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Curiosidades

Quem vota no Oscar? Entenda como os votantes da premiação mudaram ao longo dos anos

Com O Agente Secreto na corrida do Oscar 2026, o cinema brasileiro está, pelo segundo ano consecutivo, na mira da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – a organização de Beverly Hills responsável pela maior premiação da indústria audiovisual estadunidense. Na temporada passada, o filme Ainda Estou Aqui recebeu três indicações (uma delas, inédita para um filme brasileiro, na categoria principal) e trouxe para casa o troféu de Melhor Filme Internacional, o primeiro Oscar do Brasil.

Agora, o thriller pernambucano de Kleber Mendonça Filho tenta repetir o feito. Foram quatro indicações: Melhor Ator (para Wagner Moura), Melhor Escalação de Elenco, Melhor Filme Internacional e Melhor Filme. O diretor de fotografia paulista Adolpho Veloso também garantiu outra nomeação para o Brasil, na categoria de Melhor Fotografia, pelo filme Sonhos de Trem.

Nessa nova leva de indicações para o cinema brasileiro, houve, porém, quem reagisse com ironia. O cineasta espanhol Oliver Laxe, diretor de Sirât – que compete com O Agente Secreto na categoria de Filme Internacional – criticou os membros votantes brasileiros, em entrevista ao talk show La Revuelta, nessa última quinta (22).

“Há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”, disse.

A fala, rechaçada por brasileiros nas redes sociais, parte, também, de uma premissa falsa. Hoje, menos de 0,7% dos votantes do Oscar são brasileiros. Dos mais de 11.000 membros que atualmente compõem a academia, aproximadamente 10.000 são habilitados a votar na premiação. Desses, algo em torno de 70 vieram do Brasil.

Em comparação, a Espanha (que tem uma população total menor que a nossa região Nordeste) acumula aproximadamente 110 membros votantes dentro da Academia. Além disso, seriam necessários 922 votos para garantir que um filme seja indicado na categoria de Melhor Filme.

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Mas, então, fica a pergunta: quem são as pessoas que votam no Oscar? E uma resposta é clara: em grande parte, não são as mesmas de dez anos atrás.

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A Academia, em tempos recentes, tem se tornado cada vez mais internacional. Com membros espalhados por 93 países, hoje, cerca de 24% da Academia mora fora dos Estados Unidos, e títulos de fora do circuito hollywoodiano têm se tornado cada vez mais presentes entre as indicações.

Só neste ano, indicações para filmes majoritariamente ou inteiramente em língua não inglesa somam 22. Entre eles, além de O Agente Secreto, estão o norueguês Valor Sentimental, com nove indicações (inclusive na categoria principal), o franco-iraniano-luxemburguês Foi Só um Acidente, com quatro, e o espanhol Sirât, com duas. Nas categorias de atuação, 20% dos indicados fizeram suas performances em outra língua além do inglês.

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No ano passado, dois filmes de língua não-inglesa concorreram ao Oscar de Melhor Filme: Ainda Estou Aqui e Emília Perez. Em 2024, foram três: Anatomia de uma Queda, Vidas Passadas e Zona de Interesse.

Quem são os votantes?

São os membros habilitados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que escolhem, por meio do voto, os indicados e vencedores do Oscar. Para fazer parte da Academia, é necessário um convite, e existem duas maneiras de conquistá-lo: sendo indicado ao Oscar ou “apadrinhado” por dois membros mais antigos, que enviam o novo nome para consideração da entidade.

Os membros se dividem em 20 ramificações, uma para cada categoria da indústria: atores, diretores, editores, roteiristas, etc. No primeiro turno da votação, que escolhe os indicados, cada categoria vota naquilo pertinente à sua função – editores votam em Melhor Edição, roteiristas votam em Melhor Roteiro, e por aí vai – e escolhem os indicados a Melhor Filme. No segundo turno, que escolhe os vencedores, todo mundo pode votar em qualquer categoria.

A Academia já foi um clube bem mais restrito. Em 2012, ela contava apenas com 5.765 membros. Foi nessa época que a organização passou sua maior crise de identidade: uma reportagem do jornal Los Angeles Times revelou que homens brancos eram a maioria esmagadora dentro da Academia. 77% de seus membros eram do gênero masculino, e 94% eram brancos, enquanto negros e latinos, juntos, somavam apenas 4%.

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A crise se intensificou em 2016, quando a hashtag #OscarsSoWhite (Oscars tão brancos) deu o tom dos protestos nas redes sociais: pelo segundo ano seguido, todas as 20 pessoas indicadas nas quatro categorias de atuação eram – sem exceção – brancas.

Com a repercussão negativa, a Academia teve que reagir, e prometeu dobrar, até 2020, o número de mulheres e pessoas não-brancas dentro da organização até 2020 – o que de fato aconteceu.

Em 2020, a entidade também estabeleceu uma série de regras de reforço à diversidade que tomariam efeito em 2024. Agora, para concorrer na categoria principal, os filmes teriam que cumprir requisitos de representatividade, tanto entre os personagens de suas narrativas quanto dentro da produção.

De 2012 para cá, a Academia praticamente dobrou de tamanho. Além disso, hoje, cerca de 33% dos membros são mulheres, 24% pertencem a grupos subrepresentados e algo em torno de 200 membros vêm da América Latina.

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Aqui no Brasil, hoje, a entidade é representada por nomes do cinema nacional como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Walter Salles, Fernando Meirelles, Rodrigo Santoro e Kleber Mendonça Filho.

Alguns eventos marcaram as transformações da Academia. Em 2020, Parasita, filme coreano dirigido por Bong Joon Ho, se tornou o primeiro filme de língua não-inglesa a ganhar o prêmio de Melhor Filme. Nos 91 anos anteriores, apenas 11 filmes predominantemente em línguas não-inglesas haviam concorrido nessa categoria, mas uma vitória nunca esteve no horizonte.

“Quando vocês superarem a barreira de 1 polegada das legendas, vocês conhecerão mais tantos filmes incríveis”, afirmou o diretor, após ganhar Melhor Filme Internacional no Globo de Ouro.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.