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Curiosidades

Estudo revela circunstâncias da morte de crianças incas sacrificadas há 500 anos

Um novo estudo reconstruiu os últimos momentos das famosas “múmias de gelo”, crianças sacrificadas há cerca de 500 anos em um dos rituais mais enigmáticos do Império Inca. Os resultados desafiam os relatos históricos europeus e mostram que essas mortes foram mais complexas e, em alguns casos, mais violentas do que se supunha.

A pesquisa, publicada no Journal of Archaeological Science: Reports, analisou os corpos congelados de quatro meninas encontradas nos vulcões Ampato e Sara Sara, no sul do Peru, em expedições realizadas nos anos 1990. Entre elas está a mais famosa múmia inca já descoberta – a chamada “Dama de Ampato”, também conhecida como “Juanita”, localizada em 1995 perto do topo do vulcão Ampato. Estima-se que ela tinha entre 12 e 15 anos.

As demais tinham idades estimadas entre 8 e 10 anos. Todas foram vítimas do ritual de capacocha, no qual crianças e adolescentes eram oferecidos aos deuses e deixados em locais sagrados de alta montanha.

Os pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada de alta resolução para examinar ossos, tecidos moles e órgãos internos sem danificar os corpos. A abordagem permitiu identificar lesões, doenças prévias e até intervenções feitas após a morte, algo impossível de ser observado apenas com inspeções externas ou radiografias convencionais.

Uma das descobertas mais surpreendentes envolve a menina de cerca de 10 anos encontrada em um platô a 5.800 metros de altitude no Ampato. As tomografias mostraram que seus órgãos da cavidade torácica e abdominal haviam sido removidos deliberadamente e substituídos por pedras e tecidos antes do sepultamento. 

O corpo foi então envolto em mantos e colocado na posição sentada, com os joelhos dobrados junto ao peito. Essa é a primeira evidência direta de mumificação artificial entre vítimas de capacocha (e não natural, causada pelo frio), indicando que ela pode ter sido morta em outro local e só depois transportada para a montanha.

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Segundo os autores, essa preparação especial pode ter servido para “corrigir” características físicas consideradas inadequadas ou para garantir a preservação do corpo por mais tempo. 

Causa da morte

As tomografias também revelaram que nenhuma das quatro crianças morreu de causas naturais relacionadas ao frio ou à altitude – como aconteceu com outras múmias incas famosas, como as três “crianças de Llullaillaco”, que foram drogadas e deixadas para morrer na natureza. Todas as analisadas no novo estudo apresentam evidências de traumatismo craniano ocorrido no momento da morte ou imediatamente antes.

No caso da Dama de Ampato e da menina encontrada no Sara Sara, os exames identificaram fraturas no crânio compatíveis com golpes contundentes, provavelmente desferidos com instrumentos de madeira. Outras vítimas mostram sinais de hemorragia interna e separação das suturas do crânio, um tipo de lesão comum em crianças, cujos ossos ainda são bastante flexíveis.

Esses achados ajudam a esclarecer como os sacrifícios eram realizados. Relatos históricos espanhóis mencionavam diferentes métodos, como estrangulamento ou sufocamento, mas as evidências físicas indicam que, ao menos nesses casos, a causa da morte foi um golpe violento na cabeça. 

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Os pesquisadores sugerem que a força aplicada pode ter sido calculada para provocar a morte sem causar grandes deformações visíveis, preservando a aparência do corpo para seu papel ritualístico. 

Crianças perfeitas?

Outro ponto central do estudo diz respeito à saúde das vítimas. Cronistas europeus do século 16 afirmavam que as crianças escolhidas para a capacocha eram fisicamente perfeitas, sem doenças ou defeitos. As tomografias contam uma história diferente. 

A menina de cerca de 8 anos encontrada no Ampato apresentava um esôfago anormalmente dilatado, possivelmente associado à doença de Chagas, uma infecção parasitária endêmica nos Andes. Ela também tinha calcificações e cicatrizes nos pulmões, que podem indicar tuberculose ou outra infecção respiratória crônica.

Outras múmias também exibem sinais de doenças prévias, fraturas em processo de cicatrização e alterações internas que dificilmente seriam compatíveis com a ideia de “corpos perfeitos”. 

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Segundo os autores, essas condições de saúde provavelmente eram comuns entre crianças do Império Inca e não impediam sua escolha para o ritual – o que pode indicar que o ideal de “perfeição” mencionado pelos cronistas europeus não correspondia aos critérios culturais dos próprios incas, ou que os autores coloniais simplificaram ou romantizaram os relatos.

O estudo também reforça a ideia de que o papel dessas crianças não terminava com a morte. Evidências arqueológicas e relatos históricos indicam que os corpos eram visitados, venerados e até consultados por comunidades locais por muitos anos.

Um cronista espanhol, Pedro Pizarro, registrou que pessoas buscavam a aprovação das múmias para casamentos e outras decisões importantes. As novas análises, especialmente no caso da criança que foi preparada e relocada após a morte, sugerem que esses indivíduos continuavam a funcionar como mediadores entre os vivos e as divindades das montanhas, os chamados “Apus”.

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augustopjulio

Sou Augusto de Paula Júlio, idealizador do Tenis Portal, Tech Next Portal e do Curiosidades Online, tenista nas horas vagas, escritor amador e empreendedor digital. Mais informações em: https://www.augustojulio.com.