Pesquisa detecta ISTs em 20% das gestantes avaliadas em Salvador
Durante a gravidez, uma equipe multidisciplinar acompanha a gestante para garantir uma gestação segura e identificar precocemente possíveis problemas. No pré-natal, são realizados diversos exames, como hemograma, urocultura, ultrassonografia e sorologias para ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) graves e sem cura, como HIV, sífilis e hepatites B e C.
Mas, em meio a tantos procedimentos, as ISTs curáveis – como clamídia e gonorreia – muitas vezes ficam de fora da rotina de rastreio, apesar de também representarem riscos significativos para gestantes e fetos. Esses exames não estão entre os principais testes pré-natais recomendados pelo Ministério da Saúde.
Uma nova pesquisa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) investigou essa lacuna e revelou um dado alarmante: 21,52% das gestantes avaliadas em Salvador apresentavam ao menos uma IST não viral e curável. Em outras palavras, uma em cada cinco.
Publicado na Revista Latino-Americana de Enfermagem, o estudo acompanhou 302 mulheres, entre 15 e 49 anos, atendidas em 17 unidades básicas de saúde da capital baiana.
Além dos exames tradicionais para HIV, sífilis e hepatites, as pesquisadoras incluíram na análise testes para clamídia, gonorreia, mycoplasma, tricomoníase e outras ISTs curáveis. Também coletaram dados obstétricos, comportamentais e sociais das gestantes.
O estudo encontrou dezenas de mulheres infectadas, sendo as ISTs mais frequentes a clamídia (11,6%) e mycoplasma (9,6%), ambas tratáveis.
O problema é que, sem a realização testes, muitas dessas infecções poderiam passar despercebidas, tendo em vista que metade das mulheres diagnosticadas tinham quadros assintomáticos, ou seja, não apresentavam sintoma algum.
Sem tratamento, essas ISTs causam possíveis complicações como parto prematuro, natimortalidade (morte fetal com 20 semanas ou mais de gestação), infertilidade e aborto.
Diante desse cenário, os autores defendem a ampliação dos exames pré-natais e a criação de políticas públicas de rastreio de ISTs curáveis em gestantes, promovendo o diagnóstico precoce para evitar danos à mulher e ao feto.
A pesquisa também investigou fatores associados às infecções. Os casos foram mais frequentes entre mulheres de 15 a 24 anos, sem parceiro fixo ou em relacionamentos com menos de um ano, além daquelas que relataram consumo de álcool e uso de drogas ilícitas não injetáveis. Histórico de prisão do parceiro também apareceu como fator associado.
Outro dado preocupante: quase 14% das gestantes nunca haviam realizado exame citopatológico do colo do útero (o papanicolau), que detecta lesões precursoras do câncer cervical.
Segundo os autores, isso evidencia uma fragilidade do sistema de saúde, que muitas vezes depende da procura espontânea da mulher pelo serviço, o que pode deixar mais vulneráveis aquelas com menor acesso à informação ou aos cuidados médicos.
O estudo reforça “a necessidade de ações de educação em saúde voltadas à prevenção de IST, o que possibilitaria à mulher mais conhecimento, maior capacidade de decisão e mudanças de comportamento, como maior adesão ao uso do preservativo”, como diz um trecho da pesquisa.
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