O que é o lado oculto da Lua – e por que ele interessa tanto aos cientistas
Os astronautas da missão Artemis II, da Nasa, já estão a caminho da Terra. Christina Koch, Victor Glover, Jeremy Hansen e Reid Wiseman viajaram a bordo da cápsula Orion e devem aterrissar na costa da Califórnia (EUA) nesta sexta-feira (10), à noite.
Durante a viagem, eles sobrevoaram o chamado “lado oculto” da Lua e, segundo o comandante Wiseman, viram “coisas que nenhum ser humano jamais viu, nem mesmo [aqueles que viajaram nas missões] Apollo”.
Mistérios à parte, a passagem pela região fazia parte dos objetivos da missão. E, na prática, ela nem é tão “oculta” assim. Vamos entender por quê.
A Lua leva cerca de 27 dias e meio para dar uma volta ao redor da Terra e exatamente o mesmo tempo para girar em torno de si mesma. Esse fenômeno é chamado de rotação sincronizada.
Como a Lua interfere nas marés?
Como os dois movimentos acontecem no mesmo ritmo, o mesmo hemisfério lunar permanece sempre voltado para o nosso planeta. É por isso que existe uma face da Lua que nunca vemos daqui.
E, claro, esse “lado oculto” não é escuro o tempo todo: ele também recebe luz solar normalmente.
As primeiras imagens de lá só apareceram em 1959, quando a sonda soviética Luna 3 fotografou a região pela primeira vez.
Os registros revelaram que esse hemisfério é bem diferente da face que vemos da Terra. O lado visível tem grandes planícies escuras, chamadas de mares lunares.
Já o lado oculto é mais irregular, cheio de montanhas e crateras. Além disso, a crosta ali parece ser mais espessa e mais antiga.
Uma das hipóteses para explicar essa diferença envolve os primeiros momentos da história da Lua. Cientistas acreditam que, quando o satélite ainda estava se formando, a face voltada para a Terra permaneceu quente por mais tempo por causa da radiação do planeta. O outro lado esfriou mais cedo, formando uma crosta mais grossa.
Esse detalhe faz do lado oculto um tipo de arquivo geológico da Lua. Muitas marcas antigas ainda estão preservadas ali, incluindo crateras criadas durante um período turbulento da história do Sistema Solar chamado Late Heavy Bombardment, quando asteroides atingiam com frequência os planetas e seus satélites, há cerca de 4 bilhões de anos.
Uma dessas estruturas chama atenção dos cientistas: o Mare Orientale, uma enorme cratera com cerca de 930 quilômetros de largura – quase a distância entre São Paulo (SP) e Brasília (DF).
Embora sondas robóticas já tenham fotografado a região, a missão atual permitiu que astronautas a observassem com os próprios olhos. Confira um dos registros:

O que os cientistas buscam ali?
Vários países vêm tentando estudar essa região. Só que isso envolve uma série de desafios técnicos. Por exemplo: quando uma nave passa atrás do satélite, ele bloqueia as ondas de rádio vindas da Terra. Isso provoca um apagão temporário nas comunicações.
Durante esse período – cerca de 40 minutos no caso da Artemis II – a nave precisa funcionar de forma totalmente autônoma. Astronautas e sistemas de bordo seguem comandos programados antes da passagem, já que o controle da missão não consegue enviar instruções em tempo real.
A China avançou bastante nos últimos anos com as missões Chang’e 4, que em 2019 se tornou a primeira a pousar no lado oculto da Lua, e Chang’e 6, que em 2024 coletou amostras do solo e as trouxe de volta à Terra.
A sonda pousou na gigantesca South Pole–Aitken Basin, uma cratera de impacto com cerca de 2.500 quilômetros de diâmetro formada há aproximadamente 4,2 bilhões de anos.
As primeiras análises desse material já começaram a revelar pistas sobre o passado da Lua. Pesquisas indicam que rochas vulcânicas coletadas ali têm composição parecida com basaltos encontrados no lado visível do satélite. Isso reforça a ideia de que, no início da história lunar, grandes áreas da superfície podem ter sido cobertas por um oceano de lava.
Além do valor científico, o lado oculto da Lua também desperta interesse por motivos variados.
Como ele fica protegido das interferências de rádio vindas da Terra, pode ser um lugar ideal para instalar radiotelescópios capazes de observar o universo com mais precisão.
A região também é vista como possível local para futuras bases lunares. Um posto avançado ali poderia servir como laboratório científico e ponto de apoio para missões espaciais mais longas, como viagens tripuladas a Marte.
Há ainda interesse em investigar os recursos naturais do subsolo lunar. Cientistas estudam a presença de minerais raros e do hélio-3, um tipo de gás que alguns pesquisadores consideram promissor para tecnologias futuras de fusão nuclear.
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