Semaglutida, do Ozempic e Wegovy, não mostra eficácia em teste contra Alzheimer
A semaglutida, ingrediente principal de medicamentos contra a obesidade e o diabetes como o Ozempic e o Wegovy, não demonstrou eficácia contra o mal de Alzheimer em dois grandes ensaios clínicos, disse a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk nesta semana. O anúncio põe fim às esperanças de que a molécula poderia ser um tratamento para sintomas de demência.
Os dois estudos de fase 3 (a última e mais importante etapa de testes de um medicamento) envolveram mais de 3,8 mil adultos entre 55 e 85 anos que estavam nas fases iniciais de Alzheimer. Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos, um dos quais foi tratado com a semaglutida em comprimidos orais (na formulação do remédio Rybelsus) e o outro recebeu um placebo.
Segundo a companhia, não houve diferença entre os grupos em relação à velocidade de aparecimento dos sintomas e à progressão da doença. Dessa forma, a Novo Nordisk anunciou que os esforços para estudar o uso da semaglutida no tratamento de demência estão oficialmente encerrados.
Antes, estudos em animais e com grupos menores de humanos haviam indicado um possível benefício das drogas anti-obesidade na cognição no combate à inflamação cerebral, o que resultou numa nova esperança contra a doença que atinge 60 milhões de pessoas no mundo.
No entanto, esses efeitos positivos não foram confirmados nos ensaios clínicos controlados e randomizados com um grande número de pessoas – o tipo de pesquisa considerada “padrão-ouro” na medicina. Assim funciona a ciência, afinal: nem todas as pistas iniciais se confirmam em análises mais robustas.
O anúncio foi feito de forma preliminar; os dados detalhados serão apresentados pela Novo Nordisk em uma conferência sobre Alzheimer nos EUA em dezembro.
Medicamentos como Ozempic e Wegovy ganharam fama nos últimos anos pela alta eficácia em combater a obesidade, ajudar na perda de peso e tratar o diabetes. Mas não só: há vários estudos mostrando que esses remédios podem também ter benefício para o coração e para doenças renais, por exemplo, a ponto de que as moléculas passaram a ser vistas quase como milagrosas ou, no mínimo, revolucionárias para a saúde pública.
Infelizmente, benefícios cognitivos e neurológicos não parecem estar entre o rol dos “milagres” da semaglutida. Um outro estudo recente feito no Reino Unido concluiu que a exenatida, uma molécula parecida, não parece ter efeito sobre a doença de Parkinson.
Na segunda-feira (24), dia do anúncio, as ações da Novo Nordisk chegaram a despencar até 12% na bolsa de Copenhague.
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