Jovem de 17 anos morreu de câncer de mama dois anos depois de ter o sintoma descartado como ansiedade
A morte de Isla Sneddon, aos 17 anos, transformou a dor de uma família em um debate sobre como sintomas graves em adolescentes podem ser subestimados dentro dos sistemas de saúde. A jovem morreu em março de 2025, após um câncer agressivo ser diagnosticado tarde demais, segundo seus pais, porque sinais claros da doença foram tratados como algo comum da adolescência ou atribuídos à ansiedade.
Isla tinha apenas 15 anos quando procurou um médico pela primeira vez, em 2022, depois de perceber um nódulo na mama. A resposta inicial foi tranquilizadora. Ela ouviu que aquilo provavelmente era benigno e relacionado a alterações hormonais, algo frequente em jovens da sua idade. Nenhuma investigação aprofundada foi feita naquele momento, e a família confiou na avaliação recebida.
Com o passar do tempo, os sintomas não desapareceram. Mesmo assim, a situação não avançou com a urgência esperada. Em determinado momento, chegou a ser indicada uma biópsia, mas o encaminhamento foi rebaixado justamente por Isla ser menor de idade. Para os pais, essa decisão foi crucial no desfecho da história.
Isla Sneddon morreu aos 17 anos após ser informada de que um nódulo em seu seio provavelmente era benigno (Mark Sneddon / SWNS).
Um diagnóstico que chegou tarde
No verão europeu de 2024, o estado de saúde de Isla piorou de forma acentuada. Ela passou a apresentar sinais de que algo mais sério estava acontecendo e acabou sendo levada a um hospital em Airdrie. A partir daí, iniciou-se um longo período de exames, internações e procedimentos, que se estendeu por cerca de dez semanas.
Somente após esse processo os médicos confirmaram que se tratava de câncer de mama. A notícia veio acompanhada de outra informação devastadora. A família foi informada de que Isla teria entre seis meses e um ano de vida. Para Mark e Michelle Sneddon, pais da jovem, ficou claro que o tempo perdido nos primeiros atendimentos havia pesado contra a filha.
Eles acreditam que, se Isla tivesse sido tratada como uma paciente adulta desde o início, a abordagem teria sido diferente. Segundo Mark, uma pessoa mais velha com os mesmos sintomas provavelmente passaria por investigações mais detalhadas e rápidas, sem ouvir que o problema era algo passageiro ou que desapareceria com o tempo.
Quando Isla recebeu o diagnóstico, sua família foi informada de que ela teria, no máximo, um ano de vida, então eles passaram o máximo de tempo possível com ela (Mark Sneddon / SWNS).
Michelle reforça que, além das questões hormonais, muitos dos desconfortos relatados por Isla foram associados à ansiedade. Dor no peito, mal-estar e outros sinais eram frequentemente interpretados dessa forma. Para a família, essa explicação se tornou uma resposta padrão, usada repetidamente, enquanto a doença avançava sem ser detectada.
Pouco depois do diagnóstico de câncer de mama, veio a confirmação de que Isla também tinha um sarcoma, o que agravou ainda mais o quadro. As opções de tratamento já eram limitadas, e os médicos deixaram claro que o foco seria reduzir danos e oferecer cuidados paliativos sempre que possível.
A rotina de hospitais e a piora repentina
Com a expectativa de vida reduzida, a família decidiu passar o máximo de tempo possível junta. Os meses seguintes foram marcados por sessões de quimioterapia, idas constantes ao hospital e uma tentativa de manter alguma normalidade dentro do que era possível. Mark relata que cuidaram da filha durante cerca de seis meses de tratamento intensivo.
Apesar de todo o acompanhamento, a condição de Isla piorou de forma súbita em um domingo. Segundo o pai, ela disse que não estava se sentindo bem e pediu para ser levada ao hospital, mesmo sabendo que aquele era um lugar onde havia passado grande parte do último ano. A resistência dela ao ambiente hospitalar vinha do desgaste físico e emocional acumulado.
A família aguardou cerca de seis horas por uma ambulância. Diante da demora, decidiram colocá-la em uma cadeira de rodas e levá-la por conta própria. Ao chegar ao hospital, a equipe avaliou que o caso era extremamente complexo e que não seria possível transferi-la para outra unidade naquele momento.
Pouco tempo depois, Isla teve uma piora brusca. Mark descreve que ela entrou em colapso ainda no hospital. A jovem morreu nos braços dos pais, encerrando uma trajetória marcada por sofrimento, espera e incertezas. Para a família, a sensação foi de que tudo aconteceu rápido demais, apesar de parecer uma eternidade enquanto viviam aquilo.
Eles acreditavam que ainda teriam mais tempo juntos. A morte de Isla, segundo o pai, foi uma experiência que parecia distante, algo que se vê em reportagens ou na televisão, mas nunca se imagina vivenciar de forma direta.
A campanha por mudanças na lei
A família pretende implementar a Lei de Isla, que obrigaria que casos urgentes de saúde infantil fossem tratados com maior urgência (Mark Sneddon / SWNS).
Após a morte da filha, Mark e Michelle decidiram transformar a dor em mobilização. Eles passaram a defender a criação de uma nova legislação, chamada informalmente de Lei de Isla. A proposta busca garantir que encaminhamentos urgentes de crianças e adolescentes com suspeita de câncer sigam os mesmos prazos máximos aplicados a adultos.
Para os pais, a diferença nos tempos de espera entre pacientes pediátricos e adultos pode custar vidas. A ideia é impedir que casos graves sejam desacelerados apenas por causa da idade do paciente. A campanha ganhou força e já reuniu mais de 36 mil assinaturas em uma petição pública.
Mark afirma que não quer que outros pais passem pelo que ele e a esposa viveram. Ele diz que a família se sente vazia e perdida desde a morte da filha e que nenhuma outra pessoa deveria enfrentar a mesma situação. Para eles, a mudança na lei pode evitar que histórias semelhantes se repitam.
Autoridades de saúde se manifestaram após a repercussão do caso. O secretário de Saúde da Escócia, Neil Gray, declarou solidariedade à família e informou que pretende se reunir com os pais de Isla para discutir a petição e as preocupações levantadas. Ele também mencionou a publicação de diretrizes atualizadas para encaminhamentos de câncer, incluindo normas específicas para crianças e jovens.
Representantes do sistema de saúde local afirmaram que o tratamento de Isla seguiu os protocolos clínicos esperados, mas reconheceram o impacto devastador da situação para a família. Segundo eles, o diálogo com os pais continua aberto e qualquer suporte adicional será oferecido.
Enquanto isso, a história de Isla Sneddon segue gerando debates sobre diagnóstico precoce, vieses na avaliação de sintomas em jovens e a necessidade de rever procedimentos quando se trata da saúde de crianças e adolescentes.
Esse Jovem de 17 anos morreu de câncer de mama dois anos depois de ter o sintoma descartado como ansiedade foi publicado primeiro no Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.
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