Hamnet: a história de Shakespeare que inspirou o filme indicado ao Oscar
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é daqueles filmes que, de tanto burburinho, acabam se tornando impossíveis de deixar de assistir. A obra acumula oito indicações ao Oscar 2026, incluindo categorias de peso como Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Direção. No Globo de Ouro, levou para casa o prêmio de filme de drama, a principal honraria da noite.
Revivendo a história de William Shakespeare entre a verdade e a ficção, o longa propõe um encontro entre cinéfilos, poetas – e qualquer pessoa disposta a se emocionar. Ele é inspirado em Hamnet, um dos romances mais aclamados de 2020, da escritora Maggie O’Farrell, que também participou do roteiro do filme.
Ambientado na Inglaterra do século 16, o enredo acompanha Shakespeare, interpretado por Paul Mescal, e sua esposa, Agnes, vivida por Jessie Buckley (favorita para levar o Oscar este ano). Eles enfrentam o luto pela perda do seu filho Hamnet, morto aos 11 anos por peste bubônica, em uma tragédia que atravessa o amor, a dinâmica familiar e a própria vida do casal.
A perspectiva materna e feminina de Agnes é o verdadeiro centro da narrativa. Curandeira apaixonada pela natureza, ela permanece em casa cuidando dos outros dois filhos enquanto o marido trabalha em Londres.
É lá que, lidando com essa dor, o ainda jovem Shakespeare escreve Hamlet, peça que viria a se tornar um de seus maiores sucessos. Nela, o príncipe Hamlet, nome que era utilizado de forma intercambiável com Hamnet, enfrenta a morte do próprio pai e tenta vingá-lo.
Então quer dizer que o novo filme, que tem direção de Chloé Zhao (de Eternos e do vencedor do Oscar Nomadland), é uma história real? Mais ou menos.
Nascido na cidade de Stratford-upon-Avon em 1564, Shakespeare foi casado e teve três flhos: Susanna, em 1583 e os gêmeos Hamnet e Judith, em 1585. Entre o nascimento deles e o momento em que o autor deslanchou na cena de teatro de Londres, por volta de 1592, há poucas informações sobre o que Shakespeare e a família fizeram.
Hamnet morreu em 1596, de causas desconhecidas. Não dá para saber se a peça Hamlet, escrita anos depois, estaria de fato relacionada ao luto pela criança.
Os registros sobre a esposa de Shakespeare são escassos. Frequentemente deixada de lado nas narrativas históricas e descrita como “analfabeta” e inferior ao dramaturgo inglês, muitos historiadores acreditam que seu nome fosse Anne Hathaway. A autora Maggie O’Farrell, na contramão, opta por chamá-la de Agnes, nome que aparece no testamento do pai da figura. Mais do que isso, ela usa a obra para conceder a Agnes voz, sentimentos e uma história própria.
Assim, tanto o livro quanto o filme partem das informações concretas sobre a vida e a obra de William Shakespeare e, a partir delas, recorrem à ficção para imaginar o pano de fundo emocional por trás de Hamlet, que, agora, ganha um novo significado.
O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros desde o dia 15 de janeiro.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
