico e professor de saúde pública Bruce Y. Lee explicou que impactos desse tipo não oferecem garantia alguma de regeneração favorável. Pelo contrário, aumentam muito a probabilidade de fraturas, fissuras e deformações. Uma fratura na mandíbula ou em ossos da face pode resultar em dificuldades permanentes para mastigar, falar e até respirar.
O rosto humano também abriga nervos, vasos sanguíneos e tecidos moles extremamente sensíveis. Ao esmagar ossos nessa região, há risco elevado de hematomas profundos, sangramentos internos, lesões nervosas e infecções. Em alguns casos, os danos podem exigir cirurgias complexas e deixar sequelas estéticas e funcionais.
Do ponto de vista científico, não há evidências de que esse tipo de agressão produza qualquer benefício estético previsível. A remodelação óssea não ocorre de forma direcionada por golpes aleatórios, e o resultado mais comum é exatamente o oposto do prometido.
Enquanto fóruns extremistas tratam o desenvolvimento intelectual ou emocional como algo irrelevante, profissionais de saúde continuam reforçando que hábitos como atividade física regular, alimentação equilibrada, aprendizado contínuo e cuidados psicológicos trazem ganhos reais, sem expor o corpo a riscos graves e desnecessários.
Esse Tendência preocupante de “esmagar ossos” toma conta das redes sociais, com pessoas batendo no próprio rosto com martelo. foi publicado primeiro no Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.
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