“Fictossexualidade” explicada, à medida que cresce o número de pessoas que estão se assumindo
Nos últimos anos, uma forma pouco convencional de vivenciar o afeto tem chamado a atenção de pesquisadores e do público em geral. Cada vez mais pessoas afirmam sentir amor, desejo ou vínculo emocional profundo por personagens que não existem no mundo físico. Esse tipo de relação, embora possa parecer recente, vem ganhando nome, definição e relatos cada vez mais detalhados.
Sentir atração por figuras fictícias não é exatamente uma novidade. Muitos leitores e espectadores já se pegaram idealizando personagens de livros, filmes, séries ou jogos. Para a maioria, isso fica no campo da fantasia passageira, algo que não interfere na vida cotidiana. O fenômeno se torna diferente quando esses sentimentos passam a ocupar um lugar central, substituindo ou superando o interesse por pessoas reais.
É nesse contexto que surge o termo fictossexualidade. A terapeuta e especialista em gênero Rebecca Minor definiu essa orientação da seguinte forma: “Fictossexualidade é uma orientação sexual na qual alguém se sente atraído emocional, romântica ou sexualmente por personagens fictícios, às vezes mais do que por pessoas reais”. Segundo ela, para quem se identifica dessa maneira, essas conexões não são superficiais nem simbólicas. “Para essas pessoas, os vínculos não são imaginários ou rasos, eles são profundos e genuinamente significativos”.
Para alguns, o relacionamento com um personagem pode acontecer por meio de livros, jogos ou animações. Bastaria abrir uma história ou ligar um dispositivo para reencontrar o “parceiro”. Isso cria uma sensação de constância e controle difícil de alcançar em relações humanas, marcadas por conflitos, mudanças e incertezas.
Um dos casos mais conhecidos é o de Akihiko Kondo, no Japão. Ele se declarou fictossexual e realizou uma cerimônia de casamento com Hatsune Miku, uma cantora virtual representada por holograma. Para oficializar a união, utilizou um dispositivo por assinatura que permitia interações com a personagem. Todo o processo custou cerca de 15 mil dólares. Para Kondo, a relação oferecia algo que ele não encontrava em relacionamentos convencionais. Segundo ele, Miku estaria sempre presente, nunca o trairia e não adoeceria nem morreria.
Pesquisadores também tentam compreender por que esse tipo de vínculo pode ser tão atraente. Agnès Giard, pesquisadora da Universidade Paris Nanterre, aponta que a impossibilidade de rejeição é um fator central. O personagem não abandona, não critica e não age fora do roteiro esperado. Além disso, algumas pessoas utilizam essas relações como forma de questionar normas sociais ligadas a gênero, casamento e expectativas afetivas tradicionais.
Há ainda o aspecto da previsibilidade. Diferente de pessoas reais, personagens têm histórias fixas. Seus traços de personalidade, passados e reações já estão definidos. Não há surpresas inesperadas. Caso a relação deixe de agradar, o rompimento é simples. Basta fechar o livro, desligar o jogo ou abandonar a narrativa.
Mesmo assim, essas relações não estão livres de frustrações. O próprio Kondo viveu isso na prática. A empresa responsável pelo sistema que permitia sua interação com a holografia de Miku encerrou as atividades em 2025. Com o desligamento dos servidores, a “esposa virtual” ficou permanentemente inacessível. Apesar de ter escolhido alguém que, em teoria, nunca poderia partir, ele se viu novamente sozinho, desta vez por um motivo técnico.
O crescimento dessas experiências mostra como o afeto humano pode se manifestar de formas diversas, especialmente em um mundo cada vez mais mediado por tecnologia, narrativas digitais e identidades alternativas.
Esse “Fictossexualidade” explicada, à medida que cresce o número de pessoas que estão se assumindo foi publicado primeiro no Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim conseguiremos informar mais pessoas sobre as curiosidades do mundo!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

