Queda na quantidade de peixes pode afetar a saúde de comunidades pesqueiras do Nordeste
O ambiente marinho vem preocupando cientistas há alguns anos: as populações de diversas espécies têm diminuído, e muitas já estão ameaçadas de extinção. Entre os principais responsáveis estão as mudanças climáticas – que aumentam a temperatura média dos oceanos e interferem no equilíbrio dos ecossistemas – e o aumento da pesca comercial, que deixa a situação ainda mais alarmante para os peixes.
Além dos impactos ambientais, uma nova pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), investigou as consequências desse cenário para as comunidades pesqueiras do litoral do Nordeste brasileiro.
Os resultados indicam que a redução das espécies marinhas pode ter impacto direto na saúde dessas populações.
Publicado hoje no periódico científico People and Nature, o estudo entrevistou 111 famílias de pescadores, que utilizam a pesca tanto de forma comercial quanto artesanal. Os participantes estavam distribuídos em municípios do Rio Grande do Norte (Touros, Rio do Fogo e Baía Formosa) e de Pernambuco (Ipojuca, Tamandaré e São José da Coroa Grande).
A pesquisa aponta que, para essas comunidades, o pescado representa entre 30% e 40% da fonte mensal de proteína. Além disso, os peixes fornecem mais de 70% dos nutrientes consumidos, já que são ricos em cálcio, ferro e ômega-3.
Dessa forma, a redução na disponibilidade de peixes pode representar um risco significativo à saúde dessas populações, aumentando a possibilidade de desnutrição, anemia, problemas cognitivos e doenças cardiovasculares.
Um ponto importante é que, nesse contexto, “desnutrição” não significa necessariamente passar fome. Outras fontes de alimento estão disponíveis, o problema é que são opções menos ricas em nutrientes, o que pode levar a uma má nutrição de diversas comunidades pesqueiras.
O estudo também analisou como a situação pode se agravar com o avanço das mudanças ambientais – e os resultados foram ainda mais alarmantes.
Os cientistas listaram as 122 espécies de peixes mais capturadas e simularam como elas poderiam reagir a diferentes cenários ambientais no futuro. Os resultados indicam que, caso 25% dessas espécies desapareçam, a oferta de nutrientes para os pescadores pode cair em até 70%.
Se espécies particularmente nutritivas para os seres humanos, como as sardinhas, forem afetadas, essa perda nutricional pode ultrapassar 90%. Por isso, os autores defendem a criação de políticas públicas de conservação direcionadas a esses animais.
“A perda de biodiversidade atinge de forma desigual quem mais depende dela. Assim, proteger os peixes do Nordeste brasileiro é também proteger as pessoas que vivem do mar e sua cultura”, afirma Fabrício Albuquerque, um dos autores do artigo, em entrevista à Bori.
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