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Curiosidades

Quem são os Shakers, cristãos celibatários retratados no novo filme de Amanda Seyfried

Em seu novo filme musical, Amanda Seyfried (de Mamma Mia! e Meninas Malvadas) interpreta Ann Lee, personagem real que foi líder da religião protestante The United Society of Believers in Christ’s Second Appearing (A Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo).

O Testamento de Ann Lee chegou aos cinemas brasileiros no dia 12 de março e é dirigido por Mona Fastvold, roteirista de O Brutalista.

O grupo é comumente conhecido como Shakers. O nome, em inglês, significa algo como “aqueles que se agitam”, fazendo referência às danças e tremores que o grupo costumava realizar em seus rituais religiosos, como forma de libertar o corpo e a alma dos pecados. Essa prática foi posteriormente abandonada.

De cunho pacifista e radical, eles vivem em comunidades rurais nas quais toda forma de propriedade é compartilhada (terra, comida, etc.). Sua crença gira em torno da confissão dos pecados, da simplicidade e da criação de uma sociedade utópica, com igualdade social e de gênero. Além disso, um dos principais pilares dos Shakers é a prática do celibato e a abolição do casamento.

Em outras palavras: ninguém tem filhos. A religião só se expande por meio da conversão ou da adoção. Os adotados podem escolher permanecer ou não na comunidade ao completar 21 anos. Por isso, hoje existem apenas três pessoas que praticam a religião, vivendo juntas em Sabbathday Lake Shaker Village, nos Estados Unidos.

Os Shakers surgiram no século 18, na Inglaterra. Para entender sua história, porém, é preciso voltar à Reforma Protestante do século anterior. Ela gerou um cenário religioso conturbado na Europa, o que fomentou o surgimento de diversas correntes e dentro do cristianismo.

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Em 1652, na Inglaterra, foi fundada a dissidência protestante Society of Friends (Sociedade de Amigos). Eles acreditavam que a luz de Cristo estava dentro de cada indivíduo e, portanto, não era necessária a mediação de padres nem uma estrutura formal de igreja. Esse grupo ficou conhecido como Quakers, termo que significa “aqueles que tremem”, em referência aos tremores durante experiências religiosas.

Paralelamente, no sul da França, surgiram os French Camisards, protestantes que acreditavam que seus líderes eram profetas capazes de ouvir a palavra de Deus. Eles foram duramente perseguidos pelo rei Luís 14 entre 1702 e 1706. Como resultado, muitos fugiram para a Inglaterra, onde entraram em contato com os Quakers.

Anos depois, já na década de 1740, os Quakers passaram por mudanças que os levaram a abandonar os tremores em seus rituais. Isso não foi aceito por um grupo dentro da comunidade, influenciado pelos Camisards. Essas pessoas se separaram e, a partir da mistura de elementos dos Quakers e Camisards, formaram os Shaking Quakers em 1747. O nome foi posteriormente abreviado para Shakers.

<span class=”hidden”>–</span>Disney Brasil/Divulgação
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Com o tempo, eles desenvolveram suas próprias crenças e práticas. Entre elas estavam o celibato como forma de se conectar com o divino e a defesa da igualdade de gênero – ideias que não eram bem aceitas pela sociedade da época e levaram à perseguição do grupo.

Uma figura central para a criação desses elementos foi Ann Lee, que entrou para a religião em 1758, onze anos depois de sua fundação.

Filha de um ferreiro, ela trabalhava em uma fábrica têxtil e nunca teve a oportunidade de aprender a ler ou escrever. Teve quatro filhos com o marido, mas todos morreram ainda na infância – o que foi um dos fatores que aprofundaram sua devoção religiosa.

Lee se destacava na comunidade por seu carisma e por sua defesa fervorosa dos princípios do grupo. Isso a levou à prisão em 1770. Considerada herege, foi internada em um hospital psiquiátrico por 30 dias. Durante esse período, relatou ter tido uma revelação divina, que a levou a assumir a liderança dos Shakers, passando a ser chamada de “Mother Ann” (Mãe Ann).

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O grupo acreditava que a segunda vinda de Jesus Cristo à Terra ocorreria na forma de uma mulher – no caso, a própria Ann Lee. Foi sob sua liderança que o celibato se tornou uma prática obrigatória dentro da comunidade, já que acreditavam que o próprio Cristo era celibatário.

Anos depois, uma nova revelação divina teria orientado Ann Lee a levar a religião para os Estados Unidos. Ela, seu marido, seu irmão e mais seis membros viajaram de navio até o país, com o objetivo de converter novos fiéis e formar comunidades.

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Inicialmente trabalharam na região da cidade de Nova York e, dois anos depois, conseguiram recursos para comprar terras em Albany, outra cidade no estado de Nova York. Lá, fundaram a primeira comunidade Shaker nos Estados Unidos, onde Ann permaneceu até sua morte.

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Os primeiros anos foram difíceis, com escassez de alimentos e infraestrutura precária. Eles tinham como principal fonte de renda a produção e venda de móveis minimalistas. Também se destacaram como pioneiros do serviço social nos EUA, com o acolhimento de mulheres vítimas de abuso.

No novo país, continuaram a enfrentar perseguições e eram frequentemente atacados pelas comunidades vizinhas. Ann Lee chegou a ser acusada de ser uma espiã inglesa e foi presa após se recusar a jurar lealdade ao estado de Nova York.

Mesmo após sua morte, em 1784, os Shakers continuaram crescendo. No século 19, chegaram a formar 19 comunidades, com cerca de 6 mil membros. Nesse período, os rituais também mudaram, e as danças deram lugar a práticas mais silenciosas, acompanhadas por cantos.

Após esse auge, o grupo entrou em declínio até chegar aos apenas três membros atuais: Arnold Hadd, de 68 anos, que ingressou na comunidade em 1978; June Carpenter, de 87 anos; e April Baxter, de 59 anos, que entrou para o grupo em agosto do ano passado.

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O estilo de vida permanece semelhante. Os atuais Shakers dedicam a maior parte do tempo à oração, ao cuidado da fazenda e à produção de móveis. Eles recebem apoio da organização Friends of the Shakers, criada em 1975 para arrecadar fundos e auxiliar nas atividades da comunidade. Em geral, esses apoiadores acreditam nos valores Shakers, mas não adotam integralmente seu estilo de vida.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.