O que são os cute ‘em up: jogos de nave fofinhos?
Apesar de não parecer, os shoot ‘em ups, ou jogos de navinha, são bem mais complexos do que você pensa. O gênero abriga diversos outros estilos, desde os infernais bullet hell, twin-stick, verticais, horizontais; enfim, a lista é grande. No entanto, poucos se lembram do subgênero mais excêntrico dos shmups: os cute ‘em ups.
Apesar das suas origens incertas e de se tratar mais de um estilo visual e artístico do que mecânico, os cute ‘em ups são marcados por personagens fofos ou bizarros, normalmente ultracoloridos e com uma pegada de desenho animado. Deve ser familiar para quem conhece TwinBee ou mesmo experimentou Fantasy Zone em um arcade de Yakuza 0.
Seja para quem já conhece o estilo, seja para os novos jogadores, o Canaltech apresenta os cute ‘em ups: jogos de nave fofinhos!
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O que é o cute ‘em up?
Não é muito difícil chegar na conclusão de que cute ‘em up é basicamente uma mistura entre shoot ‘em up e uma estética fofa ou bizarra, com animais antropomorfos, criaturas coloridas e todas as bugigangas que se esperaria dessa junção.
O subgênero cute ‘em up tem fortes laços com o Japão, que já se mostrou o rei das bizarrices em diversas oportunidades no entretenimento. O estilo surgiu na era de ouro dos arcades japoneses, por isso não é estranho encontrar SEGA, Konami, Namco e outras empresas que já contribuíram bastante com o subgênero.

Ele abarca todos os outros tipos de jogo de navinha, muito por se tratar mais de um estilo do que um gênero por si só. Os cute ‘em ups podem assumir formas de bullet hell, shooter fixo, vertical, horizontal e por aí vai.
Dito isso, não é porque esses jogos têm um estilo mais vivo e próximo a desenhos animados que eles são fáceis, muito pelo contrário, há algumas entradas de tirar o chapéu.
Além de elementos fofos e bizarros, alguns games também abordam sensualidade e até temas mais adultos em seus visuais, seja nos gráficos do jogo, em artes e até imagens promocionais.
Quando o cute ‘em up surgiu?
Há uma ampla discussão na comunidade dos jogos de navinha sobre a origem dos cute ‘em ups. Há quem considere Space Invaders como o ancestral do estilo, o que pode gerar controvérsias, visto que alguns não o veem nem mesmo como um shmup de fato.
O candidato mais forte para o título de cute ‘em up original é King & Balloon, lançado para os arcades em 1980 e publicado pela Namco. Apesar dos gráficos “atarianos”, o título é creditado por contar com design extravagante e um rei fofo, o que era difícil de ver nos dias de hoje com as limitações de píxeis da época.

Alguns anos mais tarde, a Konami veio forte para representar o gênero com TwinBee em 1985, jogo esse que acabou por definir o título com sua chuva de sinos, inimigos bizarros e mapas coloridos.
O cute ‘em up também acaba refletindo os estilos de artes promocionais e encartes da época, com um visual colorido e exagerado. TwinBee é definitivamente a maior referência do gênero até os dias de hoje.
A evolução dos cute ‘em ups
TwinBee abriu espaço para diversos outros projetos e empresas entrarem de cabeça no cute ‘em up. A SEGA viria a adotar o gênero no famoso Fantasy Zone, em 1986. No jogo, controlamos o lendário Opa-Opa em um tipo de shmup horizontal com uma jogabilidade bem diferente do habitual.
Fantasy Zone também marcou toda uma geração ao trazer seus gráficos pulsantes, uma lojinha com equipamentos e melhorias, além de, claro, sua pegada de desenho infantil inconfundível. O jogo, inclusive, pode ser jogado em Yakuza 0, franquia que desde sempre inclui clássicos do fliperama.

A Konami retornaria ao gênero com força em 1988 com nada menos que Parodius, uma paródia de um dos maiores jogos de navinha de todos os tempos, o Gradius. Parodius eleva os cute ‘em ups às maiores bizarrices do gênero: desde animais antropomórficos e velhos conhecidos como TwinBee, até a pegada mais adulta citada anteriormente.
Cute ‘em up x bullet hell: o inferno da fofura
Em 1990, o cute ‘em up chega com tudo para provar, de uma vez por todas, que fofura não significa vida fácil nos jogos de navinha, ao se chocar de vez com o bullet hell, conhecido por sua natureza brutal, dificuldade extrema e tela cheia de projéteis inimigos.
A SEGA voltou à cena forte com Cotton: Fantastic Night Dreams, que une os shoot ‘em ups horizontais com temática de bruxinha e abraça tanto um estilo fofo quanto bizarro. O título até recebeu um reboot para plataformas atuais em 2021, mostrando toda a sua força.

Já no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, surgia um dos bullet hells mais famosos do cenário dos shoot ‘em ups: Touhou Project, uma série de jogos com dificuldade para lá de extrema e um visual mais voltado para o anime. Este também é o caso de Deathsmiles, conhecido por pegar todos esses elementos e adicionar uma temática gótica por cima.
Como estão os cute ‘em ups?
Mesmo pela sua popularidade na comunidade de shoot ‘em ups, principalmente nos anos 80 e 90, os cute ‘em ups perderam a força bruscamente. Muitas produtoras que foram importantes influências para o gênero diminuíram ou abandonaram o desenvolvimento de jogos de navinha fofos, como é o caso da Konami, SEGA, Bandai Namco e Cave.
Com isso, a produção dos jogos do subgênero foi movida para estúdios indie e para a comunidade por meio de reboots, fan games e paródias de franquias como Touhou Project. Não estamos falando que o estilo morreu; ainda há cute ‘em ups saindo por aí.

Um bom exemplo de cute ‘em up moderno é Vitamin Connection, que, apesar de abordar o gênero shoot ‘em up de uma maneira bem diferente do habitual, se destaca por usar os movimentos dos Joy-Con do Nintendo Switch. Outro exemplo, e que sai em 2026, é o Cute ‘em Up Collection, que inclui os jogos Exo-Calibre e Takotan.
Cute ‘em up morreu?
Apesar de ser um subgênero bem único e com certo prestígio na comunidade dos jogos de navinha, os cute ‘em ups perderam muita força, que já era um nicho em seus anos de ouro.
O estilo mais bizarro e, principalmente, a sensualização também complementam o afastamento de um grande público, principalmente se levarmos em conta a forte inspiração no Japão, que enfrenta alguns limites mesmo crescendo exponencialmente com mangás e animes nos últimos anos.
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